O primeiro problema não é a saudade, nem é o sotaque, nem é a Polícia Federal. O primeiro problema de quem chega aqui, sem dúvida, é o banho. Laguei a mala, peguei minha sacolinha e fui para o banheiro – coletivo. Depois de tirar o primeiro dos 6 casacos, comecei a me perguntar o que foi mesmo que eu vim fazer tão longe de casa. O frio congelando os meus músculos, nervos e ossos de uma vez só feito um x-man, último episódio – poderes do ártico, avançar! – acho que foi o banho mais demorado da minha vida. Aqui, não tirar a roupa é uma questão de sobrevivência. O que, aliás, me fez refletir: qual é mesmo a dificulade dos cientistas para explicar o decrescimento demográfico nos países europeus? Bom, mas isso já é um outro assunto.
No corredor, algumas estudantes conversavam numa linguagem que eu acredito que jamais, em toda a minha vida, vou conseguir compreender. Volto para o meu quarto onde há um guarda-roupas de mogno, um chão de carpete e um bidê – não, eu não me hospedei num museu – e reforço a armadura anti-poderes-do-ártico até me sentir, mais ou menos, como os astronaltas devem se sentir dentro de suas roupas. E desço para o almoço.
– A que horas sai o almoço?
– Opa, nós não servimos almoço. Só um pequeno almoço e um jantar.
– Tudo bem, pode ser um pequeno almoço mesmo, não tem problema. Estou com pouca fome – menti.
– Este é servido às 7h, pá.
– Vocês almoçam às 7h? E a que horas sai o café, às 3 da madrugada?
– Hum? Que disses?
– Nada, eu vou comprar um sanduíche. Obrigada.
Decido escovar os dentes, volto para o meu quarto – esqueci que o quarto não tem banheiro. Volto para o corredor, vou para o banheiro, todas as pias ocupadas. Volto para o quarto. Resolvo entrar na internet, mas no quarto não há tomadas, vou pra sala de informática, acho um computador vago, conecto, o que é pequeno almoço? Significa café-da-manhã. As pessoas continuam conversando naquele dialeto estranho. Hora de outro estudante conectar, deixo o computador, volto para o quarto. E concluo: num albergue, a questão não é a coletividade. O problema são as pessoas, entende? A coletividade é linda: é politicamente correta, exercita a fraternidade e facilita o surgimento de novas amizades. O que atrapalha tudo isso são os seres humanos. Eles ocupam muito espaço.
Coloco o mochilão nas costas e saio pelo portão. Com uma curiosidade enorme. E uma fome absurda.
Morri de rir … queremos um post sobre a universidade!
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Tadinha amiga!!
Conte sobre a universidade!!
Bjs!!
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GUERREIRA…
UM DIA VC ENTENDE A LINGUAGEM DELES, É QUESTÃO DE ADAPTAÇÃO
SRSRRSRSR
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