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Archive for the ‘havaiana de pau (day life)’ Category

Sei que eu estou me tornando a-chata-do-bairro-novo que não tem outro assunto, mas, céus, como alguém pode ter outro tema/interesse/aspiração na vida quando mora num lugar assim?

Apresentando: o hall de entrada.

A sala de estar.

A sala de visitas.

A varanda.

A cozinha.

A piscina.

O jardim.

E o povo querendo que eu me interesse por trabalho, estudo, sei lá, copa do mundo.

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Jai Ho

(Olivais, 30/06/10, 9:30)

Último dia bairro dos Olivais.

Só quando o pessoal entrou aqui em casa em prantos para se despedir é que me caiu a ficha de que, aqui, mudar de bairro é um pouco mudar de país: lágrimas, presentes, tudo como se eu estivesse indo pra muito, muito longe. De alguma forma é – esses  são meus últimos dias no bairro indiano e, pra onde quer que a pessoa vá, vai sempre haver certo choque cultural. E a despedida da vizinhança teve aquela tônica festiva e fatalista de sorte irremédiável tão típica deles que me lembrou o trailler de Quem quer ser um milionário?, quando o narrador pergunta:

Jamal tem apenas uma questão para ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele fez isso?

a)      Ele trapaceou;

b)      Ele é um sortudo;

c)       Ele é um génio;

d)      É o destino.

E a resposta é a letra D. É o destino.

Depois chegou o caminhão da mudança denunciando a minha Síndrome de Diógenes – o que era apenas uma mala agora recheia um caminhão-baú – e eu viajei no bagageiro, bem bonita, sentadinha no sofá até Alfama. Chegando lá, tinha um grupo de turistas japoneses fotografando a minha rua. Depois posando na porta da minha casa. Pensei em cobrar por excursões guiadas pela minha sala, quarto e cozinha.

Sabe, isso de ir morar no centro histórico está me subindo à cabeça. Já estou me sentindo uma daquelas gringas diletantes que, quando vai passar uma temporada em Salvador, faz questão absoluta de morar no Pelourinho, passear pelo Carmo, subir a ladeira da Sé. Claro. Se fosse pra perambular por ruas asfaltadas cheias de prédios espelhados a pessoa não precisava ter ido para a Bahia. A lógica é a mesma: se eu quisesse conforto eu não iria pra lá, se eu quisesse praticidade eu não iria pra lá, se eu quisesse paz e tranquilidade alugava um quarto de hospital, onde é tudo branquinho, silencioso e tem cama em sete posições.

Na esquina da rua da confusão com a rua da boemia, enfim, meu novo endereço. Uma casa vazia, sem geladeira, sem fogão, sem absolutamente nada, entro com as caixas e com o meu único sofá, sento nele e fico olhando para o teto. E só. Não sei como resolver o resto. Nem a instalação da luz, nem a do gás, nem como comprar móveis e eletros, como fazer o registro de água, do aquecedor, meu Deus, muita calma, filosofia indiana, não importa a pergunta, a resposta será sempre a letra D. É o destino. É o destino, está tudo escrito e as coisas vão se resolver. Você é a pessoa certa no momento certo.

Jai-ho, Mariana. Bem-vinda ao lugar certo.

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Durante a mudança de endereço para os Olivais, eu queria comprar uma rede. E um tapete. E uns castiçais coloridos. E meus cálculos diziam que eu não conseguiria decorar a casa nova do jeito que queria, que só daria para uma parte, o que equivaleria a um meio-termo. E eu odeio um meio-termo. Quando a gente não tem grana, tem que escolher: ou investe tudo o que tem e faz a coisa do jeito que imaginou ou muda os planos. Ou corre o risco da sua vida virar uma daquelas festas de gala de pobre que, ao invés de criarem algo completamente novo, ficam imitando os procedimentos dos ricos, só que com baixo orçamento, com direito a garfinho plástico e guardanapo de papel. Se não dava pra comprar tudo, era melhor ter uma mobília recolhida do lixo.

