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As coisas

Hoje eu estava numa rua do Centro, muito resignada na fila do caixa eletrônico aguardando para conferir o meu salário (que não saiu, eu já sabia, mas insisto em conferir) quando alguém esbarrou em mim. E nem me viu. E, antes de eu fazer algum comentário malévolo típico, reparei que tratava-se de uma moça tão feliz e saltitante que, bem, deixei pra lá, não é bom mexer com doido, ainda do tipo que fica saltitando numa quinta-feira nublada enquanto o resto do mundo pega fila de banco.

Aí, no fim da rua, eis que reaparece a tal moça saindo da lavanderia. Sorrisão na cara. Carregando um vestido num cabide, daqueles longos de festa, amarelo, enrolado num plástico grande, daqueles que a pessoa precisa levar com as duas mãos, como se ele fosse de vidro, como quem leva um bebê. Ela vinha voltando pela calçada tão senhora da rua, tão dona do mundo, tão confiante do chão debaixo dos pés que, bem, agora fui eu quem saí da frente pra deixar ela passar.

E a moça do vestido amarelo foi a coisa mais bonita que eu vi hoje.

E ali mesmo que eu lembrei que hoje é 30 de Setembro. É o dia da entrega da tese de mestrado à banca! Minha tese está sendo encaminhada hoje, data pelo qual eu sonhei e tive pesadelos nos últimos mil meses, uma data realmente importante dentro do contexto de investimento (de tempo, de graaana, de paciêêência) que eu estou vivendo agora e, tipo, eu deveria estar feliz. E a única coisa que eu senti ao lembrar disso foi… alívio.

Diria Machado, “As coisas não valem pelo que elas são. As coisas valem pelo que nos sugerem!”.

Não paro de pensar na moça do vestido.

Ordinária

Uma semana. Mesmo andando de beje e escolhendo os locais menos frequentados, mais cedo ou mais tarde eu sabia que ia esbarrar com um conhecido que iria, gentilmente, perguntar sobre a minha vida. Desespero.

Compreeendam: nada contra as pessoas. Mas a idéia de ter que racionalizar e verbalizar as diretrizes da minha existência em poucas palavras não só reabre questões antigas como cria problemas que, antes, não existiam. Um simples “e agora, quais sãos os seus planos?” pode ser uma pergunta de elevador para quem faz, mas costuma chegar como uma bofetada para quem ouve.

Vale dizer que nem sempre foi assim. Acho que, sei lá, até os 17 anos, qualquer pergunta que me fizessem envolvendo verbos no tempo futuro descambava numa longa resposta sobre projetos mirabolantes e pretensiosos. Não sei quantas vezes entreti meus interlocutores discursando com chavões de “basta querer”, “desbravar o mundo”, “influenciar o senado” e outras pérolas que só uma jovem pedante poderia soltar. Acho que nunca irritei ninguém a sério por que devia ser até divertido assistir àqueles rompantes megalomaníacos fervorosos. Aliás, acho uma irresponsabilidade isso: deixar a criatura falar o que bem entende até os 20, mesmo sabendo que ela passará o resto da vida pagando a língua. Deviam incluir entre os ritos de passagem juvenis – como as aulas educação moral e cívica, vestibular, auto-escola – também umas lições de coerência-e-auto-imagem. Se alguém tivesse me avisado logo que eu era só uma adolescente típica e banal que não nasceu com uma estrela na testa, eu teria avançado, sei lá, umas dez casinhas no jogo da vida.

O fato é que, na hora de sair do País das Maravilhas, a coisa complica. Depois de ter passado dez anos com cara de sei-fazer-chover-mas-agora-não-quero, você arranja um emprego, uma casa, uma rotina absolutamente ordinária e qualquer pergunta corriqueira de “o que tem feito da vida?” num corredor de shopping termina em gastrites súbitas e horas de divã. Se você virou embaixador da Unicef, é guitarrista profissional e mora num trailler sem endereço fixo, ótimo, a pergunta te cai bem. Mas se você é só um dito cidadão respeitado que ganha quatro mil cruzeiros por mês, pronto, pode vir, dá a mão, a tia mari te entende, pode crer.

Às vezes eu fico me perguntando por que esse tipo de crise existencial atinge, não só a mim, mas à maioria dos meus amigos. A verdade é que quase todo mundo fala mal do emprego, do chefe, do serviço, é tão normal reclamar que eu fico me questionando se os nossos trabalhos são mesmo tão ruins ou se, lá no fundo, a gente acredita que foi predestinado a atividades superiores. Não tem escritório acarpetado que baste para quem tinha a fórmula do sucesso no bolso, gente, tudo seria mais fácil se, lá pelos nossos 15 anos, alguém tivesse sentado num banquinho e avisado logo: “olha, meu bem, sabe isso aí que você tá pensando? Pois é, gata, não vai rolar”.

