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Archive for the ‘havaiana de pau (day life)’ Category

Flocos

Dia de reunião de pauta sempre me lembra o drama-infantil-da-escolha-do-sorvete. Eu sei que você também já passou por isso. Acho que é uma espécie de rito de passagem ocidental: quando os pais escolhem um belo domingo de sol para levar seus filhos a uma sorveteria. Eles entram numa grande fila, apontam para uma tabuleta e dizem: “vai escolhendo o sabor enquanto não chega a nossa vez”. E pronto.

A criança vai ficar durante dez minutos olhando para aqueles 100.000 sabores, para todas aquelas possibilidades, e tem que escolher apenas um. E renunciar aos outros 99.999. A fila chegando ao fim, os pais impacientes perguntando “e aí? do que você quer?” e o coitado lá, torturado, angustiado, com o coração apertado, responde aleatoriamente: quero flocos.

FLOCOS.

De um universo de tantas escolhas possíveis, qual você quer? A mais sem graça, por favor. E vai do balcão para a mesa olhando em volta, vendo as outras crianças com cascalhos absolutamente coloridos, um mundo de opções desperdiçadas, assunto para anos de divã.

Não sei dizer quantos psicopatas a sociedade já produziu graças a este tipo de trauma – aonde está a Unicef que não se manifesta? – o fato é que toda reunião de pauta sempre me parece uma espécie de sorveteria onde minha mãe me perguntaria “do que você quer?” – entre as infinitos fatos interessantes que acontecem no planeta simultaneamente a cada minuto, você vai querer escrever sobre qual?

Eu não sei. E eu sofro. Penso nas possibilidades, teorizo, mordo o cotovelo e peço… flocos.

Rs.

É isso. Para quem decidiu passar a manhã escrevendo sobre a TECNOLOGIA UTILIZADA NA PRESTAÇÃO DE CONTAS DOS IMPOSTOS ARRECADADOS POR MUNICÍPIOS DE PEQUENO PORTE, bom dia.

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– É cilada, bino!

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Beijo pra todo mundo que perde tempo me falando de problemas que eu não posso resolver. Para o povo que escreve e-mails, cartas, que bate na porta do Borba Gato ou faz DDI no meio da madrugada chorando litros por dores que eu não posso sanar, né, por que eu nunca tenho solução para nada. Mas hoje eu quero mesmo mandar um beijo para quem, por qualquer motivo, não seguiu fluxo natural das coisas – esse fluxo inevitável que leva a gente a se encontrar e se dispersar como bolinhas de gude pelas valetas do mundo – e sempre tem algum motivo urgente para ligar, chegar e já vir abrindo a geladeira e o coração como se estivesse em casa.

E estão.

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É isso. Ainda tem colo, ombro e crepe no fogão. Beijo pra vocês.

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“O lar de uma pessoa é como um delicioso pedaço de torta que você pede no restaurante de uma estradinha campestre em uma noite agradável — o melhor pedaço de torta que você já comeu na sua vida — e que nunca mais encontra de novo. Depois que você sai de casa, pode sentir saudades do lar, mesmo se estiver numa casa nova que tem um belo papel de parede e uma lava‑louças mais eficiente que a da casa em que você cresceu, e não importa quantas vezes a visite poderá nunca realmente se curar da sensação palpitante de saudades no seu peito. A saudade do lar pode atacar até quando você ainda está vivendo no seu lar, porém é um lar que mudou com o passar dos anos, e você sente falta do tempo — mesmo se esse tempo só existiu na sua imaginação — em que o seu lar era tão delicioso quanto na sua lembrança. Você pode procurar na sua família e na sua mente — assim como pode procurar em estradinhas campestres escuras e sinuosas — tentando recapturar a melhor época da sua vida, para poder curar a sua saudade do lar com um segundo pedaço daquela torta de um sonho distante, mas a sua busca terminará em vão, pois você perdeu o mapa que lhe dizia onde virar, e o restaurante pegou fogo há muito tempo, e a cozinheira que fez a torta se cansou de esperar por você e em vez disso dedicou a vida a fazer massa de tomate, mas ela não é muito boa nisso, e agora você está perdido na vida, as trevas se fecham sobre você, sem nada a não ser uma palpitação triste no peito e um gosto amargo na boca.”

