Essa minha tara por flores é um grande lugar comum. Um clichê. Eu sei, eu sei.
E sempre penso no terrível efeito descritivo deste fato. Por exemplo, se alguém precisasse dar um definição rápida da minha personalidade: quem é Mariana? Ah, ela é uma moça que gosta de flores e tem um blog-diário na Internet – o interlocutor facilmente deduziria todo um perfil característico numa belíssima projeção de senso comum que. me dá. calafrios.
E eis que, pra piorar, sempre que isso acontece, me vem o ímpeto natural de me justificar. Explicar que não se trata necessariamente de um fetiche-pseudo-fofo-padrão, que os cravos são uma mutação fantástica, que as gérberas são o plástico antes do plástico, que a Teoria da Evolução de Darvin era só o início, que eu tenho algumas teorias e blábláblá. Mas, seguindo essa lógica, eu teria que me justificar por dezenas de outras coisas que eu gosto/pratico/cultivo e que são, sim, real motivo de constrangimento. Aliás, o número de coisas que eu curto/faço/faço-muuuuito e que não me orgulham tornariam esse tópico das flores uma irrelevância.
Então, né, justificativa é para os fracos. Vamos abstrair os efeitos colaterais, colocar os fones de ouvido e ser bem felizes postando mil fotos de girassóis incrivelmente amarelos. E pronto.
As práticas menos publicáveis a gente não fotografa, não posta, mas vai dando prosseguimento também.

Fotinhas tiradas no Bloemenmarkt, neste outono, 11 graus.


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