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Archive for the ‘havaiana de pau (day life)’ Category

Pilhas de matérias pra escrever, trabalhos para entregar e o meu computador enlouqueceu. Mentira, o computador é até novo e muito digno, mas a minha mente estagnou lá no windows 1975 e nada acontece. Tipo assim, o que significa “este arquivo não é seguro, desconecte imediatamente”? Algo tipo: “isso é normal, estamos trabalhando para melhor servi-lo” ou “eita, porra, danou-se tudo, desliga que vai estourar”?
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E uma vozinha obscura responde lá do meu íntimo: tan. to. faz.
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Já que, sendo uma coisa ou outra, eu vou ter que reinstalar tudo mesmo (me chicoteiaaaa, Senhooooor!), vamos gastar estes minutos ociosos apreciando as ilustrações desse blog aqui.

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Me empolguei com esses layouts que o cara fez para ilustrar as próprias idéias. Cada frase, um banner. Cada dia, uma imagem. E já estava até pensando em arranjar umas imagens de arquivo e, sei lá, bolar um banner legal para ilustrar o meu dia de hoje, mas…

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… né? deixa pra lá.

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Tudo que eu precisava nessa semana de derrocada financeira e crise existêncial é que os pedreiros da rua implicassem com a minha casa. Claro. Sabe quando você já acorda desejando que todos os seres humanos que se dirijam à sua pessoa implodam subitamente e virem purpurina antes de pronunciarem a primeira palavra? Não? Hum. Esquece.

É que o edifício da frente está em obras e a vizinhança começou a reclamar do barulho que os trabalhadores (brasileiros) faziam durante o dia. Não do ruído das máquinas, mas do bate-papo mesmo. As queixas foram ignoradas e eles poderiam continuar incomodando a rua inteira indistinta e democraticamente, certo? Mas nããão. Os vizinhos fizeram o favor de comentar com o grupo que, naquela casinha branca ali, mora uma conterrânea deles. E eis que a dona da casinha branca nunca mais teve paz. Por que é só ser vista cruzando a esquina para a população dos andaimes começar a cantar os piores hits dos baixos trópicos em sua homenagem. E toda vez que a discreta imigrante sul-americana sai pra estender a roupa ou jogar o lixo fora ou comparecer à faculdade, tem direito a um coral-Glee-do-triângulo-mineiro entoando no último volume “seu guarda eu não sou vagabuuundo, eu não sou delingueeente, sou um cara careeente” ou “eu me apaixonei pela pessoa erraaaaada, que nem sabe o quanto que eu estou sofreeeeendo”.

Queridos, tipo assim, SOFRO EU.

Como explicar à humanidade que eu não nasci no mesmo país dos ouvintes de Belo? Que eu nunca habitei o mesmo planeta dos fãs de Perla? Não se explica. E a minha reputação mandou lembranças.

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(pausa para reflexão)

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Ok, tudo bem, acho que estou sendo injusta com o povo da obra. Eles são simpáticos e provavelmente nada disso estaria me irritando se eu não tivesse passado o mês inteiro dentro de casa. É que eu larguei o emprego. De novo. Mas é importante esclarecer que, dessa vez, eu só me demiti por razões… eh… como explicar? Suponho que continuar trabalhando para uma instituição que arrecada dinheiro para as criancinhas pobres depois que você já sacou que o dinheiro NÃO vai para as criancinhas pobres pode, sei lá, fazer mal para o karma. Né? Escurecer a aura. E já que aura é coisa complexa, não custou ligar para os patrocinadores comunicando tudo. E mandar material de denúncia. E abrir processo no JPC. E outras trivialidades feitas em nome dos bons fluidos do meu ectoplasma.

A operação teve êxito, mas, por motivações de fácil dedução, eis que meus ex-patrões resolveram não pagar as minhas horas trabalhadas e a coisa, é claro, embolou. No money, no honey. Culminando no episódio edificante da minha pessoa trancada em casa bancando a egípcia embalsamada enquanto os funcionários da Ebal batiam na porta para cortar a água. E a luz. E o gás. E a Internet. E a tv a cabo. E o oxigên…

– Mariana Miranda? Conheço, não.

