Posts Tagged ‘mariana miranda’
#29
Posted in Sem categoria, tagged esqueceram de mim, filme, mariana miranda on novembro 23, 2012| Leave a Comment »
#28
Posted in choro baldes (arte), na minha rolleiflex (fotos), tagged hilda hilst, Lisboa, mariana miranda, Tejo on novembro 16, 2012| Leave a Comment »
A Redoma de Vidro
Posted in choro baldes (arte), tagged a redoma de vidro, mariana miranda, sylvia plath on novembro 8, 2012| Leave a Comment »
“Eu me sentia como um cavalo de corrida num mundo sem pistas de corrida, ou um campeão de futebol na faculdade que de repente tem de encarar Wall Street e um terno-e-gravata, seus dias de glória se resumem a uma tacinha dourada em cima da lareira com uma data gravada como numa lápide.
Vi minha vida tomando mil direções, como os galhos da figueira do conto.
Na ponta de cada galho havia um figo maduro – um maravilhoso futuro. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos; outro, ser uma poeta famosa; outro, uma professora ilustre e mais outro era ser Éxis, a incrível editora; outro, conhecer a Europa, África e América do Sul e ainda outro era Constantin, Sócrates, Átila e um monte de outros namorados com nomes estranhos e profissões esdrúxulas; e um figo era ser campeã olímpica da equipe de remo e além desses tinha tantos outros figos que eu não conseguia nem ver.
Imaginei que estava sentada embaixo da figueira, morrendo de fome por não decidir que figo escolher. Queria todos, mas, escolhendo um, não podia pegar os outros e, enquanto ficava sentada ali, incapaz de resolver, os figos começaram a amadurecer, apodrecer e cair aos meus pés.”
(Sylvia Plath / A Redoma de Vidro, p. 86)
Os britânicos possuem o melhor rock do mundo?
Posted in choro baldes (arte), havaiana de pau (day life), tagged mariana miranda, rock on novembro 5, 2012| 2 Comments »
Sim, eles possuem.
Beatles – Alguém. vai. questionar?
Queen – Vai? Só checando.
Elvis Costello – Não, ninguém vai questionar.
Adele – Anos atrás, só eu e meia dúzia de privilegiados apreciávamos. Depois, no Brasil, degringolou para trilha de novela, toque de celular, versão em Arrocha e outros sacrilégios. Maldita democratização cultural.
Muse – Tipo uma Legião Urbana do trópico norte. Só ficam devendo as letras do Renato. Saiba mais aqui.
Câmera Obscura – Daquelas bandas que, daqui a cinco anos, também vai virar trilha de novela e matar a gente de desgosto. Aproveite enquanto há tempo aqui.
Keane – Ai, acho tudo tão chorááável.
Se jogue na fossa por esse buraco aqui.
Snow Patrol – Garçom, mais uma dose. Mais duas. Senta aqui comigo, garçom.
Senta e ouve isso aqui também.
Radiohead – Avacalhando com o precário programa de manutenção da minha dignidade desde 2006.
Coldplay – É uma espécie de hino do Velho Mundo. Deviam fabricar notas de euro com a saudação “Viva la vida“.
Temos também os de sempre: Led Zeppelin, Pink Floyd, The Police, Oasis, Rolling Stones, The Smiths, Amy Winehouse (que eu citei aqui) e muitos e muitos outros.
Todos britânicos? É a lei da compensação. Acho que valem os graus negativos da Grã-Bretanha. E as sopas de nabo. E os ataques terroristas. E uns dez mil litros de chá das cinco.
A Sombra da Guilhotina
Posted in choro baldes (arte), tagged hilary mantel, jean pierre houël, mariana miranda on outubro 29, 2012| 1 Comment »
(Jean Pierre Houël / Tomada da Bastilha)
“E, às vezes, penso que a supressão da personalidade individual é o que se deve desejar, não o status de herói, uma espécie de extinção do indivíduo na História. Todo o registro da raça humana foi falsificado, foi criado por maus governos à sua conveniência, por reis e tiranos para lhes dar um bom nome. Essa ideia de História feita por grandes homens é bastante absurda quando se olha do ponto de vista do povo. Os verdadeiros heróis são aqueles que resistiram aos tiranos e está na natureza da tirania não só matar os que se lhe opõem como apagar seus nomes dos registros, para que a resistência pareça impossível. Camille, a história é uma ficção.”
(Hilary Mantel / A Sombra da Guilhotina)
#27
Posted in gêmea má (maledicências), tagged bipolaridade, mariana miranda on outubro 24, 2012| Leave a Comment »
Dom Quixote de la Tumba
Posted in raspas e restos (crônicas), tagged dom quixote, mariana miranda, museu da inocência, orhan pamuk on outubro 13, 2012| 2 Comments »
Eu estava numa banca de revistas próxima de casa, num fim de tarde ocioso, quando ouvi uma conversa inusitada. Vi o dono da banca cumprimentando um velhinho que passava do outro lado da rua, enquanto uma cliente sorriu para o revisteiro:
– Vejo que também o conhece.
