Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘mariana miranda’

Plantão Dislexia informa: estúdios fotográficos são sempre muito úteis. Em alguns casos, até para fotografar.

Temos aqui o making off do ensaio menos produtivo e mais gracinha de todos os tempos. Suponho que o correto seria postar as fotos oficiais da banda, com as imagens a sério, mas, né? E o que eu ia fazer com essas fotinhas figuuura de bastidores? Guardar? E privar o respeitável público desses registros dos meus-tchutchucos-mais-fofos-da-priminha?

Imagina, gente.

.


(Salvador, 9 de julho de 2011)

Conheça mais aqui.

Read Full Post »

Outra pauta de turismo.

(Gruta de Iramaia, 25/09/2011, 30 graus)

Read Full Post »

E, então, eu decidi tomar aulas particulares de inglês. Mesmo me gabando de conseguir me comunicar com todo e qualquer bípede com polegar opositor, já era hora de sair do amadorismo e levar esta vocação para a tagarelice mais a sério. Minha amiga indicou um professor:

– E ele é paciente?
– Um monge.

Não demorou mais que algumas semanas para o monge perceber que eu não sabia nada. Que só conseguia me comunicar por que falava absolutamente tudo no tempo presente, como um índio – mariana gostar de praia e andar de bicicleta – e substituía a falta de vocabulário por analogias insólitas – eu ter uma moldura redonda e outra do formato do Bob Esponja.

Juro que tentei acompanhar o áudio das lições – narradas na velocidade 5 do créu – mas Jesus não concedeu. Ficava bovinamente olhando para o papel, balançando a cabeça e ele perguntando:

– Que expressão melhor completa a frase abaixo?
– Help me, God.

E este anjo de doçura e serenidade, em posição de yoga, pedindo reforço aos céus, orando à Nossa Senhora das Portas, questionava:

– Mas, Mariana, a gente já não estudou estes verbos na lição passada?
– Defina estudar.
– Esse conteúdo foi visto na apostila oito…
– Que apostila oito?

Disfarço burrice com Alzamier.

Até que, semana passada, ele perdeu a paciência. No fundo, eu já esperava – como não acredito em aperfeiçoamento, apenas em trocas cármicas de habilidade, fico esperando a hora em que as coisas vão, simplesmente, degringolar. Corrigindo meu exercício, com uma expressão de absoluto descrédito na humanidade, ele aponta para uma das minhas respostas erradas e pergunta: por quê?? E tudo nele me lembrou um daqueles cientistas obcecados que passam anos desenvolvendo um sistema complexo e aprimorado, onde falta apenas colocar o ratinho no labirinto e bicho faz o caminho errado, sempre errado, 548 vezes errado e o cientista sai desesperado, puxando os cabelos, batendo com a testa na parede – por quêêê, meu Deus, por quêêê? – por quê eu não escolhi ser advogado, pasteleiro, adestrador de pulgas, em vez de desperdiçar a minha vida com uma merda de rato estúpido que não consegue entrar no maldito túnel certo nem quando esse é o único caminho possível, hein? Por que raios? Por quêêê?

E eu fiquei olhando para a página do exercício – “complete as lacunas com os verbos” – com aquela cara plácida de about:blank perpétuo e pensando em responder – I don’t know – ou – I’m a creep, I’m a weirdo – ou – Defina completar.

Mas nem respondo nada. E ele respira fundo. Com aquela alma dele de cientista sério, metódico, que coloca o maldito ratinho de volta na gaiola, detendo o impulso natural de esganar o bicho e arrancar a cabeça fora. E recomeça o experimento todo de novo. Assim, com uma paciência oriental. Einstein ficaria comovido. Nilton, segura a minha mão.

Eu realmente não sei por quanto tempo ele vai persistir nisso, mas, por hora, eu certamente tô valendo um Nobel. Ou um diploma de yoga. Ou um lugar no céu.

Read Full Post »

(Moscou, 22 de setembro de 2011, 10 graus)

Read Full Post »

Meus heróis morreram de overdose.

Oremos.

(Moscou, 20 de setembro de 2011, 10 graus)

Read Full Post »

(Berlim, 17 de setembro de 2011, 15 graus)

.

“Para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos pra viver, loucos pra falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante – pop! – pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos ‘aaaaaah!’. Como é mesmo que eles chamavam esses garotos da Alemanha de Goethe? (…) Por isso eu formigava inteiro, contava os minutos e subtraía os quilômetros. Bem em frente, por trás dos trigais esvoaçantes, que reluziam sob as neves distantes do Este, eu finalmente veria Denver. Imaginei-me num bar qualquer da cidade, naquela noite, com a turma inteira: aos olhos deles, eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que cruzasse a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: Uauuu!!! Eu estava na metade da América, meio caminho andado entre o Leste da minha juventude e o Oeste do meu futuro e é provável que tenha sido exatamente por isso que tudo se passou exatamente ali, naquele entardecer dourado e insólito. (…) Em algum lugar ao longo da estrada eu sabia que haveria visões e tudo mais. Na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada.”