Se este ato caridoso não salvasse a minha vida, pelo menos me poupava do constrangimento de descobrir sozinha. Ou das frequentes perguntas bem-intencionadas lançadas feito bombas de gás pimenta em recintos fechados que me obrigam a gaguejar qualquer coisa sem sentido até alguém abrir a porta do elevador e eu sair correndo.

Costumo escapar com vida. Embora o meu dia, é claro, esteja perdido.

Carrossel holandês

Quando a gente desembarcou no aeroporto era tanto carpete, veludo, vitrine dourada e lustre de cristal que eu poderia dizer que fiquei desconcertada com tanta opulência, que não me senti à vontade dentro daquele luxo ostensivo. Mas seria uma mentira descarada. Eu tava era adorando tudo aquilo. Eu no meio daquele lugar bonito, com tanta gente bonita, com tanto tapete vermelho, com tanto comissário alto-fino-luvas-brancas sorrindo e abrindo portas e estendendo a mão – you are wellcome, lady Mariana Miranda – ah, isso afeta gravemente o coração de uma moça criada em Brotas, gente. Eu queria era ligar dali mesmo pra minhas tias lá da Bahia: tia Anaaaaa, eu cheguei láááá, eu tô no topooo, conta pros primoooo.

Chovia em Amsterdam, aliás, sempre chove em Amsterdam, o que eu considero muito justo. Por que, bem, não se pode ter tudo na vida. Uma cidade não pode ser bonita + rica + bem-humorada + ícone da liberdade de comportamento no mundo inteiro e ainda ter um sol tropical. Não pode. Seria contra as regras da natureza, as leis da compensação, onde fica a justiça divina? Foi lá que nasceu Van Gogh, foi lá que nasceu Rembrandt, foi lá que começou tanta coisa bacana que o justo mesmo é que chovesse. Granizo. Três vezes ao dia.

A gente deu uma primeira volta pelo bairro e havia barco-casa flutuando com rede na varanda, jardim de foto de calendário, tudo tão doce que nem dava para imaginar aquele cenário virando do avesso durante a noite. Mas vira. Vira uma multidão doida andando no escuro, música, festa, carrossel de neon, gente louca abraçando desconhecidos na rua e pulando na chuva e subindo na mesa e fica fácil perceber que essa fama de que os holandeses vendem cigarro de maconha em todo lugar é uma grande besteira. Não é verdade. Eles vendem picolé de maconha, pirulito de haxixe, chiclete de cogumelo, sorvete de lisérgico, esse negócio de cigarro já saiu de moda há muuuito tempo.  

E eis que a pessoa segue no meio daquela festa, daquela turba, daquela cidade onde você pode andar pelado, tatuar a testa, subir na mesa, mas se atravessar a rua fora da faixa de pedestre, vai preso. Gente, eu só queria passar para a outra calçada! Ser fichada por transgressão e desordem em plena Sodoma européia, meu Deus, é agora que eu vou ligar pra Salvador: vóóó, eu tô dando trabalho na Holandaaaa, maginaaaa!

Sobrevivi. A minha mala, não. Na confusão, molhou a roupa toda, minha mãe já tinha me dito pra comprar outra mala desde sempre e eu pensei: tudo bem, vou comprar agora, uma mochila holandesa deve ser muito mais duradora, confiável, até por que eu não consigo imaginar toda essa gente loira fina-elegante-e-sincera que fala essa língua difícil cheia de consoante e cedilha e trema, de repente, gritando:

– Jeez, neuken ittou de rugzak en klopte alle spullen op de vloer!

(- Eita, porra, a mochila pocou e a tralha foi toda na chom!)

Claro que não, eles são phinos. Mas, gente, quem consegue entrar em loja nenhuma com tanta música tocando lá fora, hein? Com tanta ponte abrindo no meio, com tanta gente dançando naquela Disneylândia para maiores de 18 anos que faz com que qualquer outro ambiente pareça meio sem graça, acho que eu não comprei mochila nenhuma por quê, no fundo, eu não queria fazer as malas. Ah, eu queria era ficar. Nunca mais sair daquele oásis colorido, daquela ilha purpurinada, meu Deus, eu precisava ir embora – eu estou sempre indo embora – e o fato de estar naquela cidade fabulosa nem era mais o problema. O problema era o resto do mundo! Era o resto do mundo que precisava parecer um pouco mais com Amsterdam.

