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Agora, de cada dez estrangeiros que me abordam, onze começam o diálogo assim:

– Olá, tudo bom? De onde você vem?

– Eu sou brasileira.

– Brasil???

– Sim.

– Sete a um!! O que foi aquilo??? O que houve com vocês????

– Pois…

– Pelo amor de Deus!!! Kkkkkkkk! Que vexame! Você nasceu no Brasil mesmo?

– Nasci.

-Aquilo não se explica! Em plena Copa do Mundo, sete a um???

– Fato.

– Sete a um? Kkkkkkkkk!! PQP!!!

– …

: )

Se eu não for eleita a diplomata do ano, NINGUÉM SERÁ.

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Informe

Caro leitor,

Conforme planejado, estarei temporariamente ausente por motivo de viagem. Só conteúdos pré-agendados irão ao ar.

Aos colegas de ofício informo que, infelizmente, a extensão fotográfica até Gaza, Cairo e arredores foi cancelada por motivo de: jornalistas sendo decapitados. Acho deselegante.

(É isso. Ponderamos entre a fadiga de ter que voltar para o Brasil com a cabeça debaixo do braço e a hipótese de ter que cancelar nossas passagens aéreas sobre 4 continentes – o que redefiniria todo o meu conceito de falência financeira, vejam bem – mas surgiu a opção de trocá-las por vôos para qualquer outro destino. E QUALQUER OUTRO DESTINO é uma expressão bastante ampla, correto? Vertiginosamente ampla. Que gastura).

Voltamos à questão do sorvete de flocos.

O fato é que não teremos atualizações de posts no período. Enquanto estivermos à deriva, os comentários do blog estarão liberados. Não escrevam nenhuma maluquice, crianças.

Estarei de olho. Se comportem. Se cuidem. Não façam nada que eu não faria. Beijos.

partiuanywhere

 

#81

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Delicate

Saiu um artigo na Obvious sobre a tristeza. Narrava um cenário hipotético, um encontro de compositores famosos. Sozinhos com seus violões, num silêncio angustiado, “seus olhos abatidos seguindo um amor pedido pela sala”. Num canto, o Damien Rice dedilhando Delicate ou The Blower’s Daughter. Ao longe, as sombras de Jeff Buckley e Bob Dylan. O Smith escrevendo num guardanapo: “Mantenha-se à parte, no fundo do meu coração, separado do resto, onde eu te guardo melhor, onde eu manterei as coisas que você esqueceu”. As taças na mesa, a janela aberta: tantos artistas de coração partido. O que a arte procura quando insiste em vasculhar o fundo do poço?

O artigo não fala sobre isso, mas eu tinha vontade de perguntar: quando se é jovem, genial e reconhecido, o que ainda pode faltar? As biografias são transtornadas. Penso que aquelas celebridades poderiam escrever sobre o que bem entedessem, mas focam exatamente no que não está lá: uma pessoa, um lugar, um afeto. Uma ovelha que escapa e parece ofuscar todo o rebanho. O que é que ainda dói quando se tem quase tudo?

Pior: nunca entendi quem é exatamente o público-alvo deste tipo de música. Quando Someone Like You ficou em primeiro lugar como a canção mais ouvida de 2012, eu olhava com desconfiança para as redes sociais esbanjando vidas eufóricas 24/7. Se todos acumulavam conquistas + amigos + sucessos profissionais, aonde estavam os ouvintes de Adele? Aonde estavam os losers amargurados que consagraram No Surprise? Os rejeitados que ovacionaram Creep? Eles não existem. Ou são as projeções publicadas da internet que não existem.

“Ninguém disse que seria fácil, ninguém disse que seria tão difícil”. A gente poderia incluir naquela sala de estar hipotética o Leonard Cohen e a Edith Piaf. Convidaríamos o Kurt Cobain para a mesa, o semblante perdido da Billie Holiday, o andar sonâmbulo da Amy pelos corredores. Neste jantar utópico, cada um poderia cantar um pouco a sua própria dor e “deixar a garrafa escorregar por entre os dedos, quebrando-se como uma promessa feita”. Os vizinhos aplaudiriam, emocionados. E fariam fila para se jogar do último andar.

A verdade é que a conta não fecha: sempre que outro hino à melancolia faz sucesso, eu fico procurando pelo público-alvo. Talvez a vida dos outros nunca seja o que se pensou. Nos resta aumentar o volume, girar o botão do rádio como se fosse o do gás – o que nos falta domina a nossa vida.

Qual foi a ovelha que te escapou?

#80

O brilho eterno de uma mente

(Michel Gondry / O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças)

Se Deus nunca vier

– Pró, se eu não conseguir apresentar o trabalho Marketing de Entretenimento, acontece o quê? Tipo assim, no dia da dança, se acontecer alguma coisa.
– Não vai acontecer nada, M., vá sentar no seu lugar.
– Mas, tipo, se o disjuntor da faculdade quebrar?
– Alguém conserta ele.
– E se pegar fogo?
– Sei lá, chama os bombeiros.
– Se os bombeiros não chegarem?
– Chama por Deus!
– E se Deus nunca vier???

Boa pergunta. Né? De fato. Você quer que eu te diga exatamente o quê, M.? Você passou o semestre todo dando risada sozinha olhando para o celular. Nada contra. Mas, como te ajudar agora? Eu fico na dúvida. Eu não sei. Essas perguntas difíceis no meio do expediente, eu vou te falar o seguinte: se Deus não vier, a coisa vai complicar, M. Já não está fácil para ninguém. Você não sabe da missa um terço. Problemas diversos, amiguinha. Que nem mesmo incluem entretenimento, dança e bombeiros. Infelizmente. Eu realmente espero que Deus compareça quando convocado por que, nesta altura dos acontecimentos, está difícil pensar num plano B. Sem incêndio nenhum, a coisa já está abafada o suficiente, correto? Dificuldades extremas para manter a programação normal. Então, vamos sentar, assistir aula, sem perguntas metafísicas, ok? O Divino há de dar as caras. Suponho. E o próximo que perguntar alguma coisa está automaticamente reprovado.

Enfim. Só pensei.

Eu estou trabalhando demais. É isso o que eu acho.

#79

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Orquestra Imperial

#78

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