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Marlon Brando

“Brincávamos a cair nos braços um do outro, como faziam as atrizes nos filmes com o Marlon Brando, e depois suspirávamos e ríamos sem saber que habituávamos o coração à dor. (…) Eu ainda te disse que me doíam os braços e que, mesmo sendo o rapaz, o cansaço chegava e instalava-se no meu poço de medo. Tu rias e caías uma e outra vez à espera de acreditares apenas no que fosse mais imediato, quando os filmes acabavam, quando percebíamos que o mundo era feito de distância e tanto tempo vazio, tu ficavas muito feminina e abandonada e eu sofria mais ainda com isso. Estavas tão diferente de mim como se já tivesses partido e eu fosse apenas um local esquecido sem significado maior no teu caminho. (…) Caía eu nos teus braços, fazias um bigode no teu rosto como se fosses uma “Marlon Brando”. Eu, que te descobria como se descobrem fantasias no inferno, não queria ser beijado pelo Marlon Brando e entrava numa combustão modesta que, às batidas do meu coração, iluminava o meu rosto como lâmpada falhando.
A minha mãe dizia-me: Valter, tem cuidado, não brinques assim, vais partir uma perna, vais partir a cabeça, vais partir o coração.
E estava certa, foi tudo verdade.”

(Valter Hugo / Brincávamos a cair nos braços um do outro)

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Meus vizinhos III

Na volta pra casa, eu passei na farmácia e comprei um protetor labial. E fui experimentando no espelho do elevador, pra ver se prestava. Aí entra uma senhorinha de coque e bengala.

– Boa noite.
– Boa noite.
– …
– …
– As coisas no seu apartamento devem estar animadas.
– Hum?
– Você está passando batom pra chegar.
– …
– Todo mundo que eu conheço passa batom para sair de casa. Você está passando batom para chegar em casa. E hoje é terça-feira. As noites no seu apartamento devem estar animadíssimas, mocinha.
– Eh…
– Juízo, hein? Boa noite.
– Boa noite.

Mariana Miranda, fazendo fama involuntariamente desde 1982.

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“Dentro do cartão, eu dizia a Sam que o presente que eu estava dando a ela havia sido dado a mim por minha tia Helen. Era uma velha gravação em 45 rpm com Something, dos Beatles. Eu costumava ouvir todo o tempo quando era pequeno e pensava em coisas de gente grande. Eu ia para a janela do meu quarto e olhava meu reflexo no vidro e as árvores por trás e ouvia a música por horas. Decidi, na época, que quando conhecesse alguém que eu achasse tão bonita quanto a canção, eu daria o disco de presente a essa pessoa. E não quis dizer bonita por fora, eu quis dizer bonita de todas as formas que alguém pode ser. E assim, eu estava dando para Sam aquela gravação. Mas ela não sabia de nada disso.”

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“-Por que as pessoas boas escolhem as pessoas erradas?
– A gente aceita o amor que acha que merece.
– Mas nós não podemos mostrar a elas que elas merecem muito mais?
– Sim. A gente pode passar a vida inteira tentando”

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“Subi a colina onde costumava usar o trenó e pensei que todas aquelas crianças um dia iam crescer. E todas aquelas crianças iam fazer as coisas que nós fazemos. E todos eles beijarão alguém um dia. Mas, agora, andar de trenó era o bastante. Acho que seria ótimo se nos bastasse um trenó pelo resto de nossas vidas.”

“Você vê as coisas. Você guarda silêncio sobre elas. E você as compreende.”

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“Bem-vindo à ilha dos brinquedos rejeitados!”

(Stephen Chbosky / As Vantagens de Ser Invisível)

#38

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Afterparty

Esse é um ensaio fotográfico sobre a atmosfera que permanece depois das festas. Latinhas no chão, copos amassados, lixo. A autora Lauren Silberman, de NY, não comenta muito o ensaio, mas suponho que ela quisesse abordar a fulgacidade das coisas. Essa decadência instantânea dos ambientes – desde a decoração refinada preparada por dias até aquele amontoado deprimente de raspas e restos, tudo destruído em duas ou três horas. Tive a impressão de que festas diferentes (ricas, pobres, caretas, punks) terminam num cenário muito parecido – mesas desarrumadas, copos vazios, salão vazio, silêncio. Que o final é sempre parecido pra todo mundo.

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(Lauren Silberman / Afterparty)

Talvez a autora quisesse falar sobre isso, sobre o fim.
Ou não.

Jamais saberemos, rs.

O site é esse aqui.

#37

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kkk tirinha

Criptonita feelings

Mudei de médicos. E não posso deixar de achar engraçado o constrangimento dos doutores ao receber meu prontuário com indícios de envenenamento. Sentam do lado, seguram na mão, perguntam pela minha vida e sugerem uma visita da assistente social. Como lidar? Como explicar que não bebi veneno num vidrinho dourado tampouco quis dar cabo da minha existência?

Foi só uma passeata, moço. Eu estou mais pra homicida do que pra suicida.

Enfim. E já que minha única distração nesses dias é a internet, olha que legal essas montagens de cenas da manifestação mescladas com super heróis em quadrinhos. Os publicitários Alessandro Trimarco e Paulo Eugênio de Carvalho Moura que fizeram. Tem outras aqui.

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ricardo-fukui

Pois é. Também não sei por que não pensei neste tipo de reforço antes.