Do topo à bancarrota em 400 páginas. Recomendo.
“A felicidade, observou certa vez Maury Noble, é apenas a primeira hora depois de nos livrarmos de um sofrimento particularmente intenso. Mas o rosto de Anthony ao caminhar pelo corredor do décimo andar do Plaza naquela noite! Seus olhos brilhavam, estava mais belo do que nunca, destinado a um daqueles momentos imortais que acontecem de forma tão radiante que sua luz é suficiente para iluminar anos.” (pág. 125)
“Ocorreu-lhe que todas as classes muito distintas, como a classe militar, dividiam os homens em dois gêneros: os que a ela pertenciam e os que estavam de fora. Para os padres, havia sacerdotes e leigos. Para os católicos, os católicos e não-católicos. Para os negros, pretos e brancos. Para os presos, os presos e os livres. Para os doentes, os enfermos e os sãos. Assim, sem jamais ter pensado nisso, fora civil, leigo, não-católico, branco, livre e são.” (Pág. 314)
“Acho que em determinado período eu poderia ter obtido qualquer coisa que quisesse, dentro de limites, mas aquilo era a única coisa que eu já quisera ardentemente. Meu Deus! E isso me ensinou que a gente não pode ter nada, não pode ter nada mesmo. Por que o desejo simplesmente te engana. É como um raio de sol que pula para lá e para cá dentro de um quarto. Quando pára e doura algum objeto sem importância, pobres tolos que somos, tentamos pegá-lo; mas quando conseguimos, o raio muda para outra coisa, e você fica com a parte sem valor, pois o brilho que lhe fez querê-la foi embora.” (Pág. 319)
“- O que foi feito de todos que conhecíamos e que tinham tanto em comum conosco?
– Afastaram-se – disse Muriel, com o olhar devidamente sonhador.
– Mudaram – disse Glória – Todas as qualidades que não são usadas na vida diária acabam se deteriorando.” (Pág. 380)
(F. Scott Fitzgerald / Os Belos e Malditos)
