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Posts Tagged ‘mariana miranda’

Dom Casmurro Blog

“Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do Céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do Céu conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão gozado no Céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados do inferno. Este outro suplício escapou ao divino Dante; mas eu não estou aqui para emendar poetas. Estou para contar que, ao cabo de um tempo não marcado, agarrei-me definitivamente aos cabelos de Capitu, mas então com as mãos, e disse-lhe, — para dizer alguma coisa, — que era capaz de os pentear, se quisesse.”

(Machado de Assis / Dom Casmurro, cap. XXXII)

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“Os anjos nunca chegaram
Mas eu posso ouvir o coro…”

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#35

voces vao ser arrepender de nao terem flertado comigo antes

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Ouso dizer que não é um grande livro (se você abandonar este blog a partir daqui, eu vou compreender), mas que vale dois ou três grifos e uma consideração sobre os protagonistas idosos de García Márquez: sempre sinuosos, sarcásticos, não valem naaaaada.

“Nunca fiz nada diferente de escrever, mas não tenho vocação nem virtude de narrador, ignoro por completo as leis da composição dramática e se embarquei nessa missão é por que confio na luz do muito que li pela vida afora. Dito às claras e às secas, sou da raça sem méritos nem brilhos, que não teria nada a legar aos seus sobreviventes se não fossem os fatos que me proponho a narrar do jeito que conseguir nesta memória do meu grande amor.” (pág. 11)

“É um triunfo da vida que a memória dos velhos se perca para as coisas que não são essenciais, mas raras vezes falhe para as que de verdade lhe interessam. Cícero ilustrou isso de uma penada: não há ancião que esqueça onde escondeu o seu tesouro.” (pág. 14)

“Passei uma semana inteira sem tirar o macacão de mecânico nem de dia em de noite, sem tomar banho, sem fazer a barba, sem escovar os dentes, por que o amor me mostrou tarde demais que a gente se arruma para alguém, se veste e se perfuma para alguém, e eu nunca tinha tido para quem. (…) Então compreendi até que ponto o sofrimento tinha me corrompido. Não me reconhecia na minha dor de adolescente. Não tornei a sair de casa para não descuidar do telefone. Escrevia sem desligá-lo e, no primeiro toque, pulava em cima dele pensando que poderia ser Rosa Cabarcas. Interrompia a cada tanto o que estivesse fazendo para ligar para ela, e insisti até compreender que aquele telefone não tinha coração.” (pág. 93-94)

(Memória de Minhas Putas Tristes / Gabriel García Márquez)

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“A infância é um lugar de exílio. Se não tivermos, em qualquer sítio do coração, uma infância, onde nos refugiaremos quando os ladrões vierem para nos roubar a inocência e os sonhos e quando os assassinos baterem à porta? Se não tivermos uma pequena infância que seja (um jardim longínquo, um vago quarto de dormir perdido), onde guardaremos os segredos mais secretos e onde brincaremos ainda? E quem nos responderá quando, diante do nosso rosto no espelho, nos virmos e não nos reconhecermos? Ou quando, nos dias de infelicidade, chamarmos pelo nosso nome?”

(Manuel António Pina / O Anacronista)

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#34

tirinha do snoop

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“Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.”

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(Lisboa, 3 de janeiro de 2013, 7 graus)

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“Por que o cinema não filma um rio? Um rio inteiro, um rio sem fim, um Amazonas que encontrasse o Tejo e se misturasse ao Nilo? Esse supergrande rio dos rios, fluindo em sua fuga, passando como um trem passa pela água escura dos túneis, esse rio não seria um sucesso de bilheteria?”

(Fernando Monteiro / Aspades)

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(Lisboa, 01 de janeiro de 2013, 7 graus)

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#33

#33

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