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Publicado em choro baldes (arte) | Etiquetado anúncio, louis vuitton, mariana mranda, publicidade | Leave a Comment »
Caro leitor,
Conforme planejado, estarei temporariamente ausente por motivo de viagem. Só conteúdos pré-agendados irão ao ar.
Aos colegas de ofício informo que, infelizmente, a extensão fotográfica até Gaza, Cairo e arredores foi cancelada por motivo de: jornalistas sendo decapitados. Acho deselegante.
(É isso. Ponderamos entre a fadiga de ter que voltar para o Brasil com a cabeça debaixo do braço e a hipótese de ter que cancelar nossas passagens aéreas sobre 4 continentes – o que redefiniria todo o meu conceito de falência financeira, vejam bem – mas surgiu a opção de trocá-las por vôos para qualquer outro destino. E QUALQUER OUTRO DESTINO é uma expressão bastante ampla, correto? Vertiginosamente ampla. Que gastura).
Voltamos à questão do sorvete de flocos.
O fato é que não teremos atualizações de posts no período. Enquanto estivermos à deriva, os comentários do blog estarão liberados. Não escrevam nenhuma maluquice, crianças.
Estarei de olho. Se comportem. Se cuidem. Não façam nada que eu não faria. Beijos.
Publicado em gêmea má (maledicências) | Etiquetado ausência, fanta mariana miranda, flocos, viagem | 2 Comments »
Publicado em gêmea má (maledicências) | Etiquetado fanta mariana miranda, jesus, muro, volta | Leave a Comment »
Saiu um artigo na Obvious sobre a tristeza. Narrava um cenário hipotético, um encontro de compositores famosos. Sozinhos com seus violões, num silêncio angustiado, “seus olhos abatidos seguindo um amor pedido pela sala”. Num canto, o Damien Rice dedilhando Delicate ou The Blower’s Daughter. Ao longe, as sombras de Jeff Buckley e Bob Dylan. O Smith escrevendo num guardanapo: “Mantenha-se à parte, no fundo do meu coração, separado do resto, onde eu te guardo melhor, onde eu manterei as coisas que você esqueceu”. As taças na mesa, a janela aberta: tantos artistas de coração partido. O que a arte procura quando insiste em vasculhar o fundo do poço?
O artigo não fala sobre isso, mas eu tinha vontade de perguntar: quando se é jovem, genial e reconhecido, o que ainda pode faltar? As biografias são transtornadas. Penso que aquelas celebridades poderiam escrever sobre o que bem entedessem, mas focam exatamente no que não está lá: uma pessoa, um lugar, um afeto. Uma ovelha que escapa e parece ofuscar todo o rebanho. O que é que ainda dói quando se tem quase tudo?
Pior: nunca entendi quem é exatamente o público-alvo deste tipo de música. Quando Someone Like You ficou em primeiro lugar como a canção mais ouvida de 2012, eu olhava com desconfiança para as redes sociais esbanjando vidas eufóricas 24/7. Se todos acumulavam conquistas + amigos + sucessos profissionais, aonde estavam os ouvintes de Adele? Aonde estavam os losers amargurados que consagraram No Surprise? Os rejeitados que ovacionaram Creep? Eles não existem. Ou são as projeções publicadas da internet que não existem.
“Ninguém disse que seria fácil, ninguém disse que seria tão difícil”. A gente poderia incluir naquela sala de estar hipotética o Leonard Cohen e a Edith Piaf. Convidaríamos o Kurt Cobain para a mesa, o semblante perdido da Billie Holiday, o andar sonâmbulo da Amy pelos corredores. Neste jantar utópico, cada um poderia cantar um pouco a sua própria dor e “deixar a garrafa escorregar por entre os dedos, quebrando-se como uma promessa feita”. Os vizinhos aplaudiriam, emocionados. E fariam fila para se jogar do último andar.
A verdade é que a conta não fecha: sempre que outro hino à melancolia faz sucesso, eu fico procurando pelo público-alvo. Talvez a vida dos outros nunca seja o que se pensou. Nos resta aumentar o volume, girar o botão do rádio como se fosse o do gás – o que nos falta domina a nossa vida.
Qual foi a ovelha que te escapou?
Publicado em raspas e restos (crônicas) | Etiquetado damien rice, delicate, mariana miranda, música | 2 Comments »
Publicado em choro baldes (arte) | Etiquetado filme, mariana miranda, o brilho eterno de uma mente sem lembranças | Leave a Comment »
– Pró, se eu não conseguir apresentar o trabalho Marketing de Entretenimento, acontece o quê? Tipo assim, no dia da dança, se acontecer alguma coisa.
– Não vai acontecer nada, M., vá sentar no seu lugar.
– Mas, tipo, se o disjuntor da faculdade quebrar?
