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Archive for the ‘choro baldes (arte)’ Category

Sim, eles possuem.

Beatles – Alguém. vai. questionar?

Queen – Vai? Só checando.

Elvis Costello – Não, ninguém vai questionar.

Adele – Anos atrás, só eu e meia dúzia de privilegiados apreciávamos. Depois, no Brasil, degringolou para trilha de novela, toque de celular, versão em Arrocha e outros sacrilégios. Maldita democratização cultural.

Muse – Tipo uma Legião Urbana do trópico norte. Só ficam devendo as letras do Renato. Saiba mais aqui.

Câmera Obscura – Daquelas bandas que, daqui a cinco anos, também vai virar trilha de novela e matar a gente de desgosto. Aproveite enquanto há tempo aqui.

Keane – Ai, acho tudo tão chorááável.
Se jogue na fossa por esse buraco aqui.

Snow Patrol – Garçom, mais uma dose. Mais duas. Senta aqui comigo, garçom.
Senta e ouve isso aqui também.

Radiohead – Avacalhando com o precário programa de manutenção da minha dignidade desde 2006.

Coldplay – É uma espécie de hino do Velho Mundo. Deviam fabricar notas de euro com a saudação “Viva la vida“.

Temos também os de sempre: Led Zeppelin, Pink Floyd, The Police, Oasis, Rolling Stones, The Smiths, Amy Winehouse (que eu citei aqui) e muitos e muitos outros.

Todos britânicos? É a lei da compensação. Acho que valem os graus negativos da Grã-Bretanha. E as sopas de nabo. E os ataques terroristas. E uns dez mil litros de chá das cinco.

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(Jean Pierre Houël / Tomada da Bastilha)

“E, às vezes, penso que a supressão da personalidade individual é o que se deve desejar, não o status de herói, uma espécie de extinção do indivíduo na História. Todo o registro da raça humana foi falsificado, foi criado por maus governos à sua conveniência, por reis e tiranos para lhes dar um bom nome. Essa ideia de História feita por grandes homens é bastante absurda quando se olha do ponto de vista do povo. Os verdadeiros heróis são aqueles que resistiram aos tiranos e está na natureza da tirania não só matar os que se lhe opõem como apagar seus nomes dos registros, para que a resistência pareça impossível. Camille, a história é uma ficção.”

(Hilary Mantel / A Sombra da Guilhotina)

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“E, por fim, há ele. As pessoas se sentem enaltecidas, crescidas em sua presença. Ele não é um daqueles egotistas que miniaturizam os outros. É o tipo oposto, impelido pela grandiosidade, e se insiste numa versão sua mais engraçada e estranha, mais excêntrica e profunda do que você imagina, fica quase impossível não acreditar, pelo menos na presença dele, que ele é o único que enxerga a verdadeira essência, que pesa as verdadeiras qualidades e que aprecia você de uma forma muito mais completa do que qualquer outra pessoa jamais o fez. É só depois de conhecê-lo melhor que se começa a perceber que, para ele, você é uma personagem essencialmente fictícia, alguém por ele investido de capacidades quase ilimitadas, não porque essa seja sua verdadeira natureza, mas sim porque ele precisa viver num mundo povoado por figuras extremas e poderosas. Algumas pessoas romperam relações com ele para não ter de continuar como figurantes do poema épico que ele não para de compor na cabeça. Outros, no entanto, sentem prazer no sentido de hipérbole que ele traz para suas vidas, acabam dependendo dela, da mesma forma como dependem de café para acordá-las de manhã e de um ou dois drinques para adormecer à noite.”

(Virgínia Woolf / As Horas)

(Foto: 15 de setembro de 2009)

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(Santa Apolônia, Lisboa, 04 de janeiro de 2011)

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“Todos compartilhavam uma sensação fantástica de que estávamos fazendo algo correto, mesmo sem saber o que era. Sentíamos que estávamos vencendo. E acho que essa foi a armadilha – essa sensação de vitória inevitável sobre as forças do antigo e do maligno. Não num sentido cruel ou militar: não precisávamos disso. Nossa energia simplesmente prevaleceria. Lutar não fazia sentido – tanto no nosso lado como no deles. Aquela era a nossa hora. Estávamos na crista de uma onda imensa e linda. E agora, menos de cinco anos mais tarde, basta subir um morro íngreme em Las Vegas e olhar para o Oeste com a predisposição adequada para quase enxergar a marca da maré – o lugar onde aquela onda enfim quebrou e se retraiu.”