Eu já não sabia se continuava escondida em casa ou saía pra procurar emprego ou nem me escondia nem procurava nada e morram todos.

Enfim. O fato é que tanto bônus no inferno astral somado ao coro ocasional de Não aprendi a dizer adeus e Fio de cabelo no meu paletó aqui na porta foram me inspirando uma vibe pessimista, uma onda malévola de que nada vale a pena e que era melhor desistir logo de tudo, não há esperança, não há amanhã, no love, no glory, no hero in her sky e mais um pouquinho vocês iam me encontrar na praça mais próxima abraçada a uma garrafa de tinto balbuciando que o apocalipse não tarda e eu-serei-mais-feliz-do-lado-de-lá-da-matrix. Difícil, tudo difícil. E eu acho que a coisa só não degringolou de vez por que o telefone tocou e marcaram duas entrevistas de emprego pra hoje, o que me obriga a tomar banho, escovar os dentes e reviver outros hábitos que eu já estava abandonando. 

É isso. E eu queria afirmar que esse foi o último surto fatalista do ano, mas eu sou uma pessoa honesta. Estou indo agora fazer cara de conteúdo para outra platéia de empregadores e colocando a maior fé na minha pokerface. E essa é a parte tranquila.

Difícil é abrir a porta de casa. Me desejem boa sorte. Hei de sobreviver ao repertório.

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As coisas

Hoje eu estava numa rua do Centro, muito resignada na fila do caixa eletrônico aguardando para conferir o meu salário (que não saiu, eu já sabia, mas insisto em conferir) quando alguém esbarrou em mim. E nem me viu. E, antes de eu fazer algum comentário malévolo típico, reparei que tratava-se de uma moça tão feliz e saltitante que, bem, deixei pra lá, não é bom mexer com doido, ainda do tipo que fica saltitando numa quinta-feira nublada enquanto o resto do mundo pega fila de banco.

Aí, no fim da rua, eis que reaparece a tal moça saindo da lavanderia. Sorrisão na cara. Carregando um vestido num cabide, daqueles longos de festa, amarelo, enrolado num plástico grande, daqueles que a pessoa precisa levar com as duas mãos, como se ele fosse de vidro, como quem leva um bebê. Ela vinha voltando pela calçada tão senhora da rua, tão dona do mundo, tão confiante do chão debaixo dos pés que, bem, agora fui eu quem saí da frente pra deixar ela passar.

E a moça do vestido amarelo foi a coisa mais bonita que eu vi hoje.

E ali mesmo que eu lembrei que hoje é 30 de Setembro. É o dia da entrega da tese de mestrado à banca! Minha tese está sendo encaminhada hoje, data pelo qual eu sonhei e tive pesadelos nos últimos mil meses, uma data realmente importante dentro do contexto de investimento (de tempo, de graaana, de paciêêência) que eu estou vivendo agora e, tipo, eu deveria estar feliz. E a única coisa que eu senti ao lembrar disso foi… alívio.

Diria Machado, “As coisas não valem pelo que elas são. As coisas valem pelo que nos sugerem!”.

Não paro de pensar na moça do vestido.

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Uma semana. Mesmo andando de beje e escolhendo os locais menos frequentados, mais cedo ou mais tarde eu sabia que ia esbarrar com um conhecido que iria, gentilmente, perguntar sobre a minha vida. Desespero.

Compreeendam: nada contra as pessoas. Mas a idéia de ter que racionalizar e verbalizar as diretrizes da minha existência em poucas palavras não só reabre questões antigas como cria problemas que, antes, não existiam. Um simples “e agora, quais sãos os seus planos?” pode ser uma pergunta de elevador para quem faz, mas costuma chegar como uma bofetada para quem ouve.

