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Piores do msn

– O resultado daquele concurso que eu fiz saiu.
– E aí? Rico? Ri-co?
– Eu passei na prova, mas teve um problema depois, por que eu perdi no psicoteste.

Ele. perdeu. no. psicoteste.

– Como??
– Entrei com uma ação, eles devem reavaliar.
– Huahuahua!
– Se tudo der certo, assumo o cargo em abril.
– Huahuahuahuahua!
– …
– Huahuahuahuahuahuahuahua!
– …
– HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

Depois eu me pergunto por que o povo me bloquea.

– É cilada, bino!

Beijo pra todo mundo que perde tempo me falando de problemas que eu não posso resolver. Para o povo que escreve e-mails, cartas, que bate na porta do Borba Gato ou faz DDI no meio da madrugada chorando litros por dores que eu não posso sanar, né, por que eu nunca tenho solução para nada. Mas hoje eu quero mesmo mandar um beijo para quem, por qualquer motivo, não seguiu fluxo natural das coisas – esse fluxo inevitável que leva a gente a se encontrar e se dispersar como bolinhas de gude pelas valetas do mundo – e sempre tem algum motivo urgente para ligar, chegar e já vir abrindo a geladeira e o coração como se estivesse em casa.

E estão.

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É isso. Ainda tem colo, ombro e crepe no fogão. Beijo pra vocês.

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“O lar de uma pessoa é como um delicioso pedaço de torta que você pede no restaurante de uma estradinha campestre em uma noite agradável — o melhor pedaço de torta que você já comeu na sua vida — e que nunca mais encontra de novo. Depois que você sai de casa, pode sentir saudades do lar, mesmo se estiver numa casa nova que tem um belo papel de parede e uma lava‑louças mais eficiente que a da casa em que você cresceu, e não importa quantas vezes a visite poderá nunca realmente se curar da sensação palpitante de saudades no seu peito. A saudade do lar pode atacar até quando você ainda está vivendo no seu lar, porém é um lar que mudou com o passar dos anos, e você sente falta do tempo — mesmo se esse tempo só existiu na sua imaginação — em que o seu lar era tão delicioso quanto na sua lembrança. Você pode procurar na sua família e na sua mente — assim como pode procurar em estradinhas campestres escuras e sinuosas — tentando recapturar a melhor época da sua vida, para poder curar a sua saudade do lar com um segundo pedaço daquela torta de um sonho distante, mas a sua busca terminará em vão, pois você perdeu o mapa que lhe dizia onde virar, e o restaurante pegou fogo há muito tempo, e a cozinheira que fez a torta se cansou de esperar por você e em vez disso dedicou a vida a fazer massa de tomate, mas ela não é muito boa nisso, e agora você está perdido na vida, as trevas se fecham sobre você, sem nada a não ser uma palpitação triste no peito e um gosto amargo na boca.”

(Lemony Snicket / Raiz-Forte)

Hoje, em mais uma edição da nossa série Meu alter ego tem 12 anos de idade, a gente vai apresentar esse vídeo aqui:

Pois é, me convenci de que vocês também curtem Paramore e resolvi postar isso sem culpa cristã – e se a coisa continuar nesse ritmo, amanhã eu vou estar publicando a música dos dedinhos da Eliana.

É que eu pensei: poxa, já que são mais de três anos de blog, a gente está tão próximo mesmo, tão íntimo, talvez você, leitor, também queira mandar seus últimos constrangimentos musicais para a gente publicar aqui.

Passe vergonha comigo enviando seu arquivo pelo e-mail:

sofropraporracomessamusicabizarra@gmail.com

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Mentira. Esse e-mail não existe.

Melhor da semana

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“Outro dia, numa entrevista, perguntaram-me o que eu penso a respeito do amor homossexual. A vida é tão breve, a felicidade tão rara, meu Deus, deixem as pessoas fazer o que quiserem com seus corpos! Só não gosto e não aceito vulgarização. O sexo é grave, nobre, belo, então a vulgarização me dói. Mas, afora o vulgar, a liberdade no amor deve ser absoluta. Com tanta violência, por que vamos perseguir justamente o amor? Já basta a miséria que nos tira quase tudo.”

Lygia Fagundes Telles, numa entrevista sobre a aprovação do casamento gay no Brasil, que aconteceu na semana passada.

Passaram a vida inteira te dizendo que Paris era um lugar romântico, né? Segredo: é mentira.