Decisão que, é claro, resultou em algumas das cenas mais inusitadas da minha vida, que incluíam sair de madrugada para revirar esquinas, depósitos, sair carregando mesas nas costas, encaixar um sofá de três lugares no elevador e, por fim, a noite em que a gente estava correndo cada um com uma poltrona na cabeça e sendo obrigados a parar a cada quarteirão para descansar – sentados nas poltronas, claro – e os motoristas passavam perguntando: por que raios vocês estão a fazer sala no meio da rua? E eu respondendo: eu moro aqui mesmo e o senhor tire o seu carro da minha casa!

Meses depois, nova mudança e é hora de decidir outra vez. Decorar ou não decorar? Aí eu comecei uma pesquisa despretenciosa na Internet sobre designer de interiores que terminou comigo passando o sábado. inteiro. dentro. do Ikea.

Sem comprar absolutamente nada, claro, mas não deixa de ser algo que eu confesso com certo constrangimento, por quê, bem, estamos falando de decoração. Nem sei de onde me veio esse interesse repentino pelo assunto, mas o fato me aproxima de um terreno perigoso: o do clichê. Céus, o que pode ser mais clichê do que uma mulher que curte objetos de decoração? (Decoradoras ofendidas, falem com a minha mão).

Sempre tomei o cuidado de não me interessar demais por determinados assuntos – moda, esoterismo, sei lá – da mesma forma que, se eu fosse um rapaz, não iria querer saber nada sobre carros. E nunca, jamais estudaria sobre eletrônicos, vinhos, F1, nem ia querer saber coisa nenhuma sobre futebol. Tem coisa mais desinteressante no mundo do que um homem que sabe nome de jogador, número de títulos, técnico do time e tudo que 95% dos outros homens já sabem? (Torcedores ofendidos, minha mão pra vocês também).

Se vocês não levarem em conta que já possuo o hobby mais lugar-comum do universo (alguém conhece um não-fotógrafo?), vou citar um almoço recente onde uma colega me apresentou os primos dela. Um gostava de surf, a caçula curtia games, a outra jogava vôlei e o mais velho, nas horas vagas, era adestrador de golfinhos. Quem tinha o passatempo mais adorável? Com quem você gostaria de conversar? Daí eu lembro de Moreno Veloso – “é charmoso não saber o que todo mundo sabe” – e me bate certa ressaca moral por estar dedicando meu tempo livre a papéis de parede, luminárias e revestimentos, mas, né, fazer o quê? Eu sou um clichê da minha geração.

E já que constrangimento sem platéia não faz o menor sentido, vou postar aqui os meus atuais objetivos de consumo. Um resumo só pra saber quantos pontos vou perder no conceito de vocês. Pensando bem, quero saber não.

Árvores, gaiolas e estrelas em cima da cama. Eu. que. ro.

Pombos + coelhos + flores. Quem achar um defeito, me avisa.

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Eu conheci muita gente que não gostava de mim. Por motivos diversos, enfim, eu devo ter fornecido muito material durante a vida para alimentar o desafeto alheio e já percebia quando alguém dava sinais de que me detestava ou me achava uma idiota. Odio é o avesso do sentimento, só te odeia quem sabe o seu nome e sobrenome, conhece alguma coisa de você e tem um motivo (real ou imaginário) pra te querer mal. Podemos aceitar paixões platônicas, mas inimizade platônica seria humilhação demais: só te odeia quem se sente próximo de você. Seus inimigos podem até te ignorar, mas não podem negar a sua existência. Ser odiado é privilégio. Dureza é ser desprezado.

