Posts Tagged ‘mariana miranda’
#44
Posted in gêmea má (maledicências), tagged astronalta, mariana miranda on agosto 12, 2013| 1 Comment »
Livro: O Grande Gatsby
Posted in books on the table (literatura), tagged f. scott fitzgerald, mariana miranda, o grande gatsby on agosto 9, 2013| Leave a Comment »
“Sorriu compreensivamente – muito mais do que compreensivamente. Era um desses raros sorrisos que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a nós talvez nos deparemos quatro ou cinco vezes na vida. Um sorriso que, por um momento, encarava – ou parecia encarar – todo o mundo infindável, e que depois se concentrava em nós com um preconceito irresistível a nosso favor. Um sorriso que nos compreendia só até o ponto em que nós queríamos ser compreendidos, que acreditava em nós como nós gostaríamos de acreditar, assegurando-nos que tinha de nós exatamente a impressão que, na melhor das hipóteses, esperávamos causar.” (p. 30)
“No encantado crepúsculo metropolitano, eu sentia, às vezes, em mim e nos outros, uma obsedante solidão, ao ver os pobres e jovens empregados caminharem a esmo diante das vitrinas, à espera de que fosse hora de jantar num restaurante solitário… jovens empregados ao crepúsculo, desperdiçando o momento mais pungente da noite e da vida.” (p. 73)
“E eu gosto de festas grandes. Elas são tão íntimas! Nas pequenas reuniões não há isolamento algum.” (p. 64)
“E o jeito que ele a olhava era o jeito que todas as garotas gostariam de ser olhadas.”
“A cidade, vista da ponte Queensborough, é sempre uma cidade vista pela primeira vez, em sua primeira e violenta promessa de todo o mistério e de toda beleza existente no mundo.” (p. 89)
(F. Scott Fitzgerald / O Grande Gatsby)
#43
Posted in gêmea má (maledicências), tagged chico buarque, mariana miranda on agosto 7, 2013| Leave a Comment »
A cidade abandonada
Posted in choro baldes (arte), tagged mariana miranda, rubens braga on agosto 4, 2013| Leave a Comment »
“No bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.”
(Rubens Braga / A Viajante)
#42
Posted in choro baldes (arte), tagged mariana miranda, snoopy on julho 31, 2013| Leave a Comment »
As Artes da Ausência
Posted in raspas e restos (crônicas), tagged antígona, mariana miranda, platão, teatro on julho 29, 2013| 2 Comments »
Platão acreditava que a escrita era uma invenção do Demônio. Como a maioria das pessoas do seu tempo, ele defendia a oralidade e dizia que os homens que aprendessem a escrever certamente perderiam a memória e ficariam dementes. Segundo um estudioso da cultura grega, a sociedade da época dividia a arte em dois status: as Artes da Presença e as Artes da Ausência. As presenciais eram as que exigiam a presença do artista para a sua apreciação – o teatro, a dança, a música – e as artes ligadas à ausência podiam ser conhecidas sem a presença do autor – como a gravura, a escultura e a escrita.
As Artes da Presença eram para os destemidos, os fracos se esconderiam atrás da própria ausência. A oralidade era um mérito por sua exposição. A escrita, uma fuga.
Eu lembro quando Carlos cruzou o limite entre uma coisa e outra, no verão de 1995, no dia da encenação de uma peça grega: Antígona, de Sófocles. Era um dia de festa no colégio, com peças teatrais e famílias na platéia. Carlos faria um dos protagonistas. E ele também tocava piano.
Tocava piano em aulas particulares em casa. E, apesar do teatro, era para o piano que Carlos vivia. Ele me contava por horas sobre as partituras e as escalas cromáticas e sobre como aquelas aulas o faziam esquecer dos problemas de casa: as brigas com o pai, as queixas da mãe, os absurdos do irmão mais velho com quem ele já não falava há três anos, mesmo morando debaixo do mesmo teto. Um tempo antes, no intervalo da escola, Carlos me confessou que era apaixonado pela professora de piano e que nem entendia tanto de música, mas era pra ela que ele estudava. E lia partituras e decorava cifras: para esperar pela próxima aula. Pra fazer bonito pra ela. E que este afeto certamente seria recíproco – se ele não fosse dez anos mais novo que a tal professora.
Se há uma coisa que a gente aprende no colégio, é que todos os nossos colegas têm dores de amor parecidas – dramas, dúvidas, o fim do mundo todos os dias. Mas as narrativas de Carlos eram especialmente interessantes por que incluíam Beethoven, Mozart e Bach. Nenhum de nós imaginou que aquele dia mudaria tudo. Depois da apresentação de teatro, quando as luzes se acenderam, ele não conseguiu disfarçar o susto. Estava o irmão dele, na platéia, de mãos dadas com uma moça. Ela acenava. A moça era a professora de piano.
E tudo desmoronou.
Não falamos sobre isso no dia seguinte e, depois, nunca tocamos no assunto. Nunca soube como as coisas terminaram. Aos treze anos, todo meu conhecimento sobre tragédias gregas era Antígona e a triste história do meu amigo Carlos.
Os anos passaram. E eu adoraria dizer que, depois deste desgosto, ele cresceu, ficou famoso, ganhou o Grammy e voltou para sapatear na cara de todo mundo, mas esse é o problema das histórias reais, tão insensíveis ao nosso lirismo. Carlos largou o teatro e música e se tornou um rapaz inteligente, calado e distraído. Nos anos seguintes, enquanto era eu quem narrava os desmoronamentos da minha vida, a vida dele era um retiro dedicado à leitura. Trocamos muitos livros. Nos tornamos, ambos, jornalistas e fotógrafos. E distraídos.
Ano passado, o encontrei sentado no velho janelão do prédio onde trabalho – Tem um minuto? Precisamos conversar – e ele me falou sobre a profissão, sobre o futuro e eu o ouvia pensando na teoria de Platão, nas Artes da Presença e nas Artes da Ausência. No fato curioso dele ter trocado a música/teatro pela escrita/gravura. E lembrei da professora de piano. Ele já era outro, mais velho, mais esperto, tatuado e com todas as incertezas de quem, como eu, chegou à casa dos trinta sem ganhar um Grammy. Como no colégio, todos os colegas têm dores parecidas – dramas, dúvidas, o fim do mundo todos os dias. Aí, eu falei desse concurso de fotografia. E ele se inscreveu. E venceu o concurso.
Ontem, no meio daquela chuva, enquanto eu dirigia a caminho da exposição, cheguei à conclusão de que talvez a escrita seja mesmo uma invenção do Demônio para apagar o passado. E Carlos havia finalmente apagado o dele. Talvez as pessoas que escrevem percam mesmo a memória e a gravura seja, enfim, uma das Artes da Ausência. Talvez os gregos tenham inventado a fórmula do esquecimento. Era nisso que eu pensava quando cheguei lá. Mas Platão estava errado.
A foto vencedora era a imagem de um piano.
Happy Hour
Posted in gêmea má (maledicências), tagged happy hour, mariana miranda on julho 26, 2013| Leave a Comment »
– Olá, boa noite.
– Ahh! Você deve ser a convidada da Dani. Bem-vinda. Curioso eu nunca ter te visto com ela.
– Verdade. A gente não têm conseguido se encontrar, horários diferentes. Sabe como é, ela é funcionária, eu sou dançarina.
– Você é dançarina?
– …
– Fