A primeira aula da faculdade começa às sete da manhã e já é preciso ligar para a enfermaria por que um dos meninos subiu na cadeira pra mexer no ar condicionado e despencou. Desminto que a professora da noite está tendo um caso com o bibliotecário, distribuo a correção das provas e garanto que não há nada de sobrenatural no fato do novo papa se parecer com o Mestre dos Magos, de Caverna do Dragão. Uma das moças se exaspera ao ouvir que o garoto propaganda da Bombril morreu e recolho a rifa para o sorteio do diário roubado de uma das colegas. Um dos alunos me pergunta, muito sério: pró, será que vai chover?
Reflito.
(E eu ainda tenho que ir para o expediente do escritório. E tenho que entrevistar um deputado – de novo. Ele mudou de opinião e quer dar outra entrevista. E tenho que sair de lá às duas para assistir a matéria especial do doutorado sobre “o estudo do objeto, da essência e da coisa”. E, depois, ir à outra faculdade para dar uma aula na graduação de Direito, depois tem orientação de tese com quatro equipes de formandos que estão em desespero e choram, choram, choram e, no fim da noite, tem outra aula na graduação de Jornalismo e três na graduação de Publicidade, onde tudo o que eu digo/faço/ensino em sala vira jingle com coreografia no Youtube).
Mas ainda são sete da amanhã. E tem esse rapaz me perguntando, afinal de contas, se vai chover.
Respondo, sorrindo, que existe uma possibilidade de 32,5% de que chova. No máximo, de 33%. Especialmente entre às treze horas e às quinze e quarenta e cinco.
É isso.
Desafetos variados, não me roguem nenhuma praga hoje. Porque, acreditem em mim, não precisa.


Oremos…
😀
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