Voltei. Depois de fazer drama, de dizer que não queria ir embora, que queria morar lá, embarquei choramingando. E eu sempre volto choramingando. Por que pra todo lugar que eu viajo eu decido que quero morar lá, onde quer que seja lá, Pantanal, Pólo Norte, Feira de Santana, não importa, se alguém me desse alguma osadia na vida eu já teria estabelecido residência em uns dez lugares por ano. Assim, sem nenhum tipo de critério. Num mundo tão grande, critério pra quê, né?
Pior que eu cheguei e gripei. Depois de mais de um ano absolutamente saudável, não faço idéia de aonde estão os remédios que eu trouxe do Brasil, o corpo dói, a garganta dói, a cabeça é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. Não sei em quem colocar a culpa: no fato de ter dormido no chão, na metereologia ou no picolé do aeroporto. Provavelmente, no picolé.
Mas, em segundo lugar, a culpa fica sendo da metereologia. Imagine a cena: você está num lugar onde a paisagem à sua direita é absolutamente glacial – a cordilheira do Atlas coberta de gelo, neve, granizo, Papai Noel em trenó com renas e tal. E, imediatamente à sua esquerda, nada menos que o deserto do Saara, com direito a camelos, cactos, Ali Babá e os quarenta ladrões assando lagartixas no espeto sob um calor escalifante e sol, muito sol. Uma paisagem estranhamente ao lado da outra e você ali, bem no meio, feliz, contente, congelando de noite e fritando de dia feito comida de microondas – céus, isso não é choque térmico, é eletrocutamento climático!
E nem é preciso ser muito observador pra perceber que todas as outras características do lugar também são assim: elas não têm um meio termo. Na cultura, na religião, nas relações pessoais, em tudo que há de bom e no que há de mal – ou é ou não é. Relativismo é para os fracos.
(Agora eu poderia me deter aqui em narrar as coisas mais fantásticas de Marrocos, porém: 1) acho que o wikipédia faz isso melhor do que eu e 2) eu não sei falar bem sobre as coisas. Mesmo sobre o que eu amo, meu talento é pra falar mal.)
E, por fim, chego de viagem e trago de suvenir essa gripe de derrubar muro. Putz, eu tô mal. Acho que só vai me restar ir à farmácia comprar uma vitamina C ou uma aspirina ou um anti-térmico ou adquirir todas as opções disponíveis e misturar tudo num batido genérico contra febre, constipação, chulé e mal-olhado, por que eu tô tossindo o suficiente pra cospir o pulmão.
É isso. Sem melhoras temporariamente, o pulso ainda pulsa. I will survive.
Já tentou conhecer a terra de James Joyce e Oscar Wilde??
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Sabe, quando eu crescer quero ser igual a você (com ou sem gripe, tanto faz!)
Putz, eu ri alto…
Abraços, melhoras
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Ai Mari,
Com certeza você sobreviverá por mais 1000 anos para nos deliciiar com seus escritos. Acho que me influenciou a colocar Marrocos em meu roteiro (era para ser esse ano rs)
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Rsrsrs
Amiga como sempre uma delícia de texto.
Espero q esteja bem e forte….estou c saudades. Entra no msnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn
Bjs!
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