Eu não tenho ideia de como funciona uma lâmpada. Quer dizer, conheço uma explicação superficial sobre correntes elétricas, mas ligo a luminária todos os dias sem fazer maiores questionamentos. É assim com a torneira, com o forno, com o rádio. Quase tudo que eu faço no meu dia é confiar que as coisas simplesmente vão funcionar.
Não saio de casa refletindo sobre o quanto a minha vida depende do perfeito desempenho do freio do carro, do cabo do elevador, do encanamento de gás. Parto do princípio que os outros – profissionais, técnicos, humanos imperfeitos – fizeram corretamente o seu trabalho. Delego a minha segurança a essas pessoas que eu não conheço nem vou conhecer.
Confio num engenheiro desconhecido cada vez que atravesso uma ponte. Confio num cientista desconhecido cada vez que tomo um remédio. Mas, não sei por quê, nem sempre confio no fluxo do universo.
Acho que a vida humana resume-se em desconhecer o mecanismo dos próprios cotovelos, em aceitar milhares de engrenagens desconhecidas, mas ficar aflito questionando os mecanismos de Deus.
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