E, agora que desprezo virou o meu sobrenome do meio, pronto, pode pegar um banquinho e sentar aí que eu quero contar o meu drama, por que eu estou arrasada, por que eu estou passada, por que eu estou com saudades de me lamuriar na Internet. Gente, é o seguinte: volto eu de viagem certa de que minha mudança já está resolvida, casa nova escolhida, tudo certo até que o proprietário me informa que não quer mais alugar o imóvel. Motivo? MISTÉÉÉRIO. Poucos dias antes da data de entrega da residência atual, estamos sem teto. Solução? Ligar para imobiliárias e tentar conseguir outro. Com urgência. Sempre evito imobiliárias por que sei que estrangeiros não são bem-vindos por lá, mas, agora que não tem jeito, sento ao lado do telefone e começo a pesquisa. Mas, inexplicavelmente, no meio de todas as ligações, o interlocutor desliga. Do nada. Por quê? MISTÉÉÉRIO.

Acontece assim: quando os funcionários de uma imobiliária percebem o seu sotaque, eles não se chateiam ou reclamam, eles simplesmente batem o telefone. Na sua cara. Não para te ofender, não é nada pessoal, mas para não perder tempo com aquela ligação que, simplesmente, não interessa. Enquanto um corretor fala com uma estrangeira, um outro cliente nacional pode estar tentando ligar, então, ora, pra que perder tempo me despachando? Desliga e pronto. Entendam: a minha ligação nem é um problema, é só um contratempo. Nesses momentos, antes de eu virar uma serial killer e canalizar todo o meu instinto assassino para o derramamento de sangue, só me restaria discar novamente para cada um perguntando por que eles desligaram, gritar palavrões, bradar por respeito e educação doméstica, mas toda vez que eu penso em fazer isso me vem à mente o Bogart levantando as sombrancelhas em Casablanca: “francamente, querida, eu não dou a mínima”.

Bem, isso aqui certamente não vai descambar num discurso sobre xenofobia, o que eu quero dizer é que, às vezes, o que você é não importa. Não importa se eu tenho a grana para pagar, não importa se eu tenho a documentação, não importa se eu sou a inquilina dos sonhos de qualquer proprietário, nada importa, o que eu sou não faz diferença. Quando alguém te despreza, não te despreza pelo que você é. O que você é não interessa!

Há ocasiões em que alguém diz que despreza certa pessoa conhecida, mas isso não é verdade. Desprezo é um dom dos anônimos. O alvo de todo desprezo do mundo é a moça do telemarketing que liga às sete da manhã, o cidadão que passa pela janela do carro entregando folhetos de propaganda, o vendedor que bate na porta de casa oferecendo enciclopédia, tv a cabo, filtro de água. Em resumo, aquele cara que a maioria das pessoas acha incômodo, mas irrelevante. Desprezo não tem rosto, não é nada pessoal. Só pra lembrar: este ano eu já fui telemarketing, vendedora e entreguei panfleto. Certamente, ninguém me queria mal.

Às vezes, eu tenho saudades do tempo em que as pessoas me detestavam, mas sabiam o meu sobrenome.

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Ano passado, uma amiga minha estava visitando Lisboa e se hospedou uns dias na minha casa. Uma hospedagem tosca, é bem verdade, onde a pessoa teve que dividir o chão da sala com uma pequena multidão, mas, enfim, essa não é a questão. O fato é que, lá para o terceiro dia, ela entrou na cozinha, sentou no banquinho da janela, suspirou e disse: mariana, está na hora de você se mudar. Nessa época eu ainda morava em Ameixoeira e tinha lá as minhas insatisfações com o bairro, mas nunca tinha chegado a essa conclusão, assim, de maneira concreta. Argumentei que o apartamento era lindo, confortável, essas coisas. E ela insistiu: você precisa se mudar. Por que a maior lembrança que você vai levar de uma cidade vai ser sempre o bairro em que você morou – os outros bairros aparecerão como pano de fundo, os monumentos, os pontos turísticos, mas a imagem mais nítida que você vai guardar de uma cidade ao longo dos anos será a paisagem da sua janela. Olhei para a janela. E compreendi o que ela estava dizendo.