(Jack Kerouac / On the road)

Read Full Post »

Portal de Brandemburgo

Bar intinerante

Sony Center

Catedral de Berlim

(Berlim, 16 de setembro de 2011, 18 graus)

Read Full Post »

Digamos que era uma sexta-feira à noite. Digamos que você foi a uma festa. Ou foi fazer supermercado, ou visitar um amigo, ou resolver algum assunto banal. Agora imagine que você está voltando para casa e descobre que construíram um enorme muro dividindo a cidade no meio. Bem no caminho para a sua casa. E que você ficou do lado errado.

Foi isso o que aconteceu com milhares de pessoas depois da construção do muro de Berlim, em 1961. Ele foi feito em uma noite. Todo de cimento pré-moldado, como um jogo de armar, subiu em poucas horas, ninguém viu. E dividiu a cidade por 28 anos. Famílias foram fragmentadas, casais separados, gente desaparecida. Alguns tentaram de tudo – túneis, balões, uma corda amarrada entre um edifício e outro. Muitos foram fuzilados. Se, por acaso, você estivesse do lado oposto, não havia como voltar.

Muro de Berlim, Muralha da China, Muro das Lamentações – eu nunca entendi direito a diferença entre uma coisa e outra, talvez você também não saiba. Para começar, o de Berlim não dividia a cidade por igual: ele tinha quatro lados e ilhava a Berlim Oriental no meio. Hoje, existe até um monumento para explicar melhor esta sensação de isolamento – numa praça, há quatro paredes altas formando um quadrado fechado, sem nada no centro. Vazio. Os turistas procuram uma entrada, não encontram, andam em volta, ficam olhando e não entendem nada. E a ideia é essa mesmo.

Hoje, o muro em si quase não existe mais. O povo fez questão de derrubar boa parte dos vestígios do exílio, apagar um passado relativamente recente (30 anos?) e construir uma cidade nova (o que, historicamente, é uma pena, seria como se os baianos demolissem o Pelourinho). De certa forma, conseguiram. A nova Berlim é grande, bela e refinada. O muro caiu, o tempo passou e a Alemanha se tornou o país mais rico da Europa. Mas não pôde evitar um curioso impasse de imagem pública – apesar dos modernos edifícios, parques e praças, a maioria dos pontos de interesse históricos da cidade foram erguidos pelo nazismo ou pela Guerra Fria. O desconforto é inevitável. Depois de tantos fuzilamentos, deve-se ou não convidar os visitantes a conhecer o muro? E o belo cemitério de judeus? E o monumento a Hitler? As câmeras de gás entram ou não nos guias? Um dilema que eles chamam de “constrangimento turístico”.

Bem, podemos dizer que os souvenirs alemães são inusitados – pedaços do muro, postais dos bombardeios, chapéus com máscaras de gás – e que, por enquanto, a maioria das agências de viagens preferem encaminhar a turba romântica de turistas do mundo para a Torre Eiffel, Veneza ou Disneylândia. Berlim é para poucos. Mesmo rica e linda, a capital ainda não sabe o que divulgar para o turismo de massa e vive uma autêntica crise de identidade que nem um dos maiores PIBs do mundo pôde resolver. As vítimas do muro ainda estão vivas. Tudo é recente e denso demais para chamarem de passado. Em vários pontos da cidade, seria impossível a um visitante mais sensível não perceber a cicatriz alemã desenhada no chão – a linha de cimento pré-moldado que eles não deixam apagar – e não se perguntar sobre tantos outros muros cotidianos – a morte, a perda, a separação. Sobre tudo o que é repentino e irreversível, inesperado e inevitável. Berlim é uma cidade desconcertante. Olhar para o chão riscado convida o visitante a olhar um pouco para os próprios passos – num passeio banal, na festa de sexta à noite, na ida ao supermercado – e induz esta desconfiança histórica a um dos nossos receios mais íntimos e humanos – o de, um dia, ser surpreendido do lado errado.

Read Full Post »

De novo.

Deixe seu recado após o bip.

(Berlim, 16 de setembro de 2011, 18 graus)

Read Full Post »

Duas ou três coisas que eu roubaria antes de ir embora.

(Capão, Bahia, 07/09/2011, 31 graus)

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »