“E, por fim, há ele. As pessoas se sentem enaltecidas, crescidas em sua presença. Ele não é um daqueles egotistas que miniaturizam os outros. É o tipo oposto, impelido pela grandiosidade, e se insiste numa versão sua mais engraçada e estranha, mais excêntrica e profunda do que você imagina, fica quase impossível não acreditar, pelo menos na presença dele, que ele é o único que enxerga a verdadeira essência, que pesa as verdadeiras qualidades e que aprecia você de uma forma muito mais completa do que qualquer outra pessoa jamais o fez. É só depois de conhecê-lo melhor que se começa a perceber que, para ele, você é uma personagem essencialmente fictícia, alguém por ele investido de capacidades quase ilimitadas, não porque essa seja sua verdadeira natureza, mas sim porque ele precisa viver num mundo povoado por figuras extremas e poderosas. Algumas pessoas romperam relações com ele para não ter de continuar como figurantes do poema épico que ele não para de compor na cabeça. Outros, no entanto, sentem prazer no sentido de hipérbole que ele traz para suas vidas, acabam dependendo dela, da mesma forma como dependem de café para acordá-las de manhã e de um ou dois drinques para adormecer à noite.”
(Virgínia Woolf / As Horas)
(Foto: 15 de setembro de 2009)

Você some e depois vem com uma dessas.
Menina, menina …
[Eu trato como se nos conhecêssemos de longa data. Talvez seja um tanto estranho. Mas, me sinto confortável com isso. Estranhamente confortável. Sabe-se lá o porque.]
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