Vale dizer que nem sempre foi assim. Acho que, sei lá, até os 17 anos, qualquer pergunta que me fizessem envolvendo verbos no tempo futuro descambava numa longa resposta sobre projetos mirabolantes e pretensiosos. Não sei quantas vezes entreti meus interlocutores discursando com chavões de “basta querer”, “desbravar o mundo”, “influenciar o senado” e outras pérolas que só uma jovem pedante poderia soltar. Acho que nunca irritei ninguém a sério por que devia ser até divertido assistir àqueles rompantes megalomaníacos fervorosos. Aliás, acho uma irresponsabilidade isso: deixar a criatura falar o que bem entende até os 20, mesmo sabendo que ela passará o resto da vida pagando a língua. Deviam incluir entre os ritos de passagem juvenis – como as aulas educação moral e cívica, vestibular, auto-escola – também umas lições de coerência-e-auto-imagem. Se alguém tivesse me avisado logo que eu era só uma adolescente típica e banal que não nasceu com uma estrela na testa, eu teria avançado, sei lá, umas dez casinhas no jogo da vida.

O fato é que, na hora de sair do País das Maravilhas, a coisa complica. Depois de ter passado dez anos com cara de sei-fazer-chover-mas-agora-não-quero, você arranja um emprego, uma casa, uma rotina absolutamente ordinária e qualquer pergunta corriqueira de “o que tem feito da vida?” num corredor de shopping termina em gastrites súbitas e horas de divã. Se você virou embaixador da Unicef, é guitarrista profissional e mora num trailler sem endereço fixo, ótimo, a pergunta te cai bem. Mas se você é só um dito cidadão respeitado que ganha quatro mil cruzeiros por mês, pronto, pode vir, dá a mão, a tia mari te entende, pode crer.

Às vezes eu fico me perguntando por que esse tipo de crise existencial atinge, não só a mim, mas à maioria dos meus amigos. A verdade é que quase todo mundo fala mal do emprego, do chefe, do serviço, é tão normal reclamar que eu fico me questionando se os nossos trabalhos são mesmo tão ruins ou se, lá no fundo, a gente acredita que foi predestinado a atividades superiores. Não tem escritório acarpetado que baste para quem tinha a fórmula do sucesso no bolso, gente, tudo seria mais fácil se, lá pelos nossos 15 anos, alguém tivesse sentado num banquinho e avisado logo: “olha, meu bem, sabe isso aí que você tá pensando? Pois é, gata, não vai rolar”.

Se este ato caridoso não salvasse a minha vida, pelo menos me poupava do constrangimento de descobrir sozinha. Ou das frequentes perguntas bem-intencionadas lançadas feito bombas de gás pimenta em recintos fechados que me obrigam a gaguejar qualquer coisa sem sentido até alguém abrir a porta do elevador e eu sair correndo.

Costumo escapar com vida. Embora o meu dia, é claro, esteja perdido.

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Emprego novo + engarrafamento de freelas + mês de entrega da tese + outras ocupações  que eu arranjei para essa minha vida não são o real motivo pelo qual eu praticamente não vou postar em Setembro. O motivo é que eu vou viajar e só volto no final do mês, mas eu costumo colocar a culpa no resto.

Aliás, é pelo bem de todo o resto que ninguém precisa perceber que eu não estou aqui: os próximos posts estarão com publicações pré-agendadas e os comentários terão aprovação livre. Comportem-se.

(Só estou avisando agora por que não conheço melhor forma de evitar polêmicas do que dar uma notícia no final do expediente. Você despeja a bomba e fecha a porta atrás de você. Todo mundo vai te odiar por umas horas mas, até o dia seguinte, aquela vontade coletiva de te MATAR, provavelmente, já passou).

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Hoje foi o dia perfeito para uma daquelas discussões sem finalidade prática que terminam sempre em teorizações filosóficas, também sem finalidade prática, dignas de uma tarde de quarta-feira aonde, aparentemente, nenhum dos meus colegas de ofício encontrou ocupação melhor. Contexto: eis que o ser humano A acredita que, para uma instituição filantrópica ser levada a sério, ela só deve beneficiar a públicos-alvo que não tenham nenhuma ligação direta com o perfil dos seus integrantes. Não estamos falando de parentesco. Por exemplo, se uma instituição beneficente contrata um funcionário cadeirante, um imigrante asiático e um ex-dependente químico, por princípio o trabalho deles não deve beneficiar nem grupos de cadeirantes, nem de imigrantes asiáticos, nem de dependentes químicos. Fato que tornaria o simples encaminhamento de doações um processo complexo e subjetivo.