É fato que, em Salvador, o cidadão que mora na Barra, o que mora na Ribeira e o que mora em Cajazeiras-dois-mil-e-um-uma-odisséia-fantástica habitam cidades completamente diferentes. Ainda que circulem por algumas ruas em comum de vez em quando. E eu não tinha percebido que, em Lisboa, eu não estava escolhendo a cereja do bolo. Vinte dias depois dessa conversa, o táxi do carreto já estava na porta.

E, hoje, como eu vou sair pra olhar um novo apartamento, procurar casa outra vez, me lembrei deste dia. Lembrei de como uma opinião externa pode  ajudar a gente a enxergar o óbvio.

E, talvez por que eu esteja novamente às portas de outra mudança – e mudança nenhuma vem desacompanhada – me veio hoje uma gratidão tão boa e sincera por todas as pessoas que, em  algum momento, viraram pra mim e disseram qualquer coisa assim. Que eu precisava mudar. Que a minha vida podia ser diferente, de uma maneira melhor, mais fácil ou mais bonita, qualquer coisa que, naquele momento, eu não conseguia enxergar. Mesmo sendo o ser humano mais teimoso do universo e quase nunca seguindo as sugestões dadas, acho que eu nunca me recusei a ouvir um conselho por que, por mais absurdo que seja o conselho, ele é sempre uma prova de que alguém se importa. E eu respeito e admiro pessoas que se importam. Por que é sempre mais fácil, cômodo e educado simplesmente não se envolver.

E me dá uma alegria enorme lembrar de todo mundo que já se meteu na minha semana trazendo soluções brilhantes e planos infalíveis, que interferiu nas minhas decisões, gente que já me pegou pelo colarinho pra gritar que eu estava sendo louca, burra, egoísta, psicopata, por todo mundo que já comprou briga comigo para mudar a minha vida. De alguma forma, mudaram. Mesmo que eu nunca tenha dito isso assim, de maneira clara. Que eu nunca tenha dito muito obrigado. Eu sou grata. A vocês que melhoram as paisagens da minha janela.

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Gente. Genteeeeee. Reunião de orientação de tese. Momento tenso. Apareço de azul-marinho, pérolas e óculos de grau, um desses trajes clássicos que fazem o ser humano parecer mais inteligente do que o colega do lado. Sento e minha co-orientadora pergunta sobre como tenho passado, se resisti bem ao frio de abril, um desses papos quebra-gelo banais que imediatamente me fazem lembrar que eu estou, curiosamente, bronzeada. Vermelha. Preta de sol como alguém que, certamente, passou o mês longe da cidade e, provavelmente, longe dos livros também.  Respondo que vou muito bem, obrigada e ela começa a falar:

– Estive a ler o seu esboço, achei muito interessante… – um minuto de silêncio, agradeço aos céus pela graça alcançada – você fez um ótimo trabalho sobre o tema errado.

Ho-ho. Sim, por que ALOKA aqui, ao invés de baixar a bibliografia sobre estudos urbanos, baixou a bibliografia sobre estudos HUManos. No extenso universo da língua portuguesa, o que são duas ou três letras, né? Coloco meu crachá de DEMENTE na lapela e ela continua:

– Teremos que desprezar as últimas 30 páginas e começar de novo. Na bibliografia sobre estudos URBANOS você vai encontrar muito material sobre iuytrdsjhg dxgfh dfhytdr (eu já não estava prestando atenção a mais nada, só me via ali, na frente dos professores, com duas bolas no cascalho de sorvete kibon enfiadas na testa) kjhgfvbn oiuy jhgxz então a gente volta a se encontrar na semana que vem, ok?

– ok.

