Eu poderia escrever muitas coisas interessantes nesse blog se eu não perdesse tanto tempo ficando chocada. Leio o jornal e passo o dia tendo crises. De novo. É fato que esse costume de ler notícias já deveria ter sido cortado da minha dieta a muito tempo e acho que só não o faço por certa ressaca moral, afinal, se não me falha a memória, um dia na minha vida eu me formei em Jornalismo e a idéia de ignorar as notícias do mundo para sempre poderia pegar mal, suponho. Daí eu leio os jornais. Mesmo sabendo que o melhor para a minha saúde mental seria ler, sei lá, revista Cláudia.
Houve um terremoto na Turquia, houve um terremoto no Chile, houve uma inundação na Madeira e, cada vez que este ser humano lê uma notícia assim, se convence de que o mundo está acabando e deprime. Enquando os amigos transformam informação jornalística em solidariedade, angariam donativos, viajam como voluntários, mobilizam as pessoas, eu faço a minha parte para mudar o mundo: me tranco no quarto e choro. Muito útil.
O problema das notícias não são os desastres naturais, o problema são as pessoas. Houve um terremoto no Haiti? Tudo bem, essas coisas acontecem, malditas placas tectônicas. Está havendo mais fome no Haiti do que já havia antes? Uma tragédia sobre outra tragédia, mas, vamos lá, todo mundo pode ajudar a mudar isso. Estão ROUBANDO OS REMÉDIOS DOS HAITIANOS PARA TROCAR POR GASOLINA??? Bem, aí já é demais pra minha sanidade. Choro baldes.
Surto, grito, me tranco no quarto, digo que não quero sair, não quero jantar, NÃO QUERO MAIS IR PRA MADRID 4 HORAS ANTES DO VÔO, não quero mais viver, o mundo não presta, me deixem em paz, eu quero morreeeeerrr!!! Sou arrastada para o aeroporto em prantos cataclíticos. Durmo. E, no dia seguinte, acordo normal, saltitante, falando as banalidades de sempre. Medo.
O pior é saber que isso não é recente, gente, quem não lembra das minhas milhares de cartas insanas para o jornal A Tarde depois do tsunami de 2004?? E os textos alucinados que eu grudava nas paredes da faculdade sobre o trabalho infantil na China?? Ainda que eu tivesse a esperança insólita de estar ajudando à distância, bem, a gente sabe: distância é para os fracos. Quem quer mesmo ajudar pega um avião pra lá e pronto, não fica em casa tendo surtos. Essa é a diferença abissal entre uma pessoa que é realmente solidária e uma pessoa que é, simplesmente, louca! Quem é do tipo que grita, baba, rasga dinheiro, ameaça raspar a cabeça mas nunca faz nada levanta a mão: o/
Aí chega o terremoto da Turquia – dois dias sem trabalhar, sem estudar, sem sair de casa – e, agora, este momento de consternação: sentar no sofá e calcular o prejuízo prático e financeiro da minha última crise (nem vamos falar do prejuízo moral, por que não trabalhamos com números negativos). Vou ter que trabalhar no fim de semana pra compensar, vou ter que fazer um e-mail de retratação por não ter enviado as matérias da revista, vou ter que negociar as faltas na faculdade e vou ter que passar a cem mil metros de distância de qualquer banca de jornal nos próximos 15 dias. Por isso, desculpem a interrupção, já estamos de volta, seguimos agora com a nossa programação, uma boa noite a todos.
(Pronto, terminei o post. Podem chamar o psiquiatra.)
Precisamos de “loucos” como vc prá nos dar um soco e levantar nossa bunda grande e gorda da cadeira de balanço, onde ficamos a contemplar o mundo, criticando, chorando e sorrindo…mas não passa disso! Vc tá além, com toda sua psicose, ou será nóia? ou será sandice? ou será enxergar com o coração?? Vai lá saber!
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kkkkkkkkkkkk
Jura q aconteceu td isso???
O mundo é dos loucos sensíveis amigaaaaaaaaaa
Bjs!!
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