Em oposição, há o ser humano B que, mesmo compreendendo as boas intenções de A, considera estes critérios irrelevantes. E o ser humano B, invariavelmente, sou eu.

Entendo que credibilidade e impacialidade sejam substantivos próximos, já que é mais fácil convencer as pessoas que um problema existe se você não for vítima dele. Ninguém leva a sério quem fala em benefício próprio, tipo, se você quiser convencer alguém de que o que importa é a beleza interior, a única condição para isso é que você não seja, por excelência, feio.

Eis que, no auge da discussão, o ser humano A repete o quanto isenção é sinônimo de credibilidade citando que, por exemplo, é um absurdo que um indivíduo que nasceu na cidade de Salvador da Bahia (eu), é do sexo feminino (eu) e NÃO TEM CARRO (eu) receba tantas pautas sobre racismo, igualdade de gênero e combate à pobreza. Que era parcialidade demais para uma pessoa só.

Silêncio constrangedor no recinto. E nenhum contra-argumento, por quê, bem, é necessário reconhecer: o ser humano A, provavelmente (e infelizmente), está certo.

A discussão prossegue e fica levantada a questão: já que dissertar em primeira pessoa pega mal, sobre o que a gente pode escrever? Bem, você pode lutar por qualquer causa, portanto que ela não seja a sua. Para ter o máximo de liberdade na definição de temas, o ideal é que você tenha o perfil: branco, sexo masculino, heterossexual, entre 25 e 35 anos, renda anual acima de 300 mil dólares, escolarizado, empregado, magro, nascido numa cidade com mais de 2 milhões de habitantes e sem antecedentes criminais – ou seja, o que o IBGE consideraria como o grupo que sofre menos preconceitos na nossa sociedade atual. Aí, sim, não sendo vítima de nada, você teria total liberdade para defender a causa que bem entendesse, certo? Errado. Nem você poderia defender o seu próprio grupo. Até porque sair por aí levantando bandeira pelos homens-brancos-e-heteros-nascidos-não-sei-aonde só pegaria bem lá na Alemanha de 1930, amigo.

O fato é que distribuir pautas de maneira politicamente correta está cada dia mais complicado. Minha sugestão para que você, cidadão comum, não corra o risco de estar falando em causa própria é se interessar, sei lá, pela preservação do mico-leão-dourado. É um tema da moda e não tem erro, ninguém vai te acusar de ser parcial. Isso partindo-se do pressuposto de que você não é amigo, vizinho, sócio, cliente, parceiro, colega, conhecido, irmão, primo, nem parente distante de nenhum mico-leão-dourado. Obviamente.

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Resumo rápido do meu dia: aí que hoje eu acordo oito da madrugada, chego no horário marcado e passo nada menos que duas horas na sala de espera aguardando meu quase-futuro-patrão, mas a entrevista para o novo emprego não acontece por que o entrevistador… sumiu. Ninguém sabe, ninguém viu. Enquanto isso o celular tocando loucamente por que a cigana aqui teve a idéia brilhante de anunciar os móveis e eletros de casa na Internet para pagar a viagem de Setembro – sem modéstia, foi uma idéia genial – fora os sites de permuta – semana passada troquei um tapete usado numa máquina fotográfica digital fantástica, o que me leva a crer que eu sou capaz de negociar qual.quer.coi.sa – aí eu desisto da entrevista, passo em casa pra buscar o último criado-mudo e vou andando para um tal Café Nicola, onde o comprador marcou de me encontrar. E toda vez que eu preciso procurar um endereço na cidade eu reciclo aquele meu velho projeto de deportação em massa para Marte destinada a todos os seres humanos que dão informações erradas a andarilhos perdidos. Especialmente a andarilhos que andam sob um sol de 35 graus. Carregando móveis. Ladeira acima.

Em geral, o problema se agrava entre os homens. Suponho que esteja associado a alguma questão íntima masculina que impede o indivíduo de admitir a própria falta de orientação e faz com que o cara prefira te indicar qualquer direção aleatória do que abster-se deste encargo social primitivo. Se você fez a pergunta e o cidadão pestanejou por dois segundos antes de responder, agradeça e vá embora: ele não sabe onde fica e vai te dar uma coordenada qualquer só para se sentir útil perante os antepassados ancestrais lá das cavernas.

