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Susto

Esses anúncios portugueses ainda me matam…

8 motivos

Cansei de convidar. Já tô apelando…

Abalou

Hoje à noite, Portugal, Espanha e Marrocos passaram por um abalo sísmico de 6 graus na escala Richter. Na verdade, foram 16 abalos, mas esse foi o mais sentido e, segundo as autoridades, não será o último. Alguns muros desabando, algumas pessoas correndo pela rua, nada grave. Grave é ver a previsão da National Geographic, feita em 2004, se concretizando: “Lisboa poder vir a sofrer um novo sismo, em tudo semelhante ao de 1755, que praticamente arrasou o capital portuguesa. Segundo alguns especialistas, o terremoto de 1755 terá sido consequência da actividade do sistema de placas subterrâneas, cujo movimento continua a ser detectado, deixando no ar a possibilidade de que um novo abalo, de consequências devastadoras, possa voltar a repetir-se na Península Ibérica”.

Alguém lembra do abalo de 1755? Segundo relatos da época: “O terremoto ocorreu na manhã de Festa de Todos os Santos, durou de três a seis minutos, causando fissuras de cinco metros de largura no chão do centro da cidade. Os sobreviventes fugiram em busca de espaço aberto e foram capazes de observar o recuo das águas, revelando o fundo do mar coberto de destroços e navios submersos por séculos. Quarenta minutos depois do terremoto, três ondas de seis a vinte metros subiram o rio Tejo e deixaram vítimas também em Marrocos. Nas áreas não afetadas pelo tsunami, o fogo se levantou e as chamas varreram a cidade durante cinco dias”.

Conclusão: o mundo está se acabando. Pelo menos do lado de cá. Achei que seria em 2012, como sugeriu, garantiu e prometeu Nostradamus, mas a festa já começou. Música, maestro.

No fim da aula, meu professor resolve me emprestar um livro da biblioteca pessoal dele: um clássico precioso, obra-prima da Literatura, texto arrojado, completo, inteligente e todo escrito em alemão. Massa. Agradeço sorridente, saio da sala me sentindo a vassoura do estábulo do cavalo do bandido varrendo o chão do inferno e pego o elevador. Lá fora chove canivetes e ficam todos no saguão esperando o dilúvio passar, falando sobre qualquer coisa para matar o tempo, a tempestade, o clima, a novela e, por fim, a profissão.

O colega que queria viver de jazz abriu um estúdio para a gravação de jingles, o ator que não decolou virou produtor cultural. O ilustrador de histórias agora desenha logomarcas, moça que estudou cinema clássico edita comerciais e, por fim, meu professor, que era escritor de romances épicos virou (adivinha?) professor de Edição de Texto. Como se todos coubessem na mesma história do cara que, na impossibilidade de casar com a mulher dos sonhos, aceita noivar com a prima mais nova e menos interessante, só pra manter certa proximidade. Tudo para a falta doer menos, pra manter a porta entreaberta. Raspas e restos me interessam.

Freud chamaria isso de sublimação, mas eles chamam de realidade. Fico calada ouvindo as histórias e penso que, de certa forma, essas coisas acontecem por que a Arte é um mito democrático: todos acreditam que o grande gênio pode aparecer em qualquer lugar. Tipo craque de futebol. Para algumas profissões não existe este limbo, ou é ou não é: nunca conheci ninguém que, um dia, descobriu um dom e, de repente, virou físico quântico. Um físico quântico se constrói ao longo de anos de estudo e não depende tanto da sorte pra isso. Acho que ninguém teve notícia de nenhum astronauta que topasse vender picolé na porta do laboratório à espera de uma oportunidade, um cirurgião que vivesse esperançoso na periferia da profissão. Só na Arte o povo acredita em bilhete de loteria por que, no fundo, ninguém sabe explicar ao certo por que o talentoso A faz sucesso e o talentoso B continua nos circuitos alternativos. Diante do mistério, o êxito é improvável, mas não impossível.

