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o A foto que melhor define 2011 é esta aí acima, da Maryann Gromit. A melhor frase do ano foi da Dilma: “É verdade, eu sou uma mulher dura cercada de homens meigos”. A música que mais tocou foi da Adele: Rolling in the Deep. E a melhor notícia foi eu ter passado no doutorado só quando já não fazia sentido nenhum passar no doutorado – o divino tem senso de humor, cabe reconhecer.
Acho que tentar definir o que está acontecendo é sempre como abrir o liquidificador enquanto a vitamina está sendo feita – voa abacate pra todo lado. O ano ainda nem acabou, mas o balanço já pôde concluir que… ele não vai acabar mesmo. 2011 foi a véspera de alguma outra coisa. Só pode ser isso.
Este ano, eu abandonei quase por completo o uso de redes sociais (aplausos, gente) e abandonei também algumas apostas afetivas que já estavam meio perdidas mesmo. Ah, foi o ano do desapego. Se ele se arrastasse por mais duas ou três semanas, ia terminar comigo me desapegando da roupa do corpo e rasgando dinheiro em nome de Alá.
Durante o período, não trabalhamos com foco, obstinação, perseverança e demais conceitos caros ao RH. Telefones não tocaram, projetos não se concretizaram, diálogos necessários se diluíram em – oi? como vai? será que vai chover? – de uma forma tão demente que Freud não explica. Tomates em mim.
Por isso, para o próximo, eu desejo de todo coração que o universo conspire para dias mais conclusivos. E eu pretendo ler mais, por que tem um momento na vida em que você decide que não quer ser uma fraude. Eu poderia mentalizar também promessas que incluíssem rotinas de estudos acadêmicos (não possuímos) e exercícios físicos (não trabalhamos), mas decidi focar nos desejos possíveis. Um celular que funcione, por exemplo. Decorar o número do próprio RG. Pedir desculpas. Usar meias de algodão. Nada como ter metas na vida, veja bem.
A verdade é que a gente espera por um ano mais generoso – exije, implora – por que 2011 foi cinza demais. Chega dessa feijoada de soja, não é mesmo? É mais que justo que todos os palpites/promessas/previsões para este novo ano se concretizem, depois de tanto tempo sendo anunciados: que o nosso poder de compra se eleve em 12%, que Salvador finalmente ganhe um metrô e que o mundo se acabe. Ou não. Mas ficar batendo neste liquidificador interminável por mais doze meses está fora de cogitação.
2012, não vacile. Ou você se resolve por bem, ou vai voar abacate para a década inteira, meu caro.
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