Primeiro um senhor me disse que era só ir seguindo direto cinco quarteirões e dava lá. Não dava. Volto. Aí um vendedor avisa: na verdade, aqui era o Restaurante Nicola, o Café Nicola fica lá em cima. Tudo bem, ladeira simpática, lei da gravidade cooperando, vamos girando pedra montanha acima e um outro rapaz lê o endereço e diz: “ah, eu sei onde é, você veio de carro?”. Sim, é claro que eu vim de carro, amigo, aliás eu só subi essa ladeira a pé para curtir o sol, aproveitar a paisagem e pegar um bronzeado aqui no mármore do inferno. No final das contas a cafeteria Nicola era uma espécie de franchising com umas trinta filiais na cidade e tudo dependia de QUAL delas eu estava procurando. Entro na primeira que aparece e ligo para o comprador: e aí, filho, na minha ou na sua?

Enfim, a venda acontece e agora me telefonam dizendo que o meu quase-futuro-chefe reapareceu e quer que eu volte para fazer a tal entrevista. Ha! Pondero que a vaga era legal, num setor de Responsabilidade Social do Governo que, entre outras coisas, produz vídeos sobre a realidade carcerária, direitos do idoso e outros temas para o Ministério da Educação exibir nas escolas públicas, um daqueles trabalhos que eu faria de graça – e acho que esse é um bom critério para a pessoa saber se está diante de uma boa vaga, é quando você sabe que, se te pedissem para fazer aquele trabalho de graça, você provavelmente faria – e, então, eu fui. A conversa começou pelas referências profissionais, pelo detalhamento burocrático e eis que termina duas horas depois com o cara me contando histórias da infância dele e me fazendo confissões diversas – fato que me deixa especialmente intrigada: por que raios as minhas entrevistas, consultas médicas, filas de banco e afins terminam sempre com alguém emocionado contando sua biografia detalhada para a minha pessoa que, mesmo calada e quieta, é o alvo perfeito para aquele clima fraterno de “vem cá, eu te entendo, dá a mão”? Gente, quem disse que eu sou confiável, hein? Eu não valho nada! – bem, depois de muito papo, o entrevistador me abraça, se despede e eu vou embora sem saber se fui contratada ou não. Quando eu já estava perto de casa é que o cara se lembra de passar uma mensagem de texto dizendo “traga seus documentos amanhã!”, o que eu interpreto como “ah, isso era uma entrevista, né?”. Foco? O que é isso?

Pois bem, volto pra casa aproveitando para conferir as oportunidades do destino (tradução: lixo e objetos deixado nos postes) e  os brindes do dia são: uma cadeira, umas molduras e um espelho!  Só as molduras não combinaram muito com a decoração da sala e, se eu não mudar de idéia, vendo elas amanhã na Internet. Envio uma reportagem por e-mail para o Brasil enquanto o pessoal liga marcando na Figueira às sete por que o jazz vai começar hoje mais cedo por razões que a própria razão desconhece e eu certamente chegaria lá pontualmente se não resolvesse vir aqui contar o meu dia para vocês. Sim, contar tudinho num texto besta e longo e chato para tentar convencer a galera de como é bom que eu não escreva posts novos a cada 24 horas por quê, sinceramente, vocês me aguentariam narrando e falando e contando essas coisas aqui todo santo dia? Não. Fato. A vida humana é repetitiva e a sucessão dos dias sobre a terra é quase sempre tediosa e eu poderia citar três ou quatro argumentos para justificar o que eu estou dizendo mas o celular está tocando de novo.

Tempo esgotado. Conclusão é para os fracos.

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Um obra-prima em 4 atos:

1.The start.

2.The show.

3.The best.

4.The end.


Em cartaz toda sexta, sábado e domingo. Curta temporada.

