Hoje foi um dia produtivo: primeiro eu fui recusada para uma vaga de operadora de telemarketing, depois para uma vaga num trabalho voluntário (isso mesmo, eles não me quiseram nem de graça) e, no fim da tarde, fui recusada numa seleção para distribuição de jornais. Não, não estamos falando de um cargo no setor de logística num veículo impresso, estamos falando de VENDER JORNAL NO SEMÁFORO. E eu não fui aceita. Mesmo já sabendo a resposta, sempre me dou ao trabalho de perguntar:
– Qual dos critérios de seleção foi responsável pela minha eliminação?
– Nacionalidade, pá.
Solução? Nascer de novo. Em outro planeta, se possível. A cada dia que passa eu estou mais convencida de que aquele método de limpeza étnica dos alemães está mesmo ultrapassado. Por que matar com gás se você pode matar de fome? É muito mais limpinho!
Tenho especial apreço pelos métodos requintados utilizados pelo SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). A maioria dos imigrantes, ao chegar, recebe um visto temporário. Este visto não te permite trabalhar – e só deixa de ser temporário acaso alguma empresa queira te contratar e redija uma declaração de interesse. Pronto, você sai de lá e vai direto para uma agência de recrutamento, claro, por que tudo o que você precisa é encontrar uma empresa que te queira. Mas a sua candidatura é negada. Por quê? Por que seu visto é temporário! Essa documetação não te permite nem fazer o cadastro, quanto mais concorrer a uma vaga! Com visto temporário você não trabalha, sem trabalho você continua com visto temporário. Tostines vende mais por que é fresquinho ou é fresquinho por que vende mais?? Socorro!!!
Enquanto o SEF e as agências de recrutamento discutem se quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha, fica você dançando no meio dessa quadrilha-do-sem-fim muito contente, desempregado, desesperado, feliz, tirando as calças pela cabeça. É uma experiência única. Eu (bem) sei.
Com tantas boas notícias, hoje voltei pra casa refletindo se não foi uma atitude precipitada ter deixado a vaga de fotógrafa na agência de modelos. Por que eu me demiti? Pelos motivos de sempre. Graças à filosofia romântica e pouco prática de que os seres humanos devem trabalhar por paixão. Seu emprego não te faz feliz? Pedra nele. Princípio válido para tudo mais: suas pessoas, sua rotina, suas escolhas não te fazem feliz? Pedra em todo mundo, largue tudo e vá começar do zero fazendo outra coisa – tipo, vendendo jornal num semáforo. E pronto. Prática exaustivamente testada e aprovada com 100% de êxito até o dia de hoje – eu REALMENTE não esperava não estar à altura dos semáforos portugueses.
Entro em casa, abro a geladeira, fecho a geladeira, sento no sofá. A imagem da derrota. Não sei de onde veio essa lenda de que brasileiro, depois que vai pra Europa, fica metido. Fica nada. Fica é humilde. E muito mais tolerante. Nada como passar uma temporada sendo tratado como sub-raça pra entender o poder corrosivo de um preconceito.
Nossa, amei! Mesmo com toda essa situação, não perdeu o bom humor! É isso que importa. Tenho certeza que lembrará desse texto apenas como um bom texto, logo logo.
Abraço,
Vou agradecer a recomendação a Niege.
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Aff amiga…
Falta pouco p td ficar colorido p vc.
Bjs!
Bom carnaval!
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…. e eu aqui em África… Moçambique… ex colônia portuguesa… as coisas não são tam diferentes assim… boa sorte por ai!
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Mari só você faz graça desse jeito. Desculpa, mas eu ri demais!
E ó, é pedra mesmo em tudo! A vida passa rapidinho e tem que ser vivida com paixão, claro que as vezes a gente abre uma exceção, mas bem pequenina, só pra comer mesmo!!!
Um beijão querida e bom carnaval!!
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Acabei de chegar da facul… Sabe qual foi a disciplina apresentada hoje? Recrutamento & Seleção!
Bárbaro!
bj
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