Embarquei sem mala nenhuma, com as coisas caindo do saco. Deixando um pedaço de mim para, quem sabe um dia, ir buscar.

“Se você sentir saudade,
por favor, não dê na vista.
Bate palmas com vontade,
faz de conta que é turista.”

Discretamente

Emprego novo + engarrafamento de freelas + mês de entrega da tese + outras ocupações  que eu arranjei para essa minha vida não são o real motivo pelo qual eu praticamente não vou postar em Setembro. O motivo é que eu vou viajar e só volto no final do mês, mas eu costumo colocar a culpa no resto.

Aliás, é pelo bem de todo o resto que ninguém precisa perceber que eu não estou aqui: os próximos posts estarão com publicações pré-agendadas e os comentários terão aprovação livre. Comportem-se.

(Só estou avisando agora por que não conheço melhor forma de evitar polêmicas do que dar uma notícia no final do expediente. Você despeja a bomba e fecha a porta atrás de você. Todo mundo vai te odiar por umas horas mas, até o dia seguinte, aquela vontade coletiva de te MATAR, provavelmente, já passou).

Adaptação

Acho que uma das minhas vaidades mais sinceras é receber boas indicações. Tipo, numa conversa, alguém bate no seu ombro e diz: leia o livro tal, é a sua cara. Ou ouça aquele disco. Ou visite àquele local. É claro que uma boa indicação pode ter diversas motivações (as preferências do interlocutor, o tipo de relação entre vocês, algum fato isolado), mas gosto de pensar que tem a ver com identidade. Com quem você é. (Ou pensam que você é).

Estes dias me indicaram o filme Adaptação e eu achei genial. Há diálogos ótimos:

– Para escrever sobre uma flor, mostrarei sua trajetória, algo que remonte aos primórdios da vida. Como a flor chegou aqui? Deduzo que todos os seres orgânicos que já viveram até hoje neste planeta são descendentes de uma mesma forma ancestral que adiquiriu vida num processo de evolução e adaptação. Uma jornada que todos empreedemos e que nos une a todos. Segundo Darwin, viemos todos do primeiro protozoário. E aqui estou eu. E estão o Laroche, a Orlean, a orquídea fantasma… todos presos em nossos corpos, presos em momentos da história. (…) Nós partilhamos o mesmo DNA. Meu Deus, e existe coisa mais solitária do que isso?

***

– Darwin escreveu sobre essa orquídea.
– Charles Darwin, o cara da evolução?
– Sim. Segundo Darwin, uma mariposa com um bico de 30 centímetros a polinizava. Todos o chamaram de louco, até que acharam uma mariposa com uma probóscide de 30 centímetros. Quer dizer, bico.
– Eu sei o que quer dizer.
– Não mude de assunto. Não é disputa de quem mija mais longe. O que é maravilhoso é que essas flores têm uma relação especial com o inseto que as poliniza. Cada orquídea se parece com um tipo de inseto que é atraído por ela. Seu duplo, sua alma gêmea. Tudo que ele quer é encontrá-la. Daí ele voa, a avista e a poliniza. Nem a flor nem o inseto jamais percebem a importância deste ato, como saberiam que a sua dança dá vida ao mundo? E dá. Fazendo o que foram programados pra fazer, algo magnífico acontece. Eles nos ensinam a viver. É isso. Quando vir a sua flor, não deixe que nada se interponha no seu caminho.

***

– Sabe por que gosto de plantas? Por serem tão mutáveis. A adaptação é um processo profundo. Temos de descobrir como sobreviver no mundo.
– Mas é mais fácil para as plantas, elas não têm memória. Apenas passam para a fase seguinte. Mas para as pessoas adaptar-se é quase vergonhoso, é como fugir!

***

– Existem idéias, coisas e pessoas demais. Caminhos demais a seguir. Comecei a achar que é importante gostar de algo com paixão, pois isso reduz o mundo a um tamanho administrável.

 

A verdade é que a gente nunca sabe exatamente qual foi o ponto da trama que o interlocutor achou que seria “a sua cara” – pode ter sido a narrativa (confusa) ou a cronologia (invertida) ou algum dos protagonistas (o agricultor megalomaníaco ou o roteirista depressivo ou a escritora prolixa) – mas isso não importa. Importa é que algo num bom filme lembrou a mim. Não é uma vaidade justa? Cada vez que alguém me indica uma obra inteligente, eu ganho uma nova razão pra me tornar uma pessoa insuportável.

