Um chefe meu dizia que jamais deveríamos começar uma conversa dando explicações. Não importa o quanto estivéssemos errados, atrasados, enrolados, o melhor era sorrir com dignidade e puxar qualquer outro assunto banal antes de falar sobre o que interessa. Aprendi rápido – até por que, no meu caso, estar errada-atrasada-e/ou-enrolada faz parte do perfil – e cá estou eu agora falando sobre meu ex-chefe ao invés de dizer logo a razão do meu sumiço…
Veja bem, meu bem: meus sumiços da rede nunca acontecem por razões usuais. Este ano, por exemplo, passei o mês de maio inteiro desaparecida por falta de… (internet? energia? computador?)… por falta de mesa. Quando se mora num lugar sem móveis, acessar a internet significa sentar no chão para teclar num notebook também no chão. Pois é, as costas doem. E isso de ter a coluna vertebral num ângulo de 45 graus só é prática popular lá pelas bandas de Notridame.
Daí eu sumi. E achei que este problema seria o bastante. Mas agora há outro: falta de espaço… (na agenda? na memória? no HD?)… falta de espaço no chão. A casa está lotada. Atualmente somos 9 e, quando Gal chegar, seremos 10. Numa casa de 50 metros quadrados, cada um tem direito a 5 metros quadrados, ainda que isso inclua a cozinha e o banheiro. Ou seja: não estique o braço para não acertar ninguém.
Cada um trouxe consigo três malas, um colchonete e, ocasionalmente, violões, pranchas de surf, gaiolas, cavaletes de pintura e outras cozitas que não calculo por que tenho dificuldade de trabalhar com valores altos. Nenhum problema quanto ao fato do apartamento ser pequeno, haver objetos demais e as pessoas ficarem grudadas umas nas outras. O problema é as pessoas ficarem grudadas em mim! Atualmente, a compra de pasta de dente da casa se dá aos litros e a produção de lixo equivale à da Mc Donalds. Socorro!
Entre residentes e visitantes, quatro chegaram da Irlanda, uma da França, dois do Brasil e o resto já estava morando por cá (Portugal), mesmo nenhum sendo português. E você entende que está vivendo numa comunidade cosmopolita quando cada shampoo do seu banheiro tem o rótulo num idioma diferente. Enquanto representante da ONU num perímetro repleto de conflitos culturais, tento promover a paz mundial: cardápio para o almoço de domingo? Não há consenso. Disco pra tocar no som da sala? Não há consenso. Filme para assistir no fim da noite? Há consenso. Mas cada um quer a legenda no seu idioma. Nova votação…
Sim, claro, por que, como em toda democracia, as decisões são votadas. Mas visitantes não votam, só residentes. Não gostou? Arrume as malas. A lavagem de pratos, chão e roupas é rotativa e todos devem participar. Não gostou? Já sabe. Ninguém, em hipótese alguma, deve mexer na comida do outro. Não gostou? Vá buscar a sua mala lá no térreo. Pulou sozinha, coitada.
Enfim, a razão do meu sumiço é essa: quem vive por aqui não tem muita chance de teclar – tranquilidade ligou e mandou um abraço. Principalmente numa república onde é necessário convocar um plebicito internacional para decidir qualquer bobagem, os tratados de paz não duram 24 horas e vigoram interpretações pouco ortodoxas sobre as leias da física – podendo dois (dez) corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço.
Pois é, a vida na Faixa de Gaza não é facil. Não gostou? Hã? Ah, bom.
É um pedacinho de que, mesmo? rsrsrsrsrs
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tinha q ver era a SOGRA ai dando ordens!!!
num ia prestar ,so ia sobrar vcs dois
sera q ia????
bjsss muitas mas muitas
SAUDADES
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Num quero nem saber!!!! Tem que arranjar um pedacinho desse “céu” prá mim! kkkkkkkkkkk
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kkkkkkkkkkkkkkk
Amei!!!
Bjs!
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Oi Mari! Tava mesmo com saudades das suas notícias!
Por aqui, com mais espaço (em tese) tem dias que nem rola escrever!!
Mas quando tiver um espacinho na agenda e no ap dá notícias, elas são sempre mito divertidas!!
Beijos!
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Estava até pensando em morar com vcs. Mas…. Rs
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