– Há mais de 15 anos, minha senhora!
– E aonde será que ele está indo hoje?
– Ao cemitério. Todos os dias, no mesmo horário.
– Ah…
Ela não perguntou o porquê, nem ele prosseguiu explicando e a conversa se encerrou aí. Eu não entendi nada. Fiquei ali, olhando de longe o senhorzinho miúdo, magrinho, de bermuda e boné, andando até o fim da rua. Todo dia esse cara vai ao cemitério? Meu Deus, pra fazer o quê??
Aquele senhor devia ter uns 70 anos de idade, pensei. Não seria funcionário de lá. Talvez tivesse perdido amigos, parentes ou fosse viúvo. Mas ir ao Jardim da Saudade todos os dias era estranhíssimo. Se fosse viúvo, não estaria agora ocupado com os netos? Intuí que nenhuma pessoa que tivesse levado uma vida conjugal saudável se comportaria daquela maneira moribunda, se infiltrando entre as lápides com tanta insistência. Talvez estivesse meio caduco. Mesmo parecendo tão disposto, a gente nunca sabe. Ele foi andando, andando, até dobrar a esquina. E sumir.
Pensei. Decidi. Fui atrás do velho.
Eu sei, caro leitor, que isso deve lhe parecer ridículo – você questionará, sem dúvidas e com toda razão. Mas, quem pode negar que a curiosidade humana é capaz de bobagens inconfessáveis? Na ocasião, lá estava eu, naquele fim de tarde, seguindo o estranho vovô do cemitério. Que tipo de maluco seria aquele? Nem conseguia imaginar que tipo de culpa, dor, intenção arrastava aquela criatura para lá todo santo dia. No túmulo que ele visitasse certamente haveria uma pista. Todo obcecado tem uma história para contar. Conheço várias. Me lembrei, por exemplo, de um livro que havia lido, o “Museu da Inocência”, do Orhan Pamuk. Era a história de um turco que se apaixonava por uma prima distante e, depois que ela se casava com outro, ele passava a vida inteira colhendo vestígios da moça pela cidade – bilhetes, brincos, guardanapos – para montar um museu. Assim como o velho, o turco também repetia o mesmo gesto todos os dias. Incansável. Detalhe: o museu foi montado de verdade e o autor ganhou até o prêmio Nobel. Bem, a literatura não é muito mais absurda que a vida à nossa volta, cabe reconhecer.
Mas, voltando às ruas de Brotas: lá estava eu seguindo o nosso anônimo devotado. No caminho, essa história do turco me lembrou a de um outro romance – Dom Quixote, que também se apaixona pela prima e passa o resto da vida meio obcecado. Mentalmente, batizei o velho de “Dom Quixote de la Tumba”, morrendo de pena dele. O andar apressado, as perninhas magras dentro da bermuda, coitado do vovô. Devia ser sozinho neste mundo. Aprisionado ao passado, incapaz de fazer novos laços e de tocar a vida para frente. Conversando com uma lápide por anos a fio, pobre Dom Quixote. Fiel. Teimoso. Atormentado. Doido, doido, doido.
Assim, ele foi entrando pelo portão de ferro e eu esperei do lado de fora. Sentou num banco em frente ao imenso gramado, olhou o horizonte, os túmulos, o céu, a pista deserta. Amarrou os cadarços do tênis. Levantou. E começou a correr.
O velho ia ao cemitério para fazer cooper.
#26
Posted in gêmea má (maledicências), tagged funeria, mariana miranda on outubro 8, 2012| Leave a Comment »
Salvem a professorinha
Posted in havaiana de pau (day life), tagged alunos, aulas, mariana miranda on outubro 5, 2012| 1 Comment »
Para pagar eternamente a minha língua, eu voltei a ensinar em faculdade. Socorro.
– Esse é um gênero informativo ou opinativo?
– Sim.
.
– Dentro de um setor de redação, qual o tipo responsável por coletar as informações?
– O tipo humano.
.
– Quem foi Guimarães Rosa?
– …
.
– Em entrevistas com autoridades, o que você pode utilizar para conseguir um bom depoimento?
– Decote.
.
– Você está precisando de que nota?
– A de 100 reais.
.
– Quantos sujeitos nós temos aqui?
– Dois.
– Dois?
– Eu e você.
E o salário, ó.
E por falar nisso
Posted in choro baldes (arte), tagged fernando pessoa, mariana miranda on setembro 24, 2012| 2 Comments »

