 

Pautas parciais

Hoje foi o dia perfeito para uma daquelas discussões sem finalidade prática que terminam sempre em teorizações filosóficas, também sem finalidade prática, dignas de uma tarde de quarta-feira aonde, aparentemente, nenhum dos meus colegas de ofício encontrou ocupação melhor. Contexto: eis que o ser humano A acredita que, para uma instituição filantrópica ser levada a sério, ela só deve beneficiar a públicos-alvo que não tenham nenhuma ligação direta com o perfil dos seus integrantes. Não estamos falando de parentesco. Por exemplo, se uma instituição beneficente contrata um funcionário cadeirante, um imigrante asiático e um ex-dependente químico, por princípio o trabalho deles não deve beneficiar nem grupos de cadeirantes, nem de imigrantes asiáticos, nem de dependentes químicos. Fato que tornaria o simples encaminhamento de doações um processo complexo e subjetivo.

Em oposição, há o ser humano B que, mesmo compreendendo as boas intenções de A, considera estes critérios irrelevantes. E o ser humano B, invariavelmente, sou eu.

Entendo que credibilidade e impacialidade sejam substantivos próximos, já que é mais fácil convencer as pessoas que um problema existe se você não for vítima dele. Ninguém leva a sério quem fala em benefício próprio, tipo, se você quiser convencer alguém de que o que importa é a beleza interior, a única condição para isso é que você não seja, por excelência, feio.

Eis que, no auge da discussão, o ser humano A repete o quanto isenção é sinônimo de credibilidade citando que, por exemplo, é um absurdo que um indivíduo que nasceu na cidade de Salvador da Bahia (eu), é do sexo feminino (eu) e NÃO TEM CARRO (eu) receba tantas pautas sobre racismo, igualdade de gênero e combate à pobreza. Que era parcialidade demais para uma pessoa só.

Silêncio constrangedor no recinto. E nenhum contra-argumento, por quê, bem, é necessário reconhecer: o ser humano A, provavelmente (e infelizmente), está certo.

A discussão prossegue e fica levantada a questão: já que dissertar em primeira pessoa pega mal, sobre o que a gente pode escrever? Bem, você pode lutar por qualquer causa, portanto que ela não seja a sua. Para ter o máximo de liberdade na definição de temas, o ideal é que você tenha o perfil: branco, sexo masculino, heterossexual, entre 25 e 35 anos, renda anual acima de 300 mil dólares, escolarizado, empregado, magro, nascido numa cidade com mais de 2 milhões de habitantes e sem antecedentes criminais – ou seja, o que o IBGE consideraria como o grupo que sofre menos preconceitos na nossa sociedade atual. Aí, sim, não sendo vítima de nada, você teria total liberdade para defender a causa que bem entendesse, certo? Errado. Nem você poderia defender o seu próprio grupo. Até porque sair por aí levantando bandeira pelos homens-brancos-e-heteros-nascidos-não-sei-aonde só pegaria bem lá na Alemanha de 1930, amigo.

O fato é que distribuir pautas de maneira politicamente correta está cada dia mais complicado. Minha sugestão para que você, cidadão comum, não corra o risco de estar falando em causa própria é se interessar, sei lá, pela preservação do mico-leão-dourado. É um tema da moda e não tem erro, ninguém vai te acusar de ser parcial. Isso partindo-se do pressuposto de que você não é amigo, vizinho, sócio, cliente, parceiro, colega, conhecido, irmão, primo, nem parente distante de nenhum mico-leão-dourado. Obviamente.

SUSTO!

(foto: Mateus Magenta)

Chá com bolinhos

Ninguém me perguntou nada, mas eu quero anunciar que não vou votar em Dilma. Não sei que utilidade pode ter essa informação. E se alguém me perguntasse por que eu não vou votar em Dilma, a resposta teria três letrinhas: Irã. E se alguém me perguntasse, já que eu não vou votar em Dilma, se eu pretendo votar no Serra… bem, acho que ninguém iria me perguntar isso. O fato é que, tanto aqui quanto em outros países, está havendo uma mobilização do TRE para que os brasileiros residentes no estrangeiros tenham a oportunidade de participar das eleições presidenciais de 2010. Uma campanha de ufanismo bobo (expressão redundante) que custará mais reais, euros, libras e dólares do a gente gostaria. Principalmente por que eu não consigo imaginar por que os milhares de brasileiros que desistiram do Brasil e foram viver suas vidas em outros lugares estariam, assim, tão loucos pra votar.
 
