Responda em cinco segundos: se você precisasse escrever uma reportagem de 4 laudas sobre um tema, você falaria sobre oquê? Cinco, quatro, três, dois, um… tempo esgotado. Decidiu?
Provavelmente, não. No máximo, cogitou assuntos diversos sem se focar em nenhum. Pois é assim que eu me sinto cada fez que me chega uma pauta onde a descrição do tema é: livre. Eu sofro. Num universo de mil possibilidades, ter que escolher uma e renunciar às outras novecentos e noventa e nove. Acho que eu deveria ter incluído uma cláusula no contrato que proibísse as empresas de delegarem pautas livres a pessoas do signo de gêmeos. Passei tanto tempo achando que eu só seria uma pessoa feliz e realizada no dia em que os veículos me delegassem decisões assim, no dia em que confiassem o leme de suas publicações ao sabor do meu bom senso e agora, gente, cadê o meu bom senso?
Às vezes eu acabo escolhendo um tema que seja útil… pra mim. Bem, já que eu vou ter que dedicar horas do meu dia a pesquisar um assunto qualquer, que pelo menos seja um assunto do meu interesse – o que está longe de ser o melhor critério, mas, bem, fazer o quê? Mês passado eu acabei escrevendo uma sobre justamente isso: metas de vida que a gente tem certeza de que nos farão alegres e realizados mas que, depois, tornam-se uma cilada. A idéia era fazer uma coletânea das opiniões de cientistas e sociólogos sobre o que realmente tráz felicidade às pessoas, estatisticamente falando – pra fugir das interpretações tradicionais (psicanalítica, religiosa etc) ou intuitivas (auto-ajuda) e levar o assunto de maneira numérica mesmo. O resultado agradou muito ao editor, mas isso só piora o meu problema. Por que eu nunca sei exatamente OQUÊ agrada as pessoas. Ele ficou feliz por quê gostou do muito do tema ou por quê as fotos era legais ou por quê simplesmente o material foi entregue no prazo ou por quê…? (eu poderia ficar aqui hipotetizando indefinidamente).
Enfim, enquanto eu continuo escolhendo entre 935.072 opções de pauta para hoje, vou postar aqui um pedacinho daquela matéria (enorme) do mês passado, confessadamente escrita em nome de interesses pessoais. Não é possível que esses cientistas que vão à Lua, criam a fibra óptica e desintegram o átomo em mil partículas iguais não tenham nenhuma pista de qual seria a fórmula da felicidade.
“Para entender melhor o que é verdade e o que é mito na busca pela felicidade, alguns cientistas aprofundara-se em temas que, de acordo com a filosofia tradicional, seriam responsáveis pela nossa realização pessoal:
Casamento – apesar das pessoas casadas representarem uma parcela majoritária no número de pessoas felizes, o casamento não muda, nem para melhor nem para pior, os níveis de felicidade. Segundo uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Richard Lucas, da Universidade do Estado de Michigan, Estados Unidos. Lucas passou 15 anos entrevistando solteiros e casados na Alemanha e pedindo que eles dessem notas de 0 a 10 para seu estado de felicidade. Os solteiros tinham média 7,28. No momento em que eles casavam, o valor aumentava muito: para perto de 8,5. Mas dois anos depois a média já era de exatamente 7,28 outra vez. Ou seja, os felizes casam mais, mas a razão da felicidade não é, necessariamente, o casamento.
Religião – De acordo com o estudioso da religião Michael McCullough, da Universidade de Miami, o indivíduo encontrar um sentido para a própia vida é primordial para a sua felicidade. Sua pesquisa mostra que as pessoas religiosas consideram-se, na média, mais felizes que as não-religiosas – elas também têm menos depressão, menos ansiedade e suicidam-se menos.
Trabalho – Mihaly Csikszentmihalyi, pesquisador da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, estuda um fenômeno cerebral chamado “fluxo”, que ocorre quando o engajamento numa atividade torna-se tão intenso que dá aquela sensação boa de estar completamente absorto, a ponto de esquecer do mundo e perder a noção do tempo. Ou seja, é um estado de alegria quase perfeita. Este “fluxo” pode ser identificado em profissões ou, em alguns casos, em pessoas que exercem hobbies, praticam atividades físicas ou tocam instrumentos musicais.