É como quando você vai a uma loja e vê aquele objeto de desejo por um preço caro, mas não proibitivo. Se custasse 5 reais você pagava, se custasse 500 reais você deixava pra lá. Mas ele custa 50. Você não compra, mas não consegue esquecer o assunto.

Foto de família

– Bom dia, crianças. Como vocês já sabem, a mamãe de vocês vai ficar lá fora enquanto eu tiro uma foto de vocês três aqui no estúdio. Podem ficar em pé bem aí na frente. Vamos colocar uma beca pra fazer uma pose bem bonita?
– Tia, o que é beca?
– É… tipo um enfeite. Você coloca essa rosa no cabelo, o menino maior coloca o casaco e o menino menor põe esse chapéu, certo?
– Meu nome é Jonatha.
– Certo, Jonatha, você é o menor e fica com esse chapéu. Todos prontos?
– O Júnior pegou meu chapéu!!!
– Júnior, devolve o chapéu do menino menor agora!
– Meu nome é Jonatha.
– Isso, o chapéu do Jonatha.
– Mas, tia, esse chapéu é meu.
– Pode ser seu, querido, mas agora, só pra tirar a foto, você vai ficar com o casaco e emprestar o chapéu ao seu irmão, certo? Pronto, vamos lá. Cadê a menina?
– O nome dela é Rosa.
– Isso, cadê a Rosa?
– Tô aqui, tia.
– E cadê a flor que eu te dei? Aquela rosinha amarela pra colocar no cabelo?
– Eu não sei.
– Você perdeu?
– Eu não sei.
– Ah, meu Deus… gente, alguém viu a rosinha?
– Eu tô aqui.
– Não, querida, a rosa que estava no seu cabelo.
– Eu não sei.
– Meninos, vocês viram… mas o que é isso??? Larguem essa máquina agora!!
– Foi ele quem começou, tia, e pegou o meu chapéu.
– Não interesa quem começou, venha cá você, dá aqui essa máquina. Isso aqui é caro, entendido?? Não toque mais nisso. Cadê o chapéu do seu irmão?
– O chapéu é meu.
– NÃO IMPORTAAA!!!!
– Manhêêêêê!!!!
– Brincadeira, brincadeira, querido, a tia estava brincando. Olha pra mim: eu já sei que o chapéu é seu. Mas você que sempre foi um menino tão bom, tão generoso, não pode emprestar?
– Como a senhora sabe que eu sou bom se me conheceu hoje, tia?
– Sabendo! Olha, não interessa. Eu só quero que você empreste o chapéu ao seu irmão por um minuto, ok? Combinado?
– Combinado.
– Vamos lá. Cadê os outros dois? Ei, fiquem aí no meio, vamos posar para a foto, tá? Sem a rosinha mesmo, só com o chapéu e o casaco, todos prontos? Ninguém achou mesmo a rosinha?
– Eu estou aqui.
– Sim, querida, volte pra lá, fique no meio dos seus irmãos. Isso, todo mundo sorrindo. Por que você não está sorrindo?
– Ele não sorri por que perdeu os dentes de leite, tia. Só tem trave.
– Sorria, querido, está lindo assim mesmo.
– …
– Olha aqui, se você não sorrir eu vou ter que arrancar os outros dentes todos.
– Manhêêêêê!!!!
– Pronto, pra mim chega. Vocês vão ficar quietos e eu vou tirar essa foto agora, entendido??? Chega! Vamos lá, olha o passarinho!
– Que passarinho?
– Não tem passarinho nenhum, é para olhar para a câmera. Ei, você, devolve o chapéu para o menino menor agora!! AGORAAA!!!
– Mas, tia, já passou um minuto!
– NÃO IMPORTA!!!!
– Tia…
– O QUE ÉÉÉ???
– Meu nome é Jonatha.

Antes, eu gostava do filme O Diabo veste Prada. É uma história sobre Andrea,  uma jornalista recém-formada que foi contratada pela revista de moda Runway (metáfora para Vogue) e passa por todos os tipos de assédio moral com sua nova chefe, a editora Miranda. Gostava especialmente da cena em que ela comenta sobre as suas insatisfações com um colega de trabalho e ele responde: “Querida, não faça drama. Milhões de garotas se matariam para estar no seu lugar”.

