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Archive for the ‘choro baldes (arte)’ Category

Eles são jovens, belos e mimados, estão vivendo o auge da popularidade e, em algum momento entre os 20 e os 30 anos, vão tomar alguma decisão por capricho que arruinará suas vidas. Algum contemporâneo não se reconhece nesta descrição? Alguém aqui nunca teve a sensação inevitável de, nos últimos anos, ter morrido na praia? É difícil acreditar que não estamos falando de nós mesmos, hoje, agora: impulsivos, perdidos numa virada de século mal explicada, adiando uma vida adulta que já passou da hora, levando até o fim as obsessões mais desbaratadas.

Pretensiosos. Todos os protagonistas de F. Scott Fitzgerald são assim. O autor descreve os jovens americanos dos anos 20 de uma forma tão mordaz que faz essas teorias recentes sobre a geração Y parecerem um museu de grandes novidades. Toda juventude é antiga: a adolescência tardia, as farras mais ousadas, a euforia por um futuro brilhante que, no final das contas, nunca chega, “Destinados a um daqueles momentos imortais que acontecem de forma tão radiante que sua luz é suficiente para iluminar anos” (1922, p. 125). As ruas ainda estão cheias de Anthonys, Glorias e Amorys irresponsáveis, vivendo de festas, jazz, vazio e amores obcecados. Metade do mundo desaprova. A outra metade morre de inveja.

Os romances de F. Scott Fitzgerald sempre surpreendem, mesmo que, no fundo, todos os protagonistas sejam ele e que todas as protagonistas sejam Zelda, em todos os livros. Mesmo depois da briga e da separação, dela adoecer sozinha na Europa: toda a bibliografia dele reescreve mil vezes a mesma história atormentada, interrompida, “uma presteza romântica como jamais encontrei em qualquer outra pessoa e que, provavelmente, jamais tornarei a encontrar” (1925, p.05). Lamentei quando, no ano passado, divulgaram que a canção do filme O Grande Gatsby foi desclassificada às vésperas do Oscar – ironicamente, morreu na praia. A letra era triste, desesperançada, repetia e repetia:

Você ainda vai me amar
Quando eu não for mais jovem e belo?
Você ainda vai me amar
Quando eu só tiver a minha alma amargurada para ofertar?

Em algum momento, todos aqueles personagens se perguntam isso. Quando a festa termina, quando o dinheiro acaba, quando os anos varrem quase tudo e a decadência se aproxima como se duas pessoas estivessem conversando e, no chão, suas sombras se alongassem uma sobre a outra. O que vai acontecer quando não formos mais jovens e belos? O que acontece depois dos bailes, dos diplomas, das conquistas, das vaidades? Essa pergunta já faz quase cem anos, há cem anos ela espera encadernada sobre a prateleira. Outros jovens vão deixando de ser jovens. E, até hoje, ninguém sabe a resposta exata.

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Artigo publicado no jornal Público, de Portugal. Confira aqui

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“Amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado

Amor é o que acontece
uma vez a cada dez anos

Amor é a chuva sobre o telhado
de um velho hotel
em Los Angeles

Amor é um cavalo com a perna
quebrada
tentando se levantar
enquanto 45.000 pessoas
observam

Amor é o jeito como nós fervemos
como se ferve uma lagosta viva

Amor é tudo que nós dissemos
que não era

Amor é um burro parado numa
rua de moscas

Amor é um banco de bar vazio

Amor é Dostoiévski na
roleta

Amor é o que se arrasta pelo
chão

Amor é a sua mulher dançando
colada com um estranho

Amor é uma senhora
roubando um pedaço de
pão

E o amor é uma palavra usada
muitas e muitas vezes
cedo demais.”

(Charles Bukowski / Trechos de ” Uma definição”)

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48-Frances-Ha

“É aquela coisa de quando você está com alguém e você ama esse alguém e esse alguém sabe disso. E esse alguém também te ama e você também sabe disso… mas vocês estão numa festa. E vocês estão a falar com outras pessoas e vocês estão tão sorridentes e brilhantes. E você passa os olhos pelo salão e seus olhos buscam os dessa pessoa… mas não que você seja uma pessoa possessiva, não é uma busca sexual. Mas por que… por que essa é a sua pessoa nessa vida. E é engraçado e é triste, mas é apenas por que essa vida vai acabar. Existe esse universo oculto ali acontecendo em público, sem ser notado, quase ninguém percebe. É uma espécie de milagre. Dizem que existem outras dimensões acontecendo à nossa volta, mas que não temos a capacidade de percebê-las. É isso, é isso o que eu quero levar de um relacionamento. Ou de uma vida, eu acho.”

(Frances Ha/Noah Baumbach)

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fernando pessoa bernardo soares

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Wings

(Devo pontuar a minha irritação com todos esses meninos de 11 anos que entendem mais de rock in roll do que eu. Odeio os ingleses e a sua genética musical implacável, suas simples trocas cármicas de habilidade, seus filhos que compõem para piano usando fraldas. Horror, horror.)

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o mordomo da casa branca

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“Nunca o vi perder o controle. Há três regras básicas que aplica em suas relações humanas: não é pessoal, cada um é responsável por seus sentimentos, a vida não é justa. Onde aprendeu isso? Com a máfia italiana, imagino: dom Corleone. Tentei em vão seguir seu caminho da sabedoria: para mim tudo é pessoal, sinto-me responsável pelos sentimentos dos outros, inclusive no caso de gente que mal conheço, e carrego mais de sessenta anos de frustração porque não posso aceitar que a vida seja injusta.”

(Isabel Allende / A Soma dos Dias)

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#54

Diz quanto tempo ainda te resta que eu te direi o que desperdiçar comigo. (Caco Ishak)

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The Beard

“- Eu te digo… Ela jogou a peruca para fora da janela. Foi a melhor coisa que já me aconteceu.
– Que bom.
– Eu sinto que o meu velho eu está emergindo novamente. Totalmente antiquado, completamente inseguro, paranoico, neurótico, louco…
– É bom ter você de volta.”

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(Larry David e Jerry Seinfeld/Seinfeld)

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#53

shakspeare demonios estao aqui

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