(Lemony Snicket / Raiz-Forte)

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Imparcialidade é um dom dos amigos. Escreva isso, memorize, tatue no braço. Toda vez em que você – indivíduo dotado de razão, inteligência e sagacidade – estiver prestes a emitir um parecer sobre qualquer assunto – importante, desimportante, aleatório – avalie seriamente o contexto em questão. Se ele for desfavorável, não opine. Sorria, mude de assunto, comente sobre, sei lá, futebol. 

Por exemplo, se você tem ou teve um papel afetivo na vida de alguém – namorada, ex, quase-futura, anywhere – presume-se que você estará sempre, em todas as situações, falando em causa própria. Se você namora, namorou, ficou, teve uma paixão platônica, piscou o olho para o cidadão na quarta série do primário, pronto, perdeu o cérebro. Desista de opinar.

Nem tente alertar o cavalheiro de que certo amigo dele não é confiável – ah, é competição – nem avisar que a colega dele está cometendo desfalques – é ciúme – nem comentar sobre o quanto aquela escolha profissional pode ser desvantajosa – isso é dependência, insegurança, medo que o cara faça sucesso, fique rico, pire na batatinha e vá morar no Ubequistão. 
 
O mocinho nunca cogita que você – obviamente, um poço irracional de carências e emoções – esteja só e apenas tentando ajudar. Que o seu senso de observação não ficou irremediavelmente turvado pelas intempéries afetivas e que o seu único intento é oferecer uma informação útil sobre um assunto que, provavelmente, nem te interessa.

Toda vez que eu me vejo com vontade de pegar um deles pelo colarinho, aplicar umas ruidosas bolachas e entoar o mantra – DEIXE DE SER OTÁRIO, MEU FILHO – eu lamento não ser apenas uma conhecida. Entre amigos, a técnica funciona. Entre amores, fale apenas sobre futebol.

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Hoje eu estava pensando: o Orkut está sendo sucateado e, se ele for mesmo substituído pelo Facebook, eu terei que migrar pra lá e serei obrigada a abandonar todas as minhas comunidades – tenho preocupações muito relevantes, vejam bem.

É que, no Facebook, não há comunidades. E ainda não inventaram forma mais prática de identificar afinidades entre recém-conhecidos. Por exemplo, eu sou apresentada a uma média de cinco pessoas por semana – no meu mundo ideal, todo mundo teria suas comunidades descritas no RG!

Enquanto o número de spams no Orkut avança para a demência, o êxodo galopa para o irreversível e eu começo a me sentir sozinha por que o povo está guardando seus brinquedos e indo embora do play, decidi reunir as dez comunidades mais legais da rede para apresentar para vocês – um desses louváveis trabalhos de biólogo que cataloga as espécies antes da extinção:

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   1. Ar de violonista decadente – De quem já tocou a última música e agora agoniza esperando o cortejo fúnebre de sua morte ser embalado por outro violino sussurando aos prantos a dor da perda.

   2. Comunidade do eu sozinho – Essa comunidade é só minha. Saia por favor.

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 3. Pessoas loucas que sugem – Do. na. da.

 

4. Discutindo com classe – Só queria te dizer que eu te odeio, que sua presença me faz mal, você é repulsivo, irritante, metido e arrogante…  Se me ver novamente me ignore, não dirija a palavra a minha pessoa, estamos entendidos? – EU VOU MATAR VOCÊ!!!!! – Ok, mas agora preciso ir, beijosmeliga.

 5. Estado civil: desinteressado – bode das pessoas, preguiça de conversinhas sem nenhuma capacidade mental e/ou intelectual, indiferença, tanto faz, apatia, não tô em casa nem tenho celular: não quero.

6. Amigos que confundem os pais – Qual o nome daquele seu amigo que eu vi ontem com você? – Aquela era a Dô, namorada do Ronald. – Hummm, e quem era aquela loira com com vocês? – Era o Ronald.  – (Medo de fazer mais perguntas…)

  7. Não tô em casa – Hey… você ta ai? Tereza? eu sei que você tá aí… o porteiro falou… vai Tereza… tô vendo sua sombra por de baixo da porta, idiota… Tereza… abre logo… acabou a graça… tô vendo seu olho no olho mágico, porra… TEREZA!! ok… então não abre… me deixa aqui fora. Abre logo… porra, Tereza, abre, tô com frio… CARALEO!! – (Mãe, fala que eu não tô).

