Eu sou paga para conhecer e falar sobre novidades todos os dias. Era para ser perfeito. Acho que o Jornalismo consiste, basicamente, em aprender coisas novas e explicá-las aos outros – uma incubência de contar e recontar histórias que, de fato, já era uma vocação nata (eu sou a Sra. Forrest Gump, bom dia) e talvez a escolha desta profissão seja apenas uma estratégia do Cosmos para me obrigar a falar sobre outros temas e não tão somente sobre a minha ilustre pessoa. Mas é inevitável perceber que há algo errado com o seu ofício quando você, dona da vasta coleção de DOIS ALL STARS SURRADOS, precisa escrever uma coluna sobre a diferença entre mocassins, mules e escarpins.
Compreendam: nenhum trabalho de pesquisa consiste, necessariamente, em vivenciar os fatos, mas em compreendê-los – eu, por exemplo, não conheço nenhum médico que tenha se jogado de um carro em movimento só para entender um pouco mais sobre fraturas ósseas – mas este desconhecimento empírico sempre causa algum constrangimento. Céus, o que pensar de alguém que passa a manhã escrevendo com a propriedade de um diplomata sobre a importância da dedução de impostos para instituições de médio porte, mas, no horário de almoço, mal consegue compreender os números do próprio extrato bancário?
Meu Deus, eu sou uma fraude.