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Posts Tagged ‘istambul’

Foi a primeira vez em que eu ouvi falar sobre o “dourado vago de Istambul”. Eu sabia que, depois daquele livro, iria procurar pela “Cabeça de Calcário”.

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“Apaixonara-se, na juventude, por uma pequena cabeça de pedra calcária branca. Tinha um nariz inteiro e uma coroa alta, intacta. / A cabeça parecia trazer, do muito remoto, o rumor de pequenos pés descalços em pisos decorados e noites de silêncio à margem de um rio esquecido. / Agora que comprara a cabeça, tinha algumas dúvidas dentro da sua, dormia menos e não sabia onde colocar aquela coisa que perturbava a mente com pensamentos novos. /

/ Era moço e tinha medo, recém-casado. A vida ia mudar e precisava enterrar o que não viria mais do lado oculto do acaso. Encerrar a cabeça numa caixa fora o modo de guardar as possibilidades intactas, e seria o modo de preservar os dias de volta de esperança do oásis da juventude: ali, o vazio com o objeto no meio da serragem seria a parte oculta daquele lado, escondida entre as dobras dos dois atos: encontrar e guardar, ou guardar e esperar pelo dia em que tudo lhe parecesse mais vazio que o tanque de peixes do parque abandonado. / Tudo era como aquilo: a ausência, numa caixa.”

(A Cabeça de Calcário / Fernando Monteiro)

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Fotos de Ara Guler

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“É a resignação que alimenta a alma introspectiva de Istambul. Para ver a cidade em preto e branco, para ver o nevoeiro que paira sobre ela e inspira a melancolia que seus habitantes adotaram como seu destino comum, você só precisa chegar de avião de alguma rica cidade ocidental e rumar diretamente para as ruas lotadas. Se for inverno, todo homem que passar pela ponte de Gálata estará usando as mesmas roupas surradas, sombrias. Os istambullus da minha era abandonaram os vermelhos, verdes e alaranjados brilhantes de seus ancestrais ricos e orgulhosos. Para os visitantes estrangeiros, parece que fazem de propósito. (…) É assim que se veste uma cidade em preto e branco, parecem dizer. É assim que se veste o luto por uma cidade que vem declinando há 150 anos.” (pg. 51-52)

“Aqui, no ponto em que a melancolia se mistura ao prazer, é que percebo as pequenas descontinuidades que são só perceptíveis para aqueles que conhecem o Bósforo muito bem. Quando chega o momento de deixar aquele paraíso perdido para retornar à minha vida atual, o efeito também opera na direção oposta. É uma espécie de escuridão. Só alguém que tenha vivido aqui pelo menos dez anos poderia saber que essa escuridão é do tipo que vem de dentro.” (pg. 78)

(Orhan Pamuk / Istambul, Memória e Cidade)

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