– Alguém conserta ele.
– E se pegar fogo?
– Sei lá, chama os bombeiros.
– Se os bombeiros não chegarem?
– Chama por Deus!
– E se Deus nunca vier???
Boa pergunta. Né? De fato. Você quer que eu te diga exatamente o quê, M.? Você passou o semestre todo dando risada sozinha olhando para o celular. Nada contra. Mas, como te ajudar agora? Eu fico na dúvida. Eu não sei. Essas perguntas difíceis no meio do expediente, eu vou te falar o seguinte: se Deus não vier, a coisa vai complicar, M. Já não está fácil para ninguém. Você não sabe da missa um terço. Problemas diversos, amiguinha. Que nem mesmo incluem entretenimento, dança e bombeiros. Infelizmente. Eu realmente espero que Deus compareça quando convocado por que, nesta altura dos acontecimentos, está difícil pensar num plano B. Sem incêndio nenhum, a coisa já está abafada o suficiente, correto? Dificuldades extremas para manter a programação normal. Então, vamos sentar, assistir aula, sem perguntas metafísicas, ok? O Divino há de dar as caras. Suponho. E o próximo que perguntar alguma coisa está automaticamente reprovado.
Enfim. Só pensei.
Eu estou trabalhando demais. É isso o que eu acho.
Publicado em gêmea má (maledicências) | Etiquetado faculdade, mariana miranda, trabalho | Leave a Comment »
Publicado em gêmea má (maledicências) | Etiquetado domêmico massareto, falar a mesma coisa, mariana miranda | Leave a Comment »
Publicado em choro baldes (arte) | Etiquetado último romance, mariana miranda, música, orquestra imperial | 1 Comment »
Publicado em gêmea má (maledicências) | Etiquetado colateral, filme, mariana miranda | 1 Comment »
“And more, much more than this,
I did it my way.”
(Frank Sinatra / My Way)
.
Você vai me contar uma história. Onze da noite, garçons limpando o balcão, eu estou no lugar combinado e, de alguma forma, eu já sei disso. Você vai chegar, voz baixa. E vai olhar para os lados antes da primeira frase, por que essa é a sua maneira de procurar as palavras. Se respirar fundo, o assunto é longo, se gaguejar, é grave. Remexe no guardanapo, nas chaves, no cinzeiro. Descruza os braços. Pondera.
Uma vez, a professora pediu para cada aluno descrever a Branca de Neve. Escrevi órfã, pálida, envenenada. Ela mandou chamar a minha mãe. Desde sempre, este esforço para acompanhar o enredo dos textos, tantas vezes o que está escrito não interessa – só a mão suspensa sobre o teclado, as pausas. O interdito que escapa depois das reticências. O baixar dos olhos antes da resposta – o mundo do outro, essa terra estrangeira. Eu tenho tentado chegar mais perto. Sondar a tudo sem movimentos bruscos, sem tropeçar sobre esta ponte frágil. Faz de conta que estamos falando sobre Kant. Faz de conta que estamos falando sobre Bach. Dois centímetros e meio por ano é a acumulação média de detritos pelo tempo, num século muros e cercas dissipam-se em nada. Narramos sem defesa sobre qualquer memória passada e a poeira dos anos assenta sobre o mármore da mesa.
Tantas perguntas. Cada lembrança nos dá um lugar aonde ir quando precisamos continuar aonde estamos. Se não tivermos, em algum canto do coração, um quarto de brinquedos perdido, um pomar longínquo, o quê nesta vida ainda nos restaria? Fala, fala, fala, quase não respiro. Recolho um mosaico confuso, baú chinês, caixa de Pandora – nomes, mapas, segunda, terça, novembro, outono, 1985 – faria alguma diferença se eu dissesse agora que o que houver depois não fará nenhuma diferença? Você vacila antes de falar, te escapa o gesto. Adivinho a paisagem por trás da janela. As histórias banais, a nostalgia do novo – recordações alheias me matam de saudade. Faz de conta que não era longe. Faz de conta que não era tarde. Faz de conta que o futuro cumpriu com tudo o que foi prometido. Me conta sobre o seu cachorro, sobre o seu boneco, o quintal de casa. Agora eu era o seu diário, confessa uma travessura. Divide qualquer coisa antiga que você nunca se esqueceu. E o seu passado não será só seu. E a sua vida não será só sua.
Garçons limpando o balcão, eu aguardo no lugar de sempre. No futuro, talvez eu aguarde em algum lugar hipotético da sua memória. Se você soubesse que chegaria até aqui, teria feito tudo da mesma maneira?
Hoje, senta aqui comigo. Me apresenta o céu e o inferno. Me conta a sua história.
Publicado em raspas e restos (crônicas) | Etiquetado biografia, história, mariana miranda, memória, passado | 3 Comments »