(Hunter Thompson / Medo e Delírio em Las Vegas)

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“O pior é que ela está inteiramente adaptada a esta sociedade. É impossível tentar libertar uma mulher que nem percebe que é prisioneira!”

(Martin Scorsese/A Época da Inocência)

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Alguém pode me explicar?

O bom e velho papel de carta erguendo-se da tumba décadas depois? Só um efeito de dessaturação + lomografia + frases adolescentes? O resultado é uma série de cartões com layout cafona e meio brega (o que agradou muito ao público por aqui, é claro. Cafona e brega? oi, prazer) e eu escolhi alguns bonitinhos para colorir esta quarta-feira em que, para minha completa surpresa, não fui contemplada com os 2 milhões da Mega da Caixa. Dá pra acreditar?

Cho. ca. da.

Essa vida é cheia de imprevistos.

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Este foi o livro de abril. Trechos do romance de Hesse:

“Desprezava conscientemente a burguesia e vivia orgulhoso de não pertencer a ela. Contudo, sob muitos aspectos, vivia inteiramente como burguês, tinha dinheiro no banco, ajudava alguns parentes pobres, vestia-se sem cuidados particulares mas de maneira decente e sem chamar a atenção; procurava viver em paz com a polícia, os coletores de impostos e outros poderes semelhantes. Mas além disso sentia forte e secreta atração pela vida burguesa, pelas tranqüilas e decentes residências familiares com seus bem cuidados jardins, suas escadas reluzentes e sua modesta atmosfera de ordem e decoro. Agradava-lhe ter pequenos vícios e extravagâncias, sentir-se antiburguês, esquisitão ou gênio, mas nunca fixava residência onde não existisse nenhuma classe da burguesia. Não se encontrava à vontade em meio de pessoas violentas e atrabiliárias, nem entre delinqüentes e criminosos, mas antes procurava sempre viver em meio à classe média, com cujos hábitos, normas e atmosfera estava bem familiarizado, embora pudesse ter contra elas revolta e oposição. Além disso, fora educado em meio à pequena burguesia e dela conservara um grande número de idéias e noções. Teoricamente nada tinha em contrário à prostituição, mas na prática não seria capaz de levar uma prostituta a sério ou considerá-la realmente sua igual. Aos criminosos políticos, aos revolucionários ou aos sedutores espirituais, podia amá-los como se fossem seus irmãos, ou respeitar o estado e a sociedade, mas não saberia como tratar um ladrão, um criminoso ou sádico, a não se demonstrando por eles uma compaixão eminentemente burguesa.

(…) O “burguês”, como um estado sempre presente da vida humana, não é outra coisa senão a tentativa de uma transigência, a tentativa de um equilibrado meio-termo entre os inumeráveis extremos e pares de opostos da conduta humana. Tomemos, por exemplo, qualquer dessas dualidades, como o santo e o libertino, e nossa comparação se esclarecerá em seguida.  (…) nunca será mártir nem consentirá em sua destruição, mas, ao contrário, seu ideal não é a entrega, mas a conservação de seu eu, seu esforço não significa nem santidade nem libertinagem, o absoluto lhe é insuportável, quer certamente servir a Deus, mas também entregar-se ao êxtase, quer ser virtuoso, mas quer igualmente passar bem e viver comodamente sobre a terra. Em resumo, tenta plantar-se em meio aos dois extremos, numa zona temperada e vantajosa, sem grandes tempestades ou borrascas, e o consegue ainda que à custa daquela intensidade de vida e de sentimentos que uma existência extremada e sem reservas permite.

(…) E, todavia, a burguesia vive, é forte e próspera. Porquê? A resposta é a seguinte: por causa dos lobos da estepe. Dos inadaptados. O burguês queima hoje por herege e enforca por criminoso aquele ao qual amanhã levantará estátuas.”

(O Lobo da Estepe / Hermann Hesse)

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“A negra ia apanhando o tabuleiro. Henrique ajudou-a a botar as latas vazias em cima. Ela perguntou:
– Você sabe qual é a coisa mais melhor do mundo?
– Qual é, minha tia?
– Adivinhe.
– Mulher…
– Não.
– Cachaça…
– Não.
– Feijoada…
– Não sabe o que é? É cavalo. Se não fosse cavalo, branco montava em negro…”

(Jorge Amado / Suor)

 


(11 de fevereiro de 2012, Casa de Jorge Amado, Salvador, Bahia, 29 graus)

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