No cinema, tudo fazia sentido, tudo era engraçado e divertido, até o dia em que eu mesma me formei em Jornalismo, fui contratada por uma grande empresa de moda e tenho uma chefe que faz a personagem Miranda parecer uma mãe. Trata-se de uma companhia de recrutamento de modelos para revistas e tv: um edifício com auditórios para workshops de desfile, nutrição e estilo, com salões de maquiagem, longos cabides com roupas e sapatos, além de um andar só com estúdios de fotografia. E é aí que entro eu.

No mais, o ambiente é ótimo: homens e mulheres adultos pesando 40 quilos, elas com escarpans salto quinze e meio, eles com camisas estampadas em braile, todos afogando-se em pó campacto como se não houvesse amanhã – ainda não estamos falando dos modelos, estes são só os meus colegas – música eletrônica tocando o tempo todo, paredes cobertas de espelho, tapete vemelho em todos os corredores – o que me obriga a comentar que eu aceitaria pacificamente a hipótese do prédio ter outras funcionalidades durante a noite, mas isso não vem ao caso – telefones tocando, computadores piscando, bips bipando e eu editando fotos escondida atrás do PC para que ninguém desconfie que eu uso óculos de grau para ler. Ops, falei.

Os dias foram passando. Depois do estranhamento inicial, alguma integração: primeiro um rímel azul, depois umas botas cano-alto, depois uma saia mais curta e eu, que sempre achei que estava para a moda assim como o avestruz está para o patins, tenho que apertar a mão de Aluísio de Azevedo: realmente o ambiente errado na circunstância errada pode transformar qualquer mortal num ícone da depravação, qualquer São Francisco de Assis em um Latino, qualquer Madre Tereza em Madame Bovary e qualquer Madame Bovary em Lady Gaga. Mesmo que ele não tenha dito isso assim, com essas palavras. E o que comprova a teoria? A minha pessoa. Agora acordo cedo, dou uma lida na Vogue, intero-me de todas as notícias fúteis publicadas na rede mundial de computadores, escolho alguma coisa imoral no guarda-roupas e saio pra trabalhar. E inicio o expediente, mas não antes de ter um pit-stop de meia hora na sala de maquiagem, outro no figurinista e outro na malharia para escolher a cinta-liga do dia. Alguém chame um médico!!!

Eu disse que o caso era grave. Já fui a festas de luxo, já furei com todos os amigos para ir trabalhar, já cheguei atrasada ao aniversário do meu namorado e já domino inutilidades estéticas, como a diferença entre branco-beje, branco-marfim e branco-pérola – ou seja, incorri em todos os clichês do filme. Agora, para eu acreditar que a minha vida é um completo lugar comum, só falta algum gênio da raça querer me convencer de que, apesar de tudo, “milhões de garotas se matariam para estar no meu lugar”. E nem me olhe com essa cara por quê eu sei que você estava pensando em dizer algo assim.


Para você viveu numa caverna durante os últimos dez anos e não teve acesso aos filmes mais batidos de Hollywood, tá aí o trailler.

A viagem foi longa. Teoricamente, meus cálculos garantiam que o jeito mais barato de chegar à Veneza era ir para Porto (Portugal), depois pra Girona (na Espanha, divisa com a França), de lá para a Itália e, já dentro do país, dar um jeito de chegar à Veneza. Teoricamente.

E foi só carimbarem um número errado no passaporte para a gente perder o avião pra Itália, gastar todo o dinheiro em novas passagens, ficar na estrada de Girona pedindo carona, ir parar em Barcelona, querer voltar pra o aeroporto Girona e tomar conhecimento de que o único meio de transporte para lá – ônibus – não estava disponível por que as empresas rodoviárias resolveram entrar em greve exatamente naquele dia. Por tempo indeterminado.