Minha sugestão é que gastassem todo esse dinheiro comprando grandes doses de fosfato para os eleitores residentes. Pra melhorar a memória. Sabe, me preocupa saber que o nosso atual presidente continua se encontrando amigavelmente e oferecendo chá com bolinhos a ditadores extremistas. E que grande parte dos brasileiros não reprova o fato do Irã ter armas nucleares. E que tudo isso deve estar acontecendo por que, no fundo, a gente guarda certo romantismo marxista dentro da gente, certo idealismo adolescente que acredita que qualquer ato anti-imperialismo-americano é louvável. Não beber Coca-Cola, não comer McDonald’s, usar camisa do Che Guevara, sei lá, apoiar o Irã. Se Israel estiver a favor dos norte-americanos, a gente fica contra Israel. Se o Irã estiver contra Israel, a gente fica a favor do Irã. E se o Irã estiver montando uma bomba-atômica, a gente… ignora e oferece chá com bolinhos.

Me choca um pouco ter Lula como presidente. E me choca muito saber que a corrida militar mundial recomeçou. Mas o que me desespera mesmo é saber que, onde quer que eu esteja, serei obrigada a votar nas malditas eleições de 2010.

Eu citei Glee aqui semana passada e muita gente abanou a cabeça dizendo: pois é, esse filme é ótimo. Realmente é ótimo. Só não é um filme.

Daí eu resolvi fazer um resumo das principais séries da Fox para todo mundo que não assite tv a cabo e cansou de fazer cara de paisagem diante desse blog. Não uma sinopse, mas uma resenha teórica mesmo. Até por que a minha capacidade de teorizar sobre o banal é infindável. Quer encontrar um sentido místico para um fato completamente desimportante? Me procure. No começo você vai pensar que eu sou uma louca, mas, depois de uma hora de conversa, você vai descobrir eu que sou… uma louca bem convincente. Encontrar sentido onde não há? Yes, we can.

Fox passo-a-passo:

GLEE – Uma série para crianças. Mas, quem não o é, né, gente? Muitas palmas para esse coral em Rehab. Atenção para esse ensaio de Total Eclipse of the Heart que resume um pouco do espírito da série: uma música bacana, um clip ruim, uma protagonista dançando em roupas estranhas, um galã esquecido num canto naquela vibe “meu melhor amigo me traiu, a Rachel me trocou, ninguém quer falar comigo e eu vou contar tudo pra minha mãe”, além das cenas com o Finn sempre sofrendo pra cantar os agudos. Tente baixar um pouco o tom, binho.

LOST – Sabe ordem cronológica? Eles, não.

BONES – Da mesma forma que eu fiz jornalismo por causa de Clark Kent, eu seria capaz de fazer antropologia por causa de doutora Brenda. Fato. Ela é um dos personagens mais coerentes que eu conheço. Vale dizer que coerência não tem nada a ver com bom senso: é viver de acordo com o que você acredita, por exemplo, se você defende que a lei da gravidade não existe, é coerente que você passe o resto da vida andando de cabeça para baixo. Os coerentes não relativizam nada. End I love it.

LIE TO ME – Admiro a carreira do ator protagonista, atua bem, fez filmes bacanas, então eu nem vou comentar nada sobre a síndrome de deus nem sobre as ombreiras de espuma. Ele é tosco, mas é meu amigo.

BUFFY – Imagine Crepúsculo reprisando in-de-fi-ni-da-men-te…

HOUSE – Eu entendi tudo sobre a série depois que descobri que o diretor dela é o próprio ator que faz o House. Claro. Por que se EU também escrevesse uma história  onde EU mesma fosse a protagonista, o MEU personagem também poderia fazer tudo o que EU quisesse e todos os outros personagens obedeceriam a MIM. Sono. Desde o primeiro episódio que eu torço para a dra. Cuddy, a diretora do hospital, ficar de uma vez por todas com o… Wilson. Sério. O Wilson é o cara!

THE EX LIST – Com tanto homem sem camisa no elenco, roteiro coerente pra quê, né, queridos?

ANATOMIA DE GREY – Roteiristas com surtos homicidas. Não bastava a prática pouco sutil de renovar o elenco periodicamente distribuindo doenças letais entre todos os pacientes/figurantes, eles começaram a matar também OS MÉDICOS! Quarta temporada: a Izz com câncer, o O’Malley atropelado, a Cristina sufocando, a Grey passando mal e eu… não vou nada bem.

CLÍNICA PRIVADA – Cooper, que amava Violet, que amava Pete, que amava Addison, que amava… zzzz…

DEXTER – Enquanto o Dexter não estiver fazendo o papel de cadáver, não me interessa.

Pronto, depois deste resumo, você que não entende nada sobre séries de tv já tem bons motivos para ficar feliz por não entender nada sobre séries de tv. E continuar gastando seu tempo livre na praia, claro.