  8. Abandono crianças no supermercado – Senhora Claudete, sua filha a aguarda no atendimento ao cliente. (5 minutos depois…) Senhora Claudete, sua filha a aguarda no atendimento ao cliente. (10 minutos depois…) Senhora Claudete, sua filha a aguarda no atendimento ao cliente. (20 minutos depois…) Senhora Claudete, sua filha… –  Se livrando de estorvos e movimentando a economia local.

  9. Hoje eu tô fácil – Aproveite a grande oportunidade da sua vida.

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10. Essa amnésia é que… – que… é… hum… oi, tudo bom?

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Eu também não sei como vou viver sem elas.

Um minuto de silêncio, por favor.

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E aí que estava eu passando pelo shopping disposta a comprar um celular por que o meu aparelho lusitano foi acometido de banzo e mooooorreu. Minha única exigência era que o novo tivesse toque polifônico (e até fui informada que este meu sonho de consumo está defasado, a moda é ter toque com mp3). Entro numa loja e pergunto o preço de um aparelho aleatório. O vendedor responde educadamente. Depois, com muita discrição, ele se aproxima e fala baixinho:

– Leve isso não.
– Hum?
– Não presta, leve não.

Tá, né? Continuo de bobeira no shopping até o horário da minha consulta com o oftamologista. Sim, eu tô ficando cega, não enxergo nada, vou morrer. O médico me atende, ouve as minhas lamúrias, me examina e, no lugar da receita, ele escreve num papelzinho: pegue seu dinheiro de volta com a secretária.

– Como assim, doutor?
– Sua visão é perfeita. Pegue seu dinheiro de volta e pague um psicólogo.

Ok. Depois de ser chamada de louca pelo meu médico, eu até fiquei feliz de reembolsar 200 reais e voltei para o shopping para comprar meu celular. E reencontro uma conhecida que também havia passado um tempo fora da cidade e quis saber tudo o que aconteceu nos últimos anos: quem formou, quem casou, quem morreu, quem comprou uma bicicleta. E quis saber de mim também:

– E como está sendo a readaptação?
– Bacana. Só é difícil essa sensação de ter que reconstruir tudo, de começar do zero.
– Mas reconstruir oquê? Você não tinha nada, né?

Fato.

Vale dizer que esse encontro levou uma meia hora, tempo em que o shopping fechou, não comprei o celular, não curei a minha cegueira e voltei pra casa com essa cara aqui: 

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Yehhhh.

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01 – O inferno é quente, mas Salvador…

02 – Você nem notava isso, mas o baiano é fofo –  Posso pegar essa cadeira? – Ô, binha, pega! Tem nada não, nega, relaxa.

03 – Gente que você esperava reencontrar correndo em câmera lenta para abraços emocionados nem dá o ar da graça. Gente que você não sabia que lembrava da sua existência te aguarda com festa e bandinha tocando no coreto. Tudo acontece diferente do planejado, tudo é melhor do que o planejado e, em 24 horas, nem você consegue mais lembrar do que tinha planejado.

04 – Te obrigam a contar as mesmas histórias de viagem mil vezes para cada novo grupo que você encontra (e lá vou eu contar de novo do queniano que matou e comeu o cachorro dele na minha frente e da noite em que me trancaram do lado de fora do albergue e blábláblá, gente, pra quê eu tenho um blog, hein?).

05 – Ninguém te avisa que os preços triplicaram. E a pessoa sai de casa com três reais no bolso, disposta a comprar um shampoo na farmácia. E volta em estado de choque, sem shampoo nenhum, seus três reais na mão e a cara de quem ouviu as trombetas do apocalipse.

06 – As crianças que você conheceu viraram adolescentes, os adolescentes que você conheceu viraram adultos e você, que já era adulto antes de viajar, deduz que virou um distinto senhor no auge da senilidade.

