Duas ou três coisas que eu roubaria antes de ir embora.
(Capão, Bahia, 07/09/2011, 31 graus)
Posted in vasto mundo (viagens), tagged capão, chapada diamantina, mariana miranda on setembro 9, 2011| 2 Comments »
Duas ou três coisas que eu roubaria antes de ir embora.
(Capão, Bahia, 07/09/2011, 31 graus)
Posted in vasto mundo (viagens), tagged capão, chapada, mariana miranda on setembro 8, 2011| 1 Comment »
Acho que o desafio de fazer um guia turístico nunca é o trabalho em si. É sempre essa vontade de mandar um telegrama para a redação agradecendo a pauta, desejando bons fluidos para todos e avisando que a gente refez os planos e decidiu ficar por aqui indefinidamente…
Algumas dicas sobre o roteiro de hoje: Capão.

Pousada Vila Lagoa das Cores
Diária por R$ 300,00
Circo do Capão
Aula de acrobacia por R$50,00
Restaurante Mirante da Cachoeira
Pastel de jaca por R$1,50
Espaço Lothlorien
Grupo de meditação diário gratuito
Restaurante Casa das Fadas
Parpadele de espinafre por R$ 38,00
Posted in choro baldes (arte), vasto mundo (viagens), tagged chapada diamantina, itaberaba, mariana miranda on setembro 7, 2011| 1 Comment »
Viagem a trabalho, uma semana na Chapada. Na Chapada. Uma semana.
E eu ganho para isso.
Ahhhhhh, atirem em mimmm.
(Itaberaba, Bahia, 06/09/2011, 23 graus)
Posted in havaiana de pau (day life), vasto mundo (viagens), tagged boa morte, Cachoeira, mariana miranda on agosto 18, 2011| 3 Comments »
Por questões de organização administrativa (ou não) só foi decidido na sexta à noite que eu iria mesmo cobrir o evento de segunda-feira na Boa Morte, na cidade de Cachoeira. E eu fui. Chegando lá às 12h, os hotéis estavam lotados e eu fui encaminhada ao único pedaço de chão batido disponível na cidade. Era uma grande casa colonial com cômodos para alugar – banheiro coletivo, decoração de filme de terror e quartos divididos entre si por TAPUMES DE CONSTRUÇÃO CIVIL – cenário que eu achei fino, achei classudo, achei muita idiotice minha não ter ido embora imediatamente. Mas a pauta era boa, não havia outra opção, despachei as malas e fui para a rua.
A procissão já havia começado e acredito que existiam, em média, 538 fotógrafos para cada nativo que desfilava. Suponho que a verdadeira tradição exótica de Cachoeira seja assistir a imprensa baiana acotovelelando-se aos gritos pelas ruas do evento todos os anos. Fazia um lindo dia de sol e posso afirmar, sem o privilégio da metáfora, que era possível fritar um ovo na minha testa. Calooor. Então, neste ambiente de hospitalidade, sou cutucada por um ilustre e caloroso desconhecido:
– Oláááá! Você lembra de mim?
– Não.
– …
Gentileza, teu nome é Mariana.
Dois segundos depois, um lampejo: ele era um dos veteranos dos meus remotos anos de faculdade que me fazia rodar o campus inteiro atrás de papel de carbono pautado, chave de fechar balanço, ENVELOPE REDONDO para correspondência circular, entre outras babaquices.
– Ahh…
– Lembrou de mim?
– Sim, lembrei.
– Mesmo? Como lembrou?
– Ah… você era muito característico.
Eu ia responder o quê? Por que eu te detestava? Por que eu não gostava de você, por que eu queria te matar? Escapei pedindo licença, abandonei o cortejo e aproveitei o fluxo para ir ao prédio da prefeitura.
– Bom dia. Eu sou jornalista e gostaria de entrevistar o secretário responsável pela coordenação da festa.
– Aquele fuleiro? Escafedeu-se, binha. Esse nigrinho resolveu sumir, é brincadeira? Mas já ele aparece.
– Obrigada.
Em seguida, entra na sala um rapaz vestido de baiana com um torso e flores na cabeça. Era o secretário.