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Domingo de sol. Minha amiga amanhece no sofá dizendo que já acordou pronta e bela feito protagonista de novela. Aliás, aqui em casa nem precisa ser novela. Volta e meia eu também acordo pronta: de batom e rímel. e blush. e brincos. e calça jeans. e sapatos. Para aproveitar o make-up, ela resolve dedicar toda essa disposição dominical na preparação de uns aperitivos. E eu resolvo que o cardápio do dia será lasanha. E a gente convida pessoas para a lasanha. E eu saio para o mercado levando vinte dinheiros. E volto trazendo quilos e quilos e quilos de massa de lasanha. A gente serve as bebidas. As pessoas brindam. A gente serve os aperitivos. As pessoas aplaudem. A gente abre as embalagens de massa de lasanha. E eu me dou conta que na minha casa não. tem. forno.

Os acontecimento seguintes ficarão por dedução do caro leitor.
Essa é a minha vida, Brasil.

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Na primeira vez em que a gente se viu, não faço idéia do que ele me perguntou, mas lembro de como perguntou. De maneira direta. Sim, por que a maioria das pessoas, antes de pedir um favor ou sugerir um comentário ou fazer um convite, tendem a preceder o assunto com meia dúzia de perguntas de introdução absolutamente tediosas, como alguém que quer te chamar pra sair e vem rodiando – tudo bem? o que tem feito? tá muito ocupada hoje? você gosta de música? – ao invés de dizer logo a que veio. No fundo, essa é só uma forma de sondar o interlocutor e, se as condições não forem favoráveis, simplesmente desconversar. Evitar um não explícito. Covardia cortez. Suponho que quem não está pronto pra receber um não, não deve estar pronto pra receber um sim. Sondou? Errou. Gaguejou? Perdeu.  

Não me lembro qual foi a pergunta – me empresta cinco euros? vamos tomar um sorvete? – qualquer coisa assim, direta, que me fez adivinhar que seríamos amigos. Bingo.

Isso enorme no seu braço é um relógio, filha? E eu me acabo de rir. Dessa maneira despachada de falar, sempre irônica, me desconcertando desde que tudo aqui era novidade e eu era uma recém-chegada deslumbrada, ainda mais boba do que hoje, gargalhando, me pedurando nos monumentos, abraçando os turistas ao som de We are the world, saindo para a rua de pijama para ver quem aguentava mais tempo no frio. Bem mais despreocupada do que estava agora, ali, com o cardápio na mão, sem saber por onde começar. Ele sorri, espera o garçom sair e pergunta o por quê daquele encontro urgente: fala, garota, minha curiosidade é aspirina fervilhando em copo d’água.

Eu quero saber o que foi que me escapou. Assim, na minha vida. Que peça é essa que está faltando, o por quê dessa maldita sina de filme de Sessão da Tarde reprisando indefinidamente.  Eu sei que a gente nem se conhece a tanto tempo – um ano? um ano e meio? – mas, meu Deus, há amigos de oito dias, há indiferentes de oito anos, você é a pessoa mais objetiva que eu conheço e eu já te contei tanta coisa da minha vida que, agora, nesse momento, não consigo pensar em ninguém melhor pra me dizer, enfim, quando foi que a coisa desandou pra mim? Quando?

Aí ele ficou sério. E respirou fundo. Desligou o celular com a mão direita enquanto a esqueda deslizou pela mesa até segurar a minha mão. Firme. E eu, que repeti tanto a pergunta, de repente, fiquei com medo de ouvir a resposta. Mas era necessário. Mas era a única forma. Enfim, alguém ia me dizer com todas as letras algo que ninguém mais tinha me dito, por que eu nunca perguntei, por que eu nunca permiti que alguém me dissesse. Eu não estava buscando um conselho, estava buscando a solução, a verdade, algo definitivo, só aquele cara podia me ajudar e ele sabia disso. Por que era mais esperto que eu, por que era mais sagaz do que eu e já me conhecia o suficiente pra saber de coisas que eu não disse. Vai, fala logo. Acaba de uma vez com isso. Essa é a minha chance, é o único caminho, vai, diz, eu passei a vida inteira esperando para saber.

Nesse momento ele se ajeitou na cadeira, calado, me olhando. E se aproximou muito sério e foi falando pausado, no meu ouvido, com muita, muita cerimônia:

– Não olhe agora, mas você não acha que esse garçom é a cara do Bob Esponja?

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