E, quando a criatura está presa em uma cidade estrangeira, sem dinheiro, sem ter aonde dormir, sem ter como voltar, ciente de que vai perder o segundo avião e sem acreditar que nada mais absurdo-louco-improvável possa acontecer, encontra este cartaz num muro. Em plena Barcelona, um movimento baiano feminista-anarquista-cangaceiro que busca “o equilíbrio orgânico e natural da vida” (???) é demais pra mim, minha gente!!!

Se a sua vida também anda caótica, se todas as coincidências improváveis acontecem com você, se tudo conspira para o inacreditável e, mesmo assim, você ainda duvida que a humanidade enlouqueceu, dá uma olhada no site do tal cartaz:

http://www.representacorisco.com

Pronto. Sobrou alguma dúvida?

Amor passageiro

Às vezes, alguns anúncios da tv a cabo aqui de casa me fazem lembrar de duas coisas:

1 – Por que foi mesmo que, um dia, eu decidi cursar publicidade;

2 – Por que foi mesmo que, um dia, eu decidi ter tv a cabo.

Pra quem não entendeu o que o hombre fala no final:

“Não são os novos trens nem as novas estações que mudam o seu caminho.
Metrô de Madri: te levamos por dentro.”

Passárgada

O problema é que eu nunca tive pra onde voltar. Pense comigo: a gente sabe que quase todo mundo que mora em Salvador nasceu em outro lugar – numa cidade de interior, num distrito, numa beira de estrada qualquer. Daí o cara cresce e vai morar na capital, mas basta ter um feriado, um São João, um batizado-de-cachorro-louco pra ele querer voltar lá, rever a família, os amigos, festejar os velhos tempos e, depois, retornar de Passárgada batendo no peito e dizendo que aquele sim é lugar bom pra se viver. E eu me perguntando: se tudo isso é verdade, então por que raios o cara não vive lá?

Mas essa novela é antiga. Quando eu estudava no colégio primário, a volta às aulas era o reinado dos imigrantes interioranos saudosos do paraíso perdido. Horas e horas de relatos mirabolantes sobre as férias na cidadezinha não-sei-de-quê, que fica não-sei-aonde, um desses lugares que eu não conhecia e, provavelmente, não iria conhecer nunca. Daí, se um coleguinha dizia que em Cabuçu só tem peixe de duas cabeças, que em Paramirim só tem árvore de mil anos, que em Tabocas do Velho Brejo tem lobisomem, saci, caipora, enterro de anão e máquina de dinheiro, só me restava acatar, afinal, quem ia lá pra conferir? Na faculdade, a coisa piorou. Era fulano ter um problema, uma nota baixa, uma unha quebrada e pronto: voltava para a casa dos pais pra chorar suas mágoas no tal oásis bucólico no fim do mundo com direito a ovações de filho pródigo e bandinha tocando no coreto. Ou, se o recall de prestígio andava baixo na capital, era hora do cidadão viajar e retornar destilando novidades – o fim de semana foi ótimo, muita festa, muitos amigos, namoros e aventuras bombando lá em Boa Vista do Tupim enquanto vocês estavam aqui, levando essa vidinha insossa – mesmo que não fosse necessariamente com essas palavras, mesmo que não fosse necessariamente verdade. Todo mundo fazia isso, menos eu, afinal, eu ia fugir pra onde, meu Deus?

O problema é que eu nasci em Salvador, cresci em Salvador, passei as férias nos arredores de Salvador, ou seja, meu território era o quintal de todo mundo, conhecido demais, pisado demais – nenhuma aura de mistério, nenhum fato desconhecido que eu pudesse aumentar, piorar e distorcer com toda a minha capacidade criativa. Afinal, se um peixe de duas cabeças resolvesse aportar na praia de Amaralina, isso já teria dado no jornal, no Bocão e no Varela. Enfim, um talento desperdiçado.

Daí, pra poder contar que a minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, o jeito é viajar. E alguém que já nasceu numa capital tem dificuldades de transformar a gran-urben-natal num potinho perdido o mapa, mas consegue: viaja pra longe, monta residência do outro lado do oceano e já pode mentir à vontade, certo? Errado.