– Bom dia, secretário. Meu nome é Mariana e eu gostaria de entrevistá-lo para falar sobre a festa da…
– A FESTAAAA!
– Isso, a festa da Irmandade da Boa Morte. O senhor teria uma previsão de quantos turistas a cidade recebeu este ano durante…
– Quer casar comigo?
Ele. estava. bêbado.
– Seria um prazer, mas antes eu gostaria de ter um depoimento sobre a festa da…
– A FESTAAAA!
– Ok, eu volto amanhã.
Na mesma rua, havia a casa de samba de roda da Dona Dalva, uma matriaca de Cachoeira. Muito simpática, ela me recebeu para a entrevista que, como de costume, foi muito objetiva – começamos falando sobre samba de roda e, duas horas depois, estávamos tendo uma discussão acalourada sobre a existência de discos voadores no Recôncavo baiano – e retornei para o hotel no fim da tarde. Antes de entrar no quarto, tive que voltar para informar à recepção sobre um pequeno problema de ordem prática (o forro de madeira do meu quarto DESABOU EM CIMA DA CAMA E DESTRUIU A LAJE, tipo assim, dava pra ver o CÉU) e descubro que Envelope Redondo está hospedado na mesma birosca que eu:
– Eu cheguei no sábado, peguei um quarto com varanda.
– Eu cheguei hoje, peguei um quarto com teto solar.
– É mesmo??
Só então a recepcionista me transferiu para uma nova acomodação. Uma espécie de calabouço sem janelas, oxigênio ou luz natural – provavelmente uma instalação negreira do século XVIII, afinal, hospedagem também é cultura – onde eu entrei resignada e nem reclamei já que, né, se a coisa continuasse naquele ritmo, eu ia terminar o dia algemada na senzala.
Quando saí novamente, já era noite. Jantei sozinha num bar próximo e depois, bem, não havia muito o que fazer. Era hora de buscar entretenimento noturno realizando o roteiro de turismo típico das cidades do interior baiano – visitar a praça, o coreto, a prefeitura, a delegacia, o Banco do Brasil, a praça, o coreto, a prefeitura, a delegacia – e, em meia hora, eu já estava de volta ao hotel assistindo novela. Envelope Redondo reaparece:
– E aí? Já deu tempo de visitar todas as atrações da cidade?
Fui dormir. De madrugada, em algum lugar do corredor, havia uma torneira aberta gotejando.
Gotejando.
Gotejando.
Gotejando.
Gotejando.
Gotejando.
De forma que eu concluo que não se tratava de um acaso, mas de uma ferramenta de tortura tomabada pelo hotel. Insone, sigo oito da manhã para a porta da prefeitura:
– O secretário já chegou?
– Aquele fuleiro?
– Alguém do gabinete vem hoje?
– Vá pra casa, minha filha.
– …
– Que foi?
– Pra que lado fica a rodoviária?
– No fim desta rua.
O ônibus só saía ao meio-dia, mas eu fui seguindo para lá. Daria para matar o tempo e, sei lá, afogar as mágoas numa empada de frango com Fanta. Se tivesse sorte, até podia me apoiar num balcão de um desses bares com ventilador de teto e cadeiras plásticas – ou seja, curtir a cidade. Chegando ao fim da rua, não havia nada. N.a.d.a. Só um pátio coberto, um ferro velho, tudo deserto. Vários carros desmontados. E eu tinha que aguardar ali.
Aí, né, tive um devaneio.
É um golpe. Só pode ser um golpe. Pior, é uma dessas reportagens de denúncia. Me mandaram para cá, eu entrei num esquema de desmontagem, contrabando e lavagem de dinheiro, vou ser presa a qualquer momento e, domingo, vou aparecer no Fantástico com quadradinhos na cara e voz de pato falando “eu não sei o que aconteceu, eu fui envolvida no esquema. Eu sou inocente, eu só queria uma empada de frango”.