Volto pra casa pra começar do zero e descobrir por que raios deu tudo errado. Separo os jornais novamente e começo a analisar (os editoriais? as matérias?) o horóscopo. A explicação tem que estar lá. Alguma previsão de “não saia de casa hoje, sua azarada” ou “seus astros desistiram e você se ferrou” e encontro:

Com a proximidade de Touro e de Câncer, Gêmeos precisa encontrar calma, paz e tranquilidade (redundância? função fática?), é necessário estar atento às pequenas mudanças (ah!) e às lições de vida oferecidas pelo acaso, mesmo que elas apresentem-se de maneira dolorida (havaiana de pau, prazer). Este mês não será de grandes avanços financeiros, práticos ou profissionais por quê a sua energia estará focada em outros objetivos (alguém pode me mandar um e-mail me informando quais são os meus objetivos?), busque ajustar a sua rotina às suas necessidades (passar 20 dias por mês fora de casa não é a solução), não assuma atividades sociais desnecessárias (como não?), evite interagir com um grande número de pessoas (hum?) e compreenda que este isolamento é uma etapa necessária ao seu crescimento (socorrooo!!). Neste percurso, um elemento novo deverá alterar as suas perspectivas (gente, o que é um e-le-men-to? homem? mulher? travesti? animal? vegetal? mineral? hã?) e oferecer novas possibilidades. Sua cor é o azul. Seu número é o 36.

Eu ainda preferia “seus astros desistiram e você se ferrou”. Objetividade é tudo na vida.

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Sabe, quando eu era criança, eu era muito obediente aos adultos. Muito. Eu podia até ter relações pouco saudáveis com pessoas da minha idade, espancar os coleguinhas, escravizar os priminhos, mas nunca, jamais desobedecer um adulto. Uma hierarquia de autoridade estabelecida graças a critérios simples (não seria muito esperto desafiar pessoas que, provavelmente, pesavam 5 vezes mais do que eu) e a outros que eu não saberia explicar.  Mas as regras eram claras.

Os anos passaram e a coisa ficou mais confusa por quê, bem, aquela entidade superior capaz de te dizer o que é certo e o que é errado deixa de existir. Você cresceu e, agora, quem vai estabelecer as regras do jogo? Quem vai te proibir de pintar as cortinas e desenhar nas paredes de casa? A sociedade? A constituição? Os vizinhos? O seu bom senso?

Eu não sei. Mas alguém me responde AGORA ou não vai sobrar hidrocooooorrr!!

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Responda em cinco segundos: se você precisasse escrever uma reportagem de 4 laudas sobre um tema, você falaria sobre oquê? Cinco, quatro, três, dois, um… tempo esgotado. Decidiu?

Provavelmente, não. No máximo, cogitou assuntos diversos sem se focar em nenhum. Pois é assim que eu me sinto cada fez que me chega uma pauta onde a descrição do tema é: livre. Eu sofro. Num universo de mil possibilidades, ter que escolher uma e renunciar às outras novecentos e noventa e nove. Acho que eu deveria ter incluído uma cláusula no contrato que proibísse as empresas de delegarem pautas livres a pessoas do signo de gêmeos. Passei tanto tempo achando que eu só seria uma pessoa feliz e realizada no dia em que os veículos me delegassem decisões assim, no dia em que confiassem o leme de suas publicações ao sabor do meu bom senso e agora, gente, cadê o meu bom senso?

Às vezes eu acabo escolhendo um tema que seja útil… pra mim. Bem, já que eu vou ter que dedicar horas do meu dia a pesquisar um assunto qualquer, que pelo menos seja um assunto do meu interesse – o que está longe de ser o melhor critério, mas, bem, fazer o quê? Mês passado eu acabei  escrevendo uma sobre justamente isso: metas de vida que a gente tem certeza de que nos farão alegres e realizados mas que, depois, tornam-se uma cilada. A idéia era fazer uma coletânea das opiniões de cientistas e sociólogos sobre o que realmente tráz felicidade às pessoas, estatisticamente falando – pra fugir das interpretações tradicionais (psicanalítica, religiosa etc) ou intuitivas (auto-ajuda) e levar o assunto de maneira numérica mesmo. O resultado agradou muito ao editor, mas isso só piora o meu problema. Por que eu nunca sei exatamente OQUÊ agrada as pessoas. Ele ficou feliz por quê gostou do muito do tema ou por quê as fotos era legais ou por quê simplesmente o material foi entregue no prazo ou por quê…? (eu poderia ficar aqui hipotetizando indefinidamente).

