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Archive for the ‘choro baldes (arte)’ Category

Metas


– A minha meta é ganhar um milhão de dólares.
– E a minha é gastar um milhão de dólares.

(Mauro Lima/Meu nome não é Johnny)

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Baldio

Vira-lata, baldio, surrado. Acho que só quem também anda meio perdido na vida reconheçe esse olhar, assim, fácil… rs.

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“- Se você não tivesse vindo – ele disse – não teria me visto nunca mais.

Meme sentiu o peso da sua mão no joelho e soube que ambos chegavam naquele instante ao outro lado do desamparo.

– O que me choca em você – sorriu – é que sempre diz exatamente o que não deveria dizer.”

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(Gabriel Garcia Márquez / Cem Anos de Solidão)

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Esse livro conta sobre um grupo de amigos que se reencontra trinta anos depois. Todos à beira dos sessenta, reunem-se numa festa na casa de uma das senhoras. O narrador vai mudando de personagem como um grilo da consciência que pulasse de ombro em ombro dando voz aos pensamentos de cada um – a amizade, o medo da morte, a sombra do pós-guerra. O nome da anfitriã é Clarissa Dolloway. Os nomes dos convidados… não vem ao caso.

O filme As Horas (2002), inspirado nesse livro, não narra a mesma história. O filme conta o laço fictício entre três mulheres que viveram em épocas diferentes: a escritora (Virgínia Woolf), a personagem protagonista desse romance (Clarissa) e uma leitora (Laura). Cada uma com sua personalidade, suas características.

Já o livro original concentra tudo numa pessoa só. Na personagem completa, a senhora indefectível, a dona da festa. A melhor heroína de Virgínia Woolf. Acho que toda mulher queria ser um pouco Mrs. Dalloway.

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“Importava mesmo que tivesse que desaparecer um dia, inevitavelmente? Tudo aquilo continuaria sem ela. Sentia-o? Ou seria um consolo pensar que a morte acabava com tudo absolutamente? Ou, de qualquer maneira, pelas ruas de Londres, no fluxo e refluxo das coisas, talvez sobrevivesse, Peter sobrevivesse, talvez um no outro, ela fazendo parte, estava certa, das árvores da casa. Daquela casa ali, tão feia, toda caindo em pedaços como estava. Juntando uma parte da gente que nunca havia se encontrado.”

“Tenho alguma coisa em mim, pensou, parado junto a caixa postal, que podia dissolver-se agora em lágrimas.”

“Considerando aquela longa amizade de quase trinta anos, dir-se-ia confirmada a teoria de Clarissa. Por breves que fossem os reais encontros, breves, acidentados, até constrangedores, com todas as suas ausências e interrupções, o efeito que haviam tido na vida dele era, de fato, incomensurável. Havia um mistério naquilo. Clarissa o influenciava mais do que qualquer pessoa conhecida.”

“O jantar, as pessoas, tudo aquilo não era mais do que um cenário para Sally. Mas nada é tão estranho, quando se ama (e que era aquilo senão amor?) como a completa indiferença dos demais.”

“Assim como num dia de verão as ondas se juntam, se levantam e caem; e o mundo inteiro parece estar a dizer “é só isto”, cada vez com mais veemência, até que o próprio coração no interior do corpo deitado ao sol na praia diz também: é só isto. Não tornes a ter medo, diz o coração.”

“- Eu também vou – disse Peter, mas deixou-se ficar sentado, um momento. Mas que terror é esse? Pensou consigo. Que êxtase me vem? Que é que me enche de tão extraordinária excitação? É Clarissa, descobriu. Pois ela ali estava.”

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(A Última Festa / Marleen Gorris, outro filme também inspirado em Mrs. Dolloway)

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Rick’s feeling

(Michael Curtiz / Casabanca)

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Acho que o cara que dirige filmes como 21 Gramas (2003), Babel (2206) e, agora, lança Biutiful (2011) devia parar de fazer cinema e procurar um psicólogo. Sério. Não, os filmes não são maus, eles são até muito bons, mas, céus, Alejandro González Iñárritu precisa de ajuda. Salvem o Alejandro, gente.

Esse último longa se passa em Barcelona e aborda imigração e morte. E acho que eu não passaria indiferente pela história por quê 1) há um mês que eu voltei de Barcelona, 2) sim, há pessoas falando com os mortos nos lugares e tal e 3) dentro das devidas proporções, aquele cenário de subemprego + imigrantes + colchão no chão = algo ligeiramente familiar.

Mas isso é detalhe. O que arraza mesmo qualquer espectador é a mesma fórmula de Babel: o caos. Não há um vilão, cada um está certo dentro da sua ótica e o grande culpado de tudo é… sei lá, a vida, a sociedade, a natureza humana, qualquer destes substantivos abstrados e inevitáveis. Enfim, não vou fazer uma resenha da história, é só um apelo. Por que existem filmes tristes, existem filmes dramáticos, mas os roteiros deste diretor são di.la.ce.ran.tes. São sempre apocalípticos, claustrofóbicos, profundos, transtornados, meu Deus, façam alguma coisa: esse homem precisa procurar ajuda psicológica!

Sempre saio dos filmes dele pensando nisso. Ou pensando em fazer o mesmo.

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“Quando penso desse jeito, nesta cidade daqui, Dudu, você nem sabe como me dá uma vontade doida, doida de voltar. Mas não vou voltar. Mais do que ninguém, você sabe perfeitamente que eu nunca mais posso voltar. Pensei isso com tanta certeza que cheguei a ficar meio tonto, a mão escorregou e fez esse borrão aí do lado, desculpe. Eu apertei as duas mãos contra a folha de papel, como se quisesse me segurar nela. Como se não houvesse nada embaixo dos meus pés.

Você não sabe, mas acontece assim quando você sai de uma cidadezinha que já deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda não começou a ser sua. Você sempre fica meio tonto quando pensa que não quer ficar, e que também não quer – ou não pode – voltar. Você fica igualzinho a um daqueles caras de circo que andam no arame e de repente o arame plac! ó, arrebenta, daí você fica lá, suspenso no ar, o vazio embaixo dos pés. Sem nenhum lugar no mundo, dá para entender?

Ando tão só, Dudu.”

(Caio F. / Uma praiazinha de areia bem clara, ali, na beira da Sanga)

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Estas são desse site aqui.

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“E se acaso distraído eu perguntasse ‘para onde estamos indo?’ – não importava que eu alçasse paisagens muito novas, quem sabe menos ásperas, não importava que eu, caminhando, me conduzisse para regiões cada vez mais afastadas, pois haveria de ouvir claramente de meus anseios um juízo rígido, era um cascalho, um osso rigoroso, desprovido de qualquer dúvida: ‘estamos indo sempre para casa’.”

(Raduan Nassar / Lavoura Arcaica)



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“Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem. É um cogumelo.”

(Antoine de Saint-Exupéry / O Pequeno Príncipe)

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