Vamos supor que cada cidade possua uma personalidade definida: nesse caso particular, não espere por sutilezas. Paris é uma dessas belezas cruéis que passam por você chicoteando as luvas de seda na sua cara:

– sou linda, supere isso.

O fato é que esse livro do Ernest Hemingway me fez pensar em por quê tanta gente não consegue esquecer a Salomé do continente europeu:
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“Quando duas pessoas se amam, são felizes e alegres, e estão empenhadas, juntas ou individualmente, numa tarefa construtiva, os outros se sentem tão atraídos por elas como as aves migradoras são atraídas à noite pela faixa de luz de um farol poderoso. Se as duas pessoas que se amam fossem tão sólidas como um farol, nada sofreriam, pois a perda seria das aves. Mas o fato é que aqueles que atraem os outros com sua felicidade são geralmente pessoas despreparadas. Não sabem como evitar que as arruínem, nem como se livrarem a tempo do perigo.”

“Se você teve a sorte de viver em Paris quando jovem, sua presença continuará a acompanhá-lo por toda a vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa móvel.”

“Foi uma refeição maravilhosa a que fizemos no Michaud, quando conseguimos entrar. Mas, quando terminamos, e não sentíamos mais fome, a sensação que nos parecera fome ainda continuava dentro de nós. Continuava quando chegamos ao quarto e, depois de termos ido para a cama e feito amor, ainda estava lá. Quando acordei, com as janelas abertas e o luar nos telhados das casas altas, ainda estava lá. Tinha de me esforçar para compreender o que se passava conosco, mas sentia-me demasiadamente estúpido. Paris era uma cidade muito antiga, nós éramos jovens e nada ali era simples, nem mesmo a pobreza, nem o dinheiro súbito, nem o luar, nem o bem e o mal, nem a respiração de alguém que, deitada ao nosso lado, dormisse ao luar.”
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(Ernest Hemingway / Paris é uma Festa)

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Livrinho para começar a ler em casa e terminar de ler na sala de espera do aeroporto. Para saber mais sobre a cidade, consulte a especialista, aqui.

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(Paris, 11/06/2010, 12 graus)

This week

(Mata de São João, 17 de abril de 2011, 30 graus)

Fotinhas do ensaio deste domingo.

Imparcialidade é um dom dos amigos. Escreva isso, memorize, tatue no braço. Toda vez em que você – indivíduo dotado de razão, inteligência e sagacidade – estiver prestes a emitir um parecer sobre qualquer assunto – importante, desimportante, aleatório – avalie seriamente o contexto em questão. Se ele for desfavorável, não opine. Sorria, mude de assunto, comente sobre, sei lá, futebol. 

Por exemplo, se você tem ou teve um papel afetivo na vida de alguém – namorada, ex, quase-futura, anywhere – presume-se que você estará sempre, em todas as situações, falando em causa própria. Se você namora, namorou, ficou, teve uma paixão platônica, piscou o olho para o cidadão na quarta série do primário, pronto, perdeu o cérebro. Desista de opinar.

Nem tente alertar o cavalheiro de que certo amigo dele não é confiável – ah, é competição – nem avisar que a colega dele está cometendo desfalques – é ciúme – nem comentar sobre o quanto aquela escolha profissional pode ser desvantajosa – isso é dependência, insegurança, medo que o cara faça sucesso, fique rico, pire na batatinha e vá morar no Ubequistão. 
 
O mocinho nunca cogita que você – obviamente, um poço irracional de carências e emoções – esteja só e apenas tentando ajudar. Que o seu senso de observação não ficou irremediavelmente turvado pelas intempéries afetivas e que o seu único intento é oferecer uma informação útil sobre um assunto que, provavelmente, nem te interessa.

Toda vez que eu me vejo com vontade de pegar um deles pelo colarinho, aplicar umas ruidosas bolachas e entoar o mantra – DEIXE DE SER OTÁRIO, MEU FILHO – eu lamento não ser apenas uma conhecida. Entre amigos, a técnica funciona. Entre amores, fale apenas sobre futebol.

Lei áurea

– Sabe quem eu encontrei ontem no mercado?
– Quem?
– Fulano. (meu ex-chefe)
– É? Foda-se.
– …
– …
– Quer comprar uma tv de plasma 42 polegadas?

Sutileza, a gente vê por aqui.