O WordPress me escreveu informando que este blog completa 10 anos hoje. Pareceu um mérito impressionante, em pleno 2017, ter um blog ativo.
Lembro vagamente que a página nasceu de um exercício banal da universidade. Depois virou portfólio de crônicas, depois diário de viagens, depois arquivo de resenhas literárias e não sei bem qual o papel que ele exerce hoje em dia, tipo circo do interior: se reinventando pra sobreviver. Devo reconhecer que mantive com ele uma relação mais estável do que com 95% das pessoas à minha volta. Alimentei sempre. O blog é isso, o meu cachorro virtual.
Honestamente, não sei mais dizer qual o perfil do leitor de agora – internet é tipo igreja, né, sempre de portas abertas. Cada vez mais gente de mais longe se aproxima e é bom conhecer pessoas novas, tem cidadão que surgiu por aqui e, hoje, assalta a minha geladeira semanalmente, há os desconhecidos que me abordam na rua decepcionados: a cara é a mesma, mas te imaginava vestida de preto e coberta de tatuagens. Teve conteúdo que virou peça teatral, matéria de revista e até objeto de estudo em universidade de São Paulo. O blog virou também um desses arquivos que eu mesma consulto pra lembrar o nome de um livro, a data de um evento e acabo revivendo pequenos vexames – sério que eu realmente escrevi isso?? – acho que toda timeline tem um pouco de amizade antiga, pronta pra bater no seu ombro dizendo: lembra de como você era bizarro? Nossa memória nos escapa, fantasia coisas, omite fatos, mas um código binário não mente. Meu blog foi o terrível Grilo Falante da minha última década.
Sobre os outros blogueiros, posso dizer que vivo essa sensação de que as pessoas estão arrumando seus brinquedos e indo embora do play por motivo de “prefiro mídias líquidas que não deixem rastros e Deus me livre lembrarem de quem eu fui anteontem”. Eu, é claro, compreendo. Ainda assim, o Snapchat e o Stories que me perdoem, mas eu vou continuar por aqui mesmo, sentada sobre os arquivos que criei na Idade Média. Razão 1: eu fui alfabetizada antes de aprender a me filmar conversando sozinha com uma câmera. Razão 2: apesar de tudo, eu não quero que minhas histórias desapareçam. Acreditem, crianças, de qualquer forma a internet sabe o que vocês fizeram no verão passado. Acho que nunca mudei de plataforma por que sou meio tipo aquelas vovós que têm medo de apertar o botão errado no microondas e detonar uma bomba no Oceano Pacífico, mas principalmente por quê eu não quero que minhas ideias sejam deletadas em 24h. Eu quero ficar com tudo o que é meu. Não quero que evapore. Meu plano é sentar aqui bem bonita e continuar acumulando vexames para a posteridade.
Hoje este blog completa 10 anos e talvez o grande mérito dele seja esse mesmo – veja só – ainda estar vivo. Fico feliz de existirmos todos de modo simultâneo: eu, a internet, as pessoas que lêem, as pessoas que escrevem. Ao menos, as que ainda escrevem. As que eu ainda posso ler. As que ainda digitam divagações inúteis enquanto aguardam pela senha no balcão da existência. Que sorte a nossa, eu acho.
O blog agradece o carinho de todos. Até 2027. Um beijo.
Eita, Mari! As vezes você pega a gente de jeito.
Hoje vim até aqui porque senti uma saudade danada dos blogs que sigo e resolvi zapear por eles (depois de um tempo ignorando as notificações de novos posts por email rs). Daí vem esse texto seu e a saudade só apertou. Saudade do meu próprio blog, do tempo que eu escrevia, e principalmente do tempo que eu não arranjava desculpas esfarrapadas para não escrever rs. Meu blog virou aquele projeto futuro, a essência do “quando eu terminar isso ou aquilo, quando eu tiver mais tempo… volto a escrever”. Mas a vida vai acontecendo, você termina o mestrado e não volta, começa um trabalho em que não se reconhece e não volta. Meu blog é meu lugar de apego, sabe?! Por isso nunca desativei, mesmo lá empoeirando. É onde reconheço as várias Daniellas, onde percebo nitidamente a cronologia dos meus anos. Por isso entendo o seu lance com o seu cachorro virtual rs, entendo e compartilho do mesmo sentimento. A diferenla é que você se manteve fiel a ele. E talvez você não faça idéia disso mas, a sua constância, sua permanência aqui, sua perseverança em manter um blog ativo em tempos de redes tão fugazes, é o que da força ao pensamento “qualquer dia desses eu volto pro meu lugar”. Um dos motivos é você ainda está por aqui. Esteja aqui sempre, Mari.
Entrei por aqui a primeira vez numa busca desenfreada por blogs que eu me identificasse. Na época havia uma seleção de top 5 que eu seguia aciduamente. Agora virou um top 3 rs. Demorei muuuuito a comentar a primeira vez. Mas lia e relia seus textos, as vezes passava horas nos seus arquivos antigos. Indicações de livros, filmes. Me reconhecia em muitas das crônicas, me sentia próxima, sua amiga, proque sua escrita faz isso. Nas idas a SSA pensava “bem que eu podia chamar a Mari pra tomar um café, num lugarzinho bem anti-social e papear algumas horas”. Nunca aconteceu, mas estamos aí rs.
Pois bem, Mari.
Esse é meu parabéns! Meu muitos e muitos anos de vida a esse lugar. E perseverança a você. Se mantenha firme por nós, seus leitores.
Um beijo carinhoso!
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Mariana! Conheci teu blog ano retrasado, talvez, por causa daquele post sobre os restaurantes. Aí entrei no blog e me vi lendo todos os arquivos durante 1 mês, 1 mês e meio… depois me inscrevi na newsletter e adoro quando chega alguma notícia sua, seja uma foto, um tuíte seu, uma música, ou o que mais gosto: o textão. Adoro sua escrita, adoro saber que vc é baiana (também sou). Temos uma idade parecida e eu compartilho de várias referências. Fico feliz por você ainda se dedicar a escrever e nos mostrar um pouco do seu mundo. Já baixei filme pq vc indicou, já comprei livro a partir dos seus trechos, e nunca me decepcionei com nenhuma indicação. Já ri muito com coisas que vc postou, e já senti uma melancolia boa, de quando vc reconhece que alguém sofreu por algo parecido com vc. Obrigada 10 x e vida longa!! Beijos!
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Continuemos escrevendo e sobrevivendo, salvas pela letra!
Parabéns pela caminhada pensante de 10 anos!
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