07 – Num dado momento, você soma o número de amigos que se formou, se casou, batizou herdeiros ou promoveu festividades aleatórias nos últimos tempos, divide pelo número de dias em que esteve ausente e calcula o quão dispensável é a sua existência neste planeta.

08 – Você descobre que os problemas que você não resolveu continuam lá. Fatos/pessoas/impostos que você ignorou e nem lembrava mais que existiam levantam de seus túmulos com suas cabeças debaixo do braço e, tipo assim, terrorrrr!

09 – Seu telefone toca muito. Metade das pessoas reclama por que você demora de atender, a outra metade reclama porque seu telefone está tocando de novo. E você reclama… sei lá, do calor.

10 – Para cada três restaurantes que você sugere para o jantar, dois não existem mais.

11 – Cada vez que sua família se reúne para conversar banalidades, você se emociona com a cena e tem vontade de chorar.

12 – O apresentador do jornal da TVE está na Globo, o da Globo está na Band e o da Band virou estilista.

13 – Ninguém consegue te explicar o que aconteceu com a Rótula do Abacaxi.

14 – Não fabricam mais nota de dois reais (ohhhhh!).

15 – Você, que pensava em voltar a viajar, já não sabe se consegue, outra vez, viver longe disso tudo.

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Balanço

Acho que esse foi um ano bom por que eu aprendi a fazer sushis e temakis, apesar de continuar sem saber fritar um ovo (eu sou dada a conhecimentos supérfluos, garante a oposição). Foi bom por que eu terminei o mestrado, escrevi algumas matérias legais e decorei a casa: pintei a parede de amarelo, a estante de rosa e o guarda-roupas de cobalto. Este ano eu conheci umas dez pessoas realmente incríveis e passei mais tempo na estrada do que em casa. Foi um ano bom.

Mas que termina como começou: sem grana, sem emprego, sem carro, sem nenhuma certeza quanto ao destino da minha existência sobre a Terra. E, às vezes, isso me preocupa. Ainda que meus parâmetros de felicidade sejam quase sempre muito acessíveis: meia dúzia de amigos, meia dúzia de livros, um trabalho minimamente remunerado, um relacionamento minimamente recíproco e um pacote de biscoito Bono. Sendo que, na falta do resto, eu costumo me virar relativamente bem com o pacote de Bono.

E, hoje, eu pensei: faltam dez dias pra virar o ano. Foi um ano bom. Estranhamente, meu desejo para 2011 é que ele não seja 2011. Que ele seja um longo e belo 2010 que nunca terminou.

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Domingo

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Foto feita agora de tarde, perto de casa, com a Nikon.

Sim, meu bairro é lindo, eu sei, eu sei.

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Essa minha tara por flores é um grande lugar comum. Um clichê. Eu sei, eu sei. 

E sempre penso no terrível efeito descritivo deste fato. Por exemplo, se alguém precisasse dar um definição rápida da minha personalidade: quem é Mariana? Ah, ela é uma moça que gosta de flores e tem um blog-diário na Internet – o interlocutor facilmente deduziria todo um perfil característico numa belíssima projeção de senso comum que. me dá. calafrios.

E eis que, pra piorar, sempre que isso acontece, me vem o ímpeto natural de me justificar. Explicar que não se trata necessariamente de um fetiche-pseudo-fofo-padrão, que os cravos são uma mutação fantástica, que as gérberas são o plástico antes do plástico, que a Teoria da Evolução de Darvin era só o início, que eu tenho algumas teorias e blábláblá. Mas, seguindo essa lógica, eu teria que me justificar por dezenas de outras coisas que eu gosto/pratico/cultivo e que são, sim, real motivo de constrangimento. Aliás, o número de coisas que eu curto/faço/faço-muuuuito e que não me orgulham tornariam esse tópico das flores uma irrelevância.

Então, né, justificativa é para os fracos. Vamos abstrair os efeitos colaterais, colocar os fones de ouvido e ser bem felizes postando mil fotos de girassóis incrivelmente amarelos. E pronto.

As práticas menos publicáveis a gente não fotografa, não posta, mas vai dando prosseguimento também.

Fotinhas tiradas no Bloemenmarkt, neste outono, 11 graus.

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