Enfim, enquanto eu continuo escolhendo entre 935.072 opções de pauta para hoje, vou postar aqui um pedacinho daquela matéria (enorme) do mês passado, confessadamente escrita em nome de interesses pessoais. Não é possível que esses cientistas que vão à Lua, criam a fibra óptica e desintegram o átomo em mil partículas iguais não tenham nenhuma pista de qual seria a fórmula da felicidade.
  

“Para entender melhor o que é verdade e o que é mito na busca pela felicidade, alguns cientistas aprofundara-se em temas que, de acordo com a filosofia tradicional, seriam responsáveis pela nossa realização pessoal:

Casamento – apesar das pessoas casadas representarem uma parcela majoritária no número de pessoas felizes, o casamento não muda, nem para melhor nem para pior, os níveis de felicidade. Segundo uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Richard Lucas, da Universidade do Estado de Michigan, Estados Unidos. Lucas passou 15 anos entrevistando solteiros e casados na Alemanha e pedindo que eles dessem notas de 0 a 10 para seu estado de felicidade. Os solteiros tinham média 7,28. No momento em que eles casavam, o valor aumentava muito: para perto de 8,5. Mas dois anos depois a média já era de exatamente 7,28 outra vez. Ou seja, os felizes casam mais, mas a razão da felicidade não é, necessariamente, o casamento.

Religião – De acordo com o estudioso da religião Michael McCullough, da Universidade de Miami, o indivíduo encontrar um sentido para a própia vida é primordial para a sua felicidade. Sua pesquisa mostra que as pessoas religiosas consideram-se, na média, mais felizes que as não-religiosas – elas também têm menos depressão, menos ansiedade e suicidam-se menos.

Trabalho – Mihaly Csikszentmihalyi, pesquisador da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, estuda um fenômeno cerebral chamado “fluxo”, que ocorre quando o engajamento numa atividade torna-se tão intenso que dá aquela sensação boa de estar completamente absorto, a ponto de esquecer do mundo e perder a noção do tempo. Ou seja, é um estado de alegria quase perfeita. Este “fluxo” pode ser identificado em profissões ou, em alguns casos, em pessoas que exercem hobbies, praticam atividades físicas ou tocam instrumentos musicais.

Dinheiro – Estados Unidos, Japão e países da Europa multiplicaram sua renda per capita por quatro ou cinco vezes nas últimas décadas. Mas, quando pesquisadores perguntam a americanos, japoneses e europeus se eles se sentem mais felizes, as respostas mantêm-se estáveis se comparadas às respostas dadas nos anos pós-guerra. Apesar de comprovarem que dinheiro não traz felicidade, as pesquisas também mostram que certa segurança financeira normal ajuda a ser mais feliz e menos tenso. Pessoas com média salarial abaixo dos 25 mil dólares por ano apresentam problemas de satisfação, enquanto pessoas com uma média salarial acima de 25 mil têm níveis de felicidade semelhante, ainda que ganhem 26 mil ou 100 mil por ano.

Ganhar na loteria – Segundo um estudo realizado em 1978, na Califórnia, pelo psicólogo David Lykken, que trabalha no Centro de Estudos Avançados em Ciências de Comportamento da Universidade de Minnesota, ganhar na loteria não altera o modo de vida do ganhador. O sortudo terá picos de felicidade durante os primeiros meses, mas logo voltará à sua média de felicidade anterior.

