Um encontro marcado para hoje mesmo dificilmente será produtivo. Melhor deixar para amanhã. A antecedência de uma semana é o ideal. Acredito que um pouco de inacessibilidade é necessária para peneirar a qualidade dos encontros – discerne o interlocutor que deseja conversar com alguém e o interlocutor que deseja conversar com você.
Talvez seja esse o último degrau para a idade adulta: evitar uma vida rodeada de figurantes. Você se economiza numa mesquinhez discreta, ponderada. Não confundir com se colocar numa ilha deserta: ocasionalmente, é importante ter com quem comentar as notícias do jornal, ouvir uma piada, aceitar sugestões sobre um novo modo de picar cebolas. Você até comparece às festas, cumprimenta a todos, mas escolhe uma mesa na varanda. Longe da pista, longe da confusão, do som alto. Longe da festa. Você prefere uma operadora de celular pouco conhecida, decide morar num bairro difícil e a sua casa não tem wi-fi. Mas a porta segue aberta.
Não digo que a pessoa se ponha num pedestal – pode dar a impressão errada e talvez você não valha o esforço da subida. Mas acredito que seja esse o preço por um passado de extrema sociabilidade – certa impaciência para diferenciar amigos, conhecidos e o resto da raça humana. É muita gente e você nunca sabe quem veio para ficar. Na dúvida, aceite todos os convites. Jamais seja evasivo, sugira local e data. Deixe o outro decidir se ele quer mesmo que aconteça. Esteja sempre disponível – pra daqui a uma semana.
Gostei da dica.
Já estou aplicando.
Segunda-feira a gente conversa sobre os resultados…
ehehehe
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“…o último degrau para a idade adulta…”
Isso me lembra um outro texto seu que fala sobre a falta de objetivos depois que a gente sai da escola/universidade.
Quem sabe esse último degrau seja mais que uma tábua de 27cm de profundidade mas sim um grande planalto 18cm abaixo do topo em que você pode percorrer até ao fim e ver o que tem do outro lado ou simplesmente ficar ali e curtir a paisagem da passagem da sua vida…
*puxa… não imaginei que esse comentário seria tão filosófico…
Abraço
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