Dinheiro – Estados Unidos, Japão e países da Europa multiplicaram sua renda per capita por quatro ou cinco vezes nas últimas décadas. Mas, quando pesquisadores perguntam a americanos, japoneses e europeus se eles se sentem mais felizes, as respostas mantêm-se estáveis se comparadas às respostas dadas nos anos pós-guerra. Apesar de comprovarem que dinheiro não traz felicidade, as pesquisas também mostram que certa segurança financeira normal ajuda a ser mais feliz e menos tenso. Pessoas com média salarial abaixo dos 25 mil dólares por ano apresentam problemas de satisfação, enquanto pessoas com uma média salarial acima de 25 mil têm níveis de felicidade semelhante, ainda que ganhem 26 mil ou 100 mil por ano.
Ganhar na loteria – Segundo um estudo realizado em 1978, na Califórnia, pelo psicólogo David Lykken, que trabalha no Centro de Estudos Avançados em Ciências de Comportamento da Universidade de Minnesota, ganhar na loteria não altera o modo de vida do ganhador. O sortudo terá picos de felicidade durante os primeiros meses, mas logo voltará à sua média de felicidade anterior.
Saúde – Ainda de acordo com a pesquisa do psicólogo David Lykken, a manutenção das médias de satisfação também acontece com pessoas que sofrem acidentes de carro e tornam-se tetraplégicas: sofrem picos de tristeza durante os primeiros meses e depois retornam às médias de felicidade anteriores ao episódio. Ou seja: não são os fatores externos que definem a média de felicidade de um indivíduo.
Genética – Hormônios e enzimas são responsáveis por 50% do humor dos seres humanos. A bioquímica da alegria está ligada à secreção do cortisol pelas glândula supra-renais e as pessoas mais felizes têm um nível de cortisol 32% inferior. Foi essa a conclusão do estudo realizado em 1996 pelo mesmo pesquisador David Lykken. Ele comparou dados sobre 4.000 pares de gêmeos idênticos e percebeu que, na maioria dos casos, quando um tem tendência a ver o mundo de modo otimista, o outro tem também – e quando um é pessimista o outro é igual. Ou seja, existe um forte componente genético na nossa tendência a ser feliz. A depressão está ligada aos níveis de cortisol e as pesquisas científicas seguem por este caminho: o cortisol cria uma sensação tóxica no organismo que afeta a mente. Até agora depressão sempre foi tratada com aumento de serotonina. Os medicamentos que tratam os níveis de cortisol ainda não foram aprovados pelos médicos, mas é possível tentar reduzir seus níveis de forma natural.
Clima – Quem pensa que o clima ameno dos países tropicais define de maneira favorável os níveis de felicidade pode estar enganado. O professor Ruut Veenhoven, da Universidade Erasmus, na Holanda, é responsável por pesquisas comparando o nível de felicidade dos países onde a Islândia e a Suécia estão no topo, deixando Grécia e Itália para trás. Ainda assim, os países nórdicos continuam lidreando o número de suicídios e casos de depressão.
Metas – O psiquiatra austríaco Victor Frankl, fez muita pesquisa após ter sobrevivido aos campos de concentração na 2ª Guerra Mundial. Ele constatou que não foram os mais fortes fisicamente que sobreviveram, mas os que tiveram um objetivo claro: escrever um livro, ajudar os outros, rever um filho ou servir a uma religião. As publicações dele a respeito da importância de ter um sentido para viver viraram campeãs de venda e as primeiras frases do livro são: “Sem sentido é uma situação que a mente não suporta”. Leva ao tédio, à depressão e à neurose.
Uma aparência saudável, um bom período de sono, fé, higiene pessoal e tirar férias também caracterizam pessoas felizes, enquanto que a ingestão de álcool e fast-food parecem não contribuir para a felicidade. Uma soma de indicadores que, se não representam a fórmula da felicidade, parecem indicar um caminho promissor para aqueles que têm o êxito pessoal como meta para 2010.”
muito interessante, Mari.
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Pôxa. muito bom! conheço essa teoria de Frankel (viveu na prática). Agora minha teoria (que ousadia diante deuma quase doutora rs) diz que ohomem nasceu com um lugarzinho vazio dentro dele e enquanto ele não colocar o que falta neste lugar.. a felicidade não virá: DEUS. coincidentemente, as teorias que botam a religião (que não quer dizer exatamernte Deus,mas tudo bem…) parece que o homem realmente apresenta uma certa melhoria..bjs e desculpe a ousadia de uma LEIGA rsrsrsrs
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Uma delícia de texto amiga!!!
Bjs!
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