“Vivemos num mundo que perdeu a visão. Em outras palavras, vivemos uma cegueira generalizada. Por exemplo, eu tenho uma pequena televisão e assisto-a sem enxergar. Mas há tantos clichês passando que não é preciso que eu assista para entender o que está sendo mostrado. Às vezes, verifico por telefone, telefono para alguém e digo o que eu acho que está passando na televisão. E eles me dizem: sim, tem razão, é esta cena mesmo que está acontecendo.
(…) É por isso que eu fotografo com as mãos, tenho que ter tudo perfeitamente organizado na minha cabeça antes de clicar e coloquei a câmera na altura da minha boca por quê é como eu ouço as pessoas falarem. O auto-focus ajuda, mas eu poderia viver sem ele. É muito simples. É só medir a distância com as mãos e o resto é feito pelo meu desejo interno de imagens. E eu posso fugir dos clichês. Eu sei que há sempre coisas que me escapam, mas que é verdade que isso também acontece aos fotógrafos que podem ver fisicamente. Minhas imagens são frágeis, eu nunca as vi, mas eu sei que elas existem. E algumas delas me tocam profundamente.”
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Texto e fotos de Evgen Bavgar, fotógrafo cego que vive em Paris.




Nossa!
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Simplesmente sensacional!
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Mari,
um dia eu ainda vou chorar lendo esses seus texto!
Abraço
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