Errado por que a capital em questão é Salvador e nada que eu invente vai ser mais absurdo do que a versão real. E é só dizer que eu nasci numa cidade onde o instrumento musical típico tem uma corda só, onde existe uma praça chamada Terreiro de Jesus, onde as vésperas de feriados são enforcadas e os nativos são capazes de gastar até três salários mínimos num abadá de Carnaval para a história ganhar tons apoteóticos de lenda urbana. Entendem? E cá estou eu, de novo, sem oportunidade de dar vazão a minha prodigiosa e recalcada capacidade imaginativa, já que é só contar a verdade pra ver o queixo do povo rolando no chão. Tédio.

E o pior nem é ser tolida desta oportunidade única de mentir descaradamente. É não inventar nada e ainda ter que ouvir essa gente perguntando desconfiada: mas se tudo isso é verdade, então por que raios você não vive lá?

Pedro procura Inês

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Quando eu penso que já vi tudo nesta vida, aparece um colega meu de faculdade pichando a cidade inteira com a frase Pedro procura Inês. Quis saber por fontes oficiosas o que estava acontecendo e explicação veio antecedida por uma rápida contextualização político-cultural: aquela era um referência a um fato acontecido em Portugal nos tempos do reinado, quando o então príncipe D. Pedro I apaixonou-se por uma mulher sem sangue azul, a Inês de Castro. O pai de D. Pedro, para evitar problemas diplomáticos, exilou Inês num castelo perto da Espanha, mas o cara não desistiu da moça. Daí o rei não viu outra alternativa se não mandar assassinar a plebéia, por que, como todo mundo sabe, na briga do mar com o rochedo quem se acaba é o camarão. Pedro, desinformado, continuava a procurá-la e, quando soube do acontecido, ficou revoltado: arrependeu-se de não ter enfrentado o pai antes, levou o cadáver ao reino e obrigou toda a corte a uma cerimônia de coroação e beija-mão à rainha morta. Episódio verídico que entrou para os Lusíadas, de Camões.

Depois deste parêntese histórico, a fofoca em si: meu colega havia namorado durante muito tempo com uma Inês, sendo conhecido por ser um namorado ciumento e chato. Daí, quando a Inês desta história resolveu tirar o cavalinho da chuva e amarrar em outras paragens, o cara endoidou: rabiscou os muros da cidade toda e até fez uma página na internet para falar sobre sua dor de cotovelo, suas saudades, coisa e tal. Ou seja, ao invés do cara guardar o arrependimento dele e ir sofrer calado num rancho fundo bem pra lá no fim do mundo, o cidadão faz um blog aonde todos possam opinar sobre o seu infortúnio, lamentar, dar tapinha nas costas. Bem, eu imagino que esse tipo de comunicação nem seja usado para mobilizar a piedade alheia, mas só obter um feed-back, tipo um eco da própria consciência, onde todo mundo lê e comenta: cara, a culpa é sua, você foi irresposável, você merece tudo o que está passando e a gente só está aqui se solidarizando por que gostamos de ver a justiça sendo feita. O que pode ser mais compreensível?

Eu compreendo. E, na verdade, só lembrei dessa história do Pedro por que cheguei do serviço agora e sentei decidida a dissertar sobre o meu novo e cansativo trabalho, mas daí lembrei que havia publicado no Orkut as fotos da última viagem. E concluí que, necessariamente, uma coisa contradiz a outra. Afinal, não dá pra posar ao lado da Fontana di Trevi e, no dia seguinte, chegar em casa com cara de paisagem maldizendo a minha situação financeira, os meus subempregos de segunda a segunda até as 21 horas e a minha geladeira cheia de garrafas d’água sem ouvir: cara, a culpa é sua, você foi irresposável, você merece tudo o que está passando e a gente só está aqui se solidarizando por que gostamos de ver a justiça sendo feita. Eu sei, eu sei, pode bater por que eu mereço.

Então, hoje não me sinto no direito de reclamar da vida, o que me tole do meu assunto predileto: reclamar da vida. Acho que só vai me restar recomendar o blog-muro-de-lamentações do Pedro, afinal, ele está arrependido. E, eu, nem isso.

http://www.pedro-procura-ines.blogspot.com