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Archive for the ‘na minha rolleiflex (fotos)’ Category

A paisagem vista da minha mesa de trabalho.
mural de fotos
mural mapa
fica k7 pingente mariana miranda
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(Salvador, 28 de novembro de 2012)

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A verdade é que é difícil se sentir útil num movimento com um milhão de manifestantes. Concorda? Você sempre fica na dúvida se a sua participação é mesmo relevante quando pensa naquela multidão e olha pra si mesmo – metamorfoseado num monstruoso inseto. É possível que a galera que não foi às ruas tenha se perguntado a mesma coisa – eu sou mesmo necessário? – e que os outros se perguntem o mesmo nos próximos dias, quando as manifestações tiverem cumprido o seu papel e voltarem todos pra casa. Como saber se o movimento teve êxito? Você foi útil?

Sabe, nos três últimos confrontos, meu papel era ficar agachada no chão criando cartazes. Já havia fotógrafos o suficiente, jornalistas o suficiente, enfim. Bombas explodindo, apedrejamentos, o pessoal da área de Saúde atendendo às vítimas, o pessoal do Direito conseguindo as fianças e eu lá, debaixo de um carro com os malditos cartazes. Quando tudo à sua volta está explodindo e pegando fogo, é inevitável que você se pergunte que raios está fazendo ali. Eu corria naquele inferno ridiculamente abraçada a um maço de cartolinas. Quase morri fazendo isso, mas, né?

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Peça decorativa.

Que seja. Pois querem saber o que os manifestantes mais pediam quando solicitavam cartazes?

Eles não pediam slogans de guerra, não queriam heróis. Alguns temas nem eram destinados ao Governo. As pessoas me pediam pra criar frases sobre respeito, igualdade, comportamento, eram mensagens destinadas à você, caro leitor.

Por isso, essa é uma mensagem pra quem, neste importante momento histórico, quer colaborar. Quer saber o que os manifestantes exigem de você? Que seja uma pessoa melhor. Que não fure a fila no trânsito, por que você não é mais especial do que ninguém. Que não ria das piadas homofóbicas que seus amigos contam, elas não têm graça e possuem um efeito mais destrutivo que o de mil skinheads juntos. Não perca o senso crítico diante das técnicas cosméticas para alisar cabelo “duro”. Não faça gato de eletricidade nem se aproveite do dinheiro público. Se não gosta de política, abstenha seu voto, não eleja ninguém de forma irresponsável. Valorize a opinião do seu fisioterapeuta, enfermeiro e nutricionista tanto quanto a do seu médico, todos eles são diplomados. Se você tem uma queixa sobre um produto ou serviço, pare de dar faniquito no balcão e utilize os órgãos formais de denúncia – os funcionários não merecem e seu chilique pode virar algo útil. Não permita que alguns religiosos manipulem a palavra de Deus. Não estacione nas vagas para idosos. Não estacione na vaga para deficientes. Não deixe que nossos jovens gastem tanto tempo em academias de ginástica, eles estão virando uns idiotas. Saiba mais sobre os partidos políticos. Não beba antes de dirigir. Valorize os professores da sua infância. Não aplauda o jornalismo de William Bonner, você não é burro. Não apoie empresas que solicitam currículos com foto. Não cante músicas preconceituosas. Abra espaço no trânsito para as ambulâncias. Não permita que os garçons ignorem todas as damas da mesa para entregar a conta a um homem. Não compre um cachorro se não pode cuidar dele. Proteste contra o Estatuto do Nascituro. Seja respeitoso com quem vier lhe pedir dinheiro, oferecer um panfleto ou fazer telemarketing. Não fraude a carteirinha de estudante. Não fraude o Imposto de Renda. Seja ético quando ninguém estiver olhando. Mude de atitude. Chega de descaso por educação.

Mesmo que você, olhando para aquela multidão, tenha se sentido meio desnecessário, eles estavam falando com você. Por que a verdade é que alguma coisa mudou mas, no final, vai todo mundo voltar mesmo para o Facebook. Ainda insatisfeitos com a corrupção, com a violência, com o preconceito, com a homofobia, com a manipulação, mas vai voltar todo mundo pra casa. No fim das contas, é isso: milhares de manifestantes brasileiros vão retornar mais politizados para suas vidas e para a rede mundial de computadores. E estarão conectados. Todo santo dia.

E eu não consigo imaginar nada mais necessário.

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Viu? A gente virou até meme, rs.

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(Salvador, 20 de junho de 2013)

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(Salvador, 20 de abril de 2013)

Eu tinha que mostrar pra vocês. Né?
De nada.

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“Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.”

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(Lisboa, 3 de janeiro de 2013, 7 graus)

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“Por que o cinema não filma um rio? Um rio inteiro, um rio sem fim, um Amazonas que encontrasse o Tejo e se misturasse ao Nilo? Esse supergrande rio dos rios, fluindo em sua fuga, passando como um trem passa pela água escura dos túneis, esse rio não seria um sucesso de bilheteria?”

(Fernando Monteiro / Aspades)

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(Lisboa, 01 de janeiro de 2013, 7 graus)

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Foi a primeira vez em que eu ouvi falar sobre o “dourado vago de Istambul”. Eu sabia que, depois daquele livro, iria procurar pela “Cabeça de Calcário”.

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“Apaixonara-se, na juventude, por uma pequena cabeça de pedra calcária branca. Tinha um nariz inteiro e uma coroa alta, intacta. / A cabeça parecia trazer, do muito remoto, o rumor de pequenos pés descalços em pisos decorados e noites de silêncio à margem de um rio esquecido. / Agora que comprara a cabeça, tinha algumas dúvidas dentro da sua, dormia menos e não sabia onde colocar aquela coisa que perturbava a mente com pensamentos novos. /

/ Era moço e tinha medo, recém-casado. A vida ia mudar e precisava enterrar o que não viria mais do lado oculto do acaso. Encerrar a cabeça numa caixa fora o modo de guardar as possibilidades intactas, e seria o modo de preservar os dias de volta de esperança do oásis da juventude: ali, o vazio com o objeto no meio da serragem seria a parte oculta daquele lado, escondida entre as dobras dos dois atos: encontrar e guardar, ou guardar e esperar pelo dia em que tudo lhe parecesse mais vazio que o tanque de peixes do parque abandonado. / Tudo era como aquilo: a ausência, numa caixa.”

(A Cabeça de Calcário / Fernando Monteiro)

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Refazendo, por terra, a rota das cidades de Noé, Abraão, Sansão, Dalila, Cleópatra, Virgem Maria, São João, São Paulo, Colossenses, Gálatas, Efésios e de um monte de gente fina, elegante e sincera que fez história por aqui.

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(Izmir, Turquia, 15/12/2012, -3 graus)

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(Restaurante Casa de Tereza, Rio Vermelho, 28 de novembro de 2012)

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