Saúde – Ainda de acordo com a pesquisa do psicólogo David Lykken, a manutenção das médias de satisfação também acontece com pessoas que sofrem acidentes de carro e tornam-se tetraplégicas: sofrem picos de tristeza durante os primeiros meses e depois retornam às médias de felicidade anteriores ao episódio. Ou seja: não são os fatores externos que definem a média de felicidade de um indivíduo.

Genética – Hormônios e enzimas são responsáveis por 50% do humor dos seres humanos.  A bioquímica da alegria está ligada à secreção do cortisol pelas glândula supra-renais e as pessoas mais felizes têm um nível de cortisol 32% inferior. Foi essa a conclusão do estudo realizado em 1996 pelo mesmo pesquisador David Lykken. Ele comparou dados sobre 4.000 pares de gêmeos idênticos e percebeu que, na maioria dos casos, quando um tem tendência a ver o mundo de modo otimista, o outro tem também – e quando um é pessimista o outro é igual. Ou seja, existe um forte componente genético na nossa tendência a ser feliz. A depressão está ligada aos níveis de cortisol e as pesquisas científicas seguem por este caminho: o cortisol cria uma sensação tóxica no organismo que afeta a mente. Até agora depressão sempre foi tratada com aumento de serotonina. Os medicamentos que tratam os níveis de cortisol ainda não foram aprovados pelos médicos, mas é possível tentar reduzir seus níveis de forma natural.

Clima – Quem pensa que o clima ameno dos países tropicais define de maneira favorável os níveis de felicidade pode estar enganado. O professor Ruut Veenhoven, da Universidade Erasmus, na Holanda, é responsável por pesquisas comparando o nível de felicidade dos países onde a Islândia e a Suécia estão no topo, deixando Grécia e Itália para trás. Ainda assim, os países nórdicos continuam lidreando o número de suicídios e casos de depressão.

Metas – O psiquiatra austríaco Victor Frankl, fez muita pesquisa após ter sobrevivido aos campos de concentração na 2ª Guerra Mundial. Ele constatou que não foram os mais fortes fisicamente que sobreviveram, mas os que tiveram um objetivo claro: escrever um livro, ajudar os outros, rever um filho ou servir a uma religião. As publicações dele a respeito da importância de ter um sentido para viver viraram campeãs de venda e as primeiras frases do livro são: “Sem sentido é uma situação que a mente não suporta”. Leva ao tédio, à depressão e à neurose.

Uma aparência saudável, um bom período de sono, fé, higiene pessoal e tirar férias também caracterizam pessoas felizes, enquanto que a ingestão de álcool e fast-food parecem não contribuir para a felicidade. Uma soma de indicadores que, se não representam a fórmula da felicidade, parecem indicar um caminho promissor para aqueles que têm o êxito pessoal como meta para 2010.”

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Esqueça aquele seu mapa turístico clichê e vamos ao roteiro que interessa:

Bar O Pardieiro (Graça) - local peculiar, público peculiar, nome peculiar. Mas qualquer semelhança...

 

Bar O Magriço (bairro do Lumiar) - o dono bigodudo já foi magro, suponho. Morei perto, mas frequentei mais o concorrente.

Bar O Difícil (Lumiar) - concorrente do Magriço do outro lado da rua. Difícil era eu sair de lá.

Larchonete Otário (Chiado) - otário é quem dá 4,50 naquele churros ou no pastel-morte-súbita, meu Deus! Mas é um local muito frequentado, às vezes por gente pouco esperta, mas frequentado.

Café Tina (Olivais) - mercearia frequentada por donas de casa distintas.

Restaurante Tromba Rija (Santos) - caríssimo, chic, super tradicional. Pode?

Boite Tacão Grande (Bairro Alto) - a boite baixo-astral aonde esta que vos fala bate cartão aos sábados ao som de I can't geeet nooOOo satisfactiooOOoon...

