Dengue, irregularidades nas eleições, desemprego em 13% e um calor amazônico de 35º. Quem mora em Salvador vai concordar: 2008 foi um ano difícil. Pra quem lê e pra quem faz os jornais. Em outubro, no meio desta confusão, parei para me perguntar se a minha missão era mesmo esta: comunicar. E a resposta não demorou. Estava em João 12:49: “o Pai que me enviou me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre como hei de falar”.
A gente sabe que a principal meta da imprensa é informar. E o cidadão moderno, de maneira geral, está bem informado – mas não sabe opinar sobre o que lê. A maioria das pessoas ignora as causas, as circunstâncias, a influência de cada fato na engrenagem da História. E narrar os fatos já não me bastava. Mas como fazer uma análise mais profunda sobre qualquer assunto numa notícia de 15 centímetros? Era preciso ser subjetiva em uma abordagem objetiva. Mas como? Tudo que se quer na vida é comer o bolo e, ao mesmo tempo, guardar o bolo – e quem souber conciliar as duas coisas, por favor, cartas à redação.
Certa vez, li uma reportagem que narrava uma experiência: quando o cientista colocava um sapo numa panela de água fervente, ele pulava para fora imediatamente. Mas, quando o cientista colocava o mesmo sapo numa panela em temperatura amena e ia esquentando a água aos poucos, ele não notava. Ele se deixava cozinhar. Simplesmente o sapo não percebia a mudança que estava acontecendo no ambiente à sua volta e acabava morrendo. Sem reagir.
Se esta experiência é real eu não sei – e, talvez, nem precise saber. Mas ela me ajudou a entender o que aconteceu comigo. Pois 2008 foi exatamente isso: o ano em que Deus elevou a temperatura do ambiente para o último grau, assim, de repente. E eu, é claro, fui forçada a pular fora. Hoje estou arrumando as malas para estudar longe de casa e acho que estou pronta para esta nova vocação – seja lá o que queira dizer ‘estar pronta’. Vou para aprofundar este tema que talvez seja a tônica da minha caminhada profissional: o jornalismo de opinião. Não dava mais para esperar. Já era hora de aprender como transformar a imprensa em voz de mudança, em ferramenta de Deus, em arma de desenvolvimento social e libertação. Dar poder à palavra. E, quem sabe, transformar o verbo em carne – mais uma vez.
Vou com fé, com esperança e com uma vontade enorme de mudar o mundo. E “orando para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo.” (Cl 4:3).
* Depoimento publicado no Jornal São Salvador em 03 de fevereiro de 2009.
Mariana, Tio Luciano tem blog? Depois do “academico-surfista-frequentador-de-show-do-chiclete-e-metido-a-administrador da UCSal”, tô achando que ele merece leitores 🙂
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Perfeito, Mariana.
Realmente, é angustiante perceber que nem sempre o papel do jornalista, na dura realidade das redações, é, verdadeiramente, informar! Ás vezes, parece-me que somos programados para fazer o contrário, ou seja, confundir.
Parabéns pelo TCC e muito sucesso nessa nova fase de sua vida.
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Engracado, vc falar esse lance do sapo. Chama-se a “sindrome do sapo fervido”, muito comentado no meio academico-surfista-frequentador-de-show-do-chiclete-e-metido-a-administrador da UCSal. Mas esta sindrome vale pra qualquer segmento de sua vida, especialmente o pessoal. Repare: isso acontece demaaaaaais nos relacionamentos. O temo muitas vezes “ferve a caldeira” e a gente ali… quietinho, achando o morno bom. Ate q o morno vira fervura e nos mata. Ou nos ferve o que temos de melhor…
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