“Ela não podia olhar para seu pai quando ele tinha uma alegria. Porque ele, o forte e amargo, ficava nessas horas todo inocente. E tão desarmado. Oh, Deus, ele esquecia que era mortal. E obrigava ela, uma criança, a arcar com o peso da responsabilidade de saber que os nossos prazeres mais ingênuos e mais animais também morrem. Nesses instantes em que ele esquecia que ia morrer, ele a tornava a Pietà, a mãe do homem.”
(Clarice Lispector / A Proteção Pungente)
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(Salvador, 13 de julho de 2007, 29 graus. Passo a passo: cartolina preta + abajur + Pietà em gesso 10cm + máquina fotográfica + madrugada insone e ociosa)

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