Mas não era um esquema. Para surpresa de toda a nação, o ônibus chegou, parou no meio do nada e eu subi pronta para voltar à civilização. Por fim, o coletivo segue e tudo parece terminar bem – sossego, música de fundo, as letrinhas subindo na tela – a odisséia havia acabado. Eram 11:58 quando, na última esquina da cidade, havia um ponto de ônibus. Quem sobe? Hein?? ENVELOPE REDONDO. E senta ao meu lado dizendo: olááá. O relógio marca 12h. Fim.
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Sabe o que me desespera? Hoje ainda é terça-feira.
Posted in choro baldes (arte), vasto mundo (viagens), tagged Boa Morte 2011, Cachoeira, mariana miranda on agosto 16, 2011| 3 Comments »
Posted in raspas e restos (crônicas), vasto mundo (viagens) on julho 27, 2011| Leave a Comment »
Inspirado em A Cabeça de Calcário, de Fernando Monteiro.
Era 2009. Fim de tarde, um dia banal, quarta, quinta-feira. Já havia uma cidade definhando – uma Lisboa de casarões abandonados e estátuas cobertas de limo, num luxo saudosista onde as casas envelheciam numa decadência adiada de quem ainda preferia pisar os trapos de veludo do tapete do que experimentar a realidade de um chão completamente nú. As guerras coloniais estavam perdidas, os navios já haviam voltado com seus combatentes mutilados e alguns ainda esperavam pela volta do salazarismo. Tudo era ausência à beira do Tejo. E foi num dias desses que eu conheci um homem chamado Baltazar.
(…)
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(Tem conto novo neste post aqui).
Posted in vasto mundo (viagens) on junho 30, 2011| Leave a Comment »
Posted in vasto mundo (viagens) on junho 27, 2011| Leave a Comment »
Posted in choro baldes (arte), vasto mundo (viagens) on maio 6, 2011| 2 Comments »
Passaram a vida inteira te dizendo que Paris era um lugar romântico, né? Segredo: é mentira.
Vamos supor que cada cidade possua uma personalidade definida: nesse caso particular, não espere por sutilezas. Paris é uma dessas belezas cruéis que passam por você chicoteando as luvas de seda na sua cara:
– sou linda, supere isso.
O fato é que esse livro do Ernest Hemingway me fez pensar em por quê tanta gente não consegue esquecer a Salomé do continente europeu:
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“Quando duas pessoas se amam, são felizes e alegres, e estão empenhadas, juntas ou individualmente, numa tarefa construtiva, os outros se sentem tão atraídos por elas como as aves migradoras são atraídas à noite pela faixa de luz de um farol poderoso. Se as duas pessoas que se amam fossem tão sólidas como um farol, nada sofreriam, pois a perda seria das aves. Mas o fato é que aqueles que atraem os outros com sua felicidade são geralmente pessoas despreparadas. Não sabem como evitar que as arruínem, nem como se livrarem a tempo do perigo.”
“Se você teve a sorte de viver em Paris quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo por toda a vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel.”
“Foi uma refeição maravilhosa a que fizemos no Michaud, quando conseguimos entrar. Mas, quando terminamos, e não sentíamos mais fome, a sensação que nos parecera fome ainda continuava dentro de nós. Continuava quando chegamos ao quarto e, depois de termos ido para a cama e feito amor, ainda estava lá. Quando acordei, com as janelas abertas e o luar nos telhados das casas altas, ainda estava lá. Tinha de me esforçar para compreender o que se passava conosco, mas sentia-me demasiadamente estúpido. Paris era uma cidade muito antiga, nós éramos jovens e nada ali era simples, nem mesmo a pobreza, nem o dinheiro súbito, nem o luar, nem o bem e o mal, nem a respiração de alguém que, deitada ao nosso lado, dormisse ao luar.”
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(Ernest Hemingway / Paris é uma Festa)
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Livrinho para começar a ler em casa e terminar de ler na sala de espera do aeroporto. Para saber mais sobre a cidade, consulte a especialista, aqui.
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(Paris, 11/06/2010, 12 graus)
Posted in vasto mundo (viagens) on janeiro 25, 2011| Leave a Comment »
(Barcelona, 01/01/2011, 03 graus)
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Imagens do primeiro dia do ano. Só pra lembrar que 2011 está sendo apenas perfeito.