Restaurante Cova Funda (Olivais) - enfim, o lugar certo para você pode comprar a original e revigorante e única e inconfundível Água Pé na Cova.

Ficam faltando aqui o café Rolete dos Putos (Lumiar), por que não fui lá essa semana, e o bar O Gordo (Bairro Alto), por que eu esqueci de levar a máquina fotográfica. Atualizo depois. Mas, e aí? Ganhei a vaga de guia de vocês ou não?

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O momento mais triste do meu dia é acordar às 5 da manhã para trabalhar. Sempre imagino o Chacrinha aparecendo no meu quarto num daqueles jogos de auditório onde o cara fica num aquário de isolamento acústico e o apresentador dispara parguntas absurdas – você trocaria todo o seu dinheiro por mais uma hora de sono? Simmm!!! Você trocaria a sua hora de sono por um cruzeiro na Grécia? Nãoooo!!! Você trocaria uma viagem, um carro, uma casa, uma barra de ouro e um chiclete Bigbig pra continuar dormindo a manhã inteira??? SIMMMMMMM!!! – bem alto. Mesmo que o isolamento acústico não fizesse parte da brincadeira.

Mas o Chacrinha nunca me apareceu e a distribuição de jornais no semáforo começa cedo. Chego eu, depois o pessoal do meu jornal, depois o pessoal do jornal Destak, do jornal Global, a galera dos bombeiros voluntários e, por fim, o sr. Antônio, o pedinte mais popular do mundo. Trata-se de um trabalho que, definitivamente, não é entediante: são 3 minutos de sinal aberto, 2 de sinal fechado e um dia inteiro de pessoas loucas transitando. Eu e meus coleguinhas prediletos (o brasileiro, o sueco, a portuguesa e o cabo-verdiano) estávamos falando sobre isso e eu resolvi fazer o top of crazy do nosso semáforo. Nossos tipos de motoristas cativos são:

O Chato – Esse jornal está amassado.

O Analfabeto – Qual é a manchete de hoje?

O Religioso – Bom dia, minha filha, que Jesus te abençoe, ilumine seu dia, te proteja das motocicletas, da chuva, dos carros, que o anjo da guarda guie o seu caminho e obrigada pelo jornal, fique com Deus.

O Cego – Bem, a gente trabalha fardado: uma camisa com o nome do jornal, um colete com o nome do jornal, um boné com o nome do jornal e, como se não fosse o bastante, uma placa de acrilico amarrada nas costas que faz um grande círculo acima das nossas cabeças com o nome do jornal. Mas vai ter sempre um motorista cego pra perguntar – que jornal você tem?

O Guloso – Estudantes que colocam o tronco para fora da janela do carro em alta velocidade, pontam para o círculo de acrílico em cima das nossas cabeças e gritam: PIRULITOOOOO!!!

O Solidário – Hoje eu vou levar dois jornais pra você poder voltar mais cedo pra casa.

O Leitor – Ele precisa muito de um jornal. Muito. O sinal mal fechou e ele já está no final da fila de carros buzinando e pedindo e gritando – aquiiii, por favoooor, um jornaaaal, por favoooor!

O Pára-Motô – Caminhões com caçamba aberta. Sempre um ferro gruda na placa de acrílico e, quando o sinal abre, arrasta um de nós pendurado pelas costas, preso, desesperado, até um colega correr atrás e gritar para o motorista: pára motô, pára motô!!!

O Curioso – Qual é o seu nome?

O expediente termina, a pessoa troca de farda, sobe no salto e vai para o turno de promotora no shopping, um ambiente tão ou mais propício à aparições inusitadas, eu poderia passar o dia inteiro aqui fazendo uma lista de PESSOAS LOUCAS QUE SURGEM. Fim da noite, os meninos sentados na calçada resenhando as melhores. Outro top of crazy. A gente ganha pouco, mas se diverte.

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