Quando eu digo neste blog que a minha vida conspira para o improvável, eu estou sendo eufemista. Não é bem assim. Na verdade, a minha vida conspira para o impossível, para o absurdo, para o realismo fantástico. Vamos visualizar a cena: domingo, enfim, eu fui chamada para a vaga de vendedora de jornais. Aprovada em último lugar da segunda lista – bem, qual seria mesmo o meu mérito se eu passasse em primeiro lugar entre os jornaleiros? Nenhum. Mas eu fui aprovada em último. Sem comentários.
Primeiro dia de trabalho: o semáforo fecha, vamos ao primeiro carro, depois ao segundo, escapamos da tentativa de assassinato da primeira motocicleta enlouquecida, vamos ao terceiro carro, ao quarto, nos jogamos em cima do quinto para escapar da outra moto, sexto carro, sétimo, o sinal vai abrir, oitavo carro, o sinal abriu, o nono carro quer jornal, você vai até lá, os outros carros aceleram e o décimo fica buzinando pra você sair da frente, você corre da pista e pronto. Agora é só andar cem metros de volta para o semáforo e começar tudo de novo. Algo semelhante aos jogos do Nitendo: o Sonic precisa pular os obstáculos, fazer pontos, completar o percurso e, se possível, sobreviver até a próxima fase onde, com sorte, chegará ao final do jogo para, então, receber o grande prêmio: um bauzinho com cinco moedinhas. Um resumo ilustrado da minha existência.
Mas eis que, no meu primeiro dia de serviço, começa a esfriar de repente. Mas eis que, no meu primeiro dia de serviço, começa a escurecer. Mas eis que, ainda no meu primeiro dia de serviço, cai um dilúvio bíblico. Só que ficar ensopada e moribunda num semáforo gelado o dia inteiro é improvável, mas não é impossível. Impossível seria se São Pedro, ao invés de mandar chuva, jogasse pedra lá de cima, correto? Não bastava chover. Tinha que chover granizo.
Um barulho ensurdecedor, o povo louco na rua, carro batendo, uma gritaria, eu correndo pra debaixo de um viaduto, gente fugindo para o metrô, para as lojas, pra dentro dos ônibus e a minha pessoa, que nunca tinha visto nada parecido, com a mochila na cabeça, desesperada: o mundo vai se acabar agora e eu vou entrar no Armagedom com o uniforme do jornal?? Socorro!!!
Mas amanhã não vai chover pedra. Amanhã vai chover, sei lá, chave de fenda, colher de pau, centenas de torradeiras elétricas. Depois de amanhã, pianos de cauda. Games eletrônicos, educação de crianças e a minha vida: a próxima fase é sempre a mais difícil.
Mariana, as vezes eu não acredito que aconteça mesmo…Ri um bocado! E imaginei toda a situação! Bjos
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Aff amiga…vai passar….logo vc volta p aproveitar td q merece.
Se n fosse trágico essa história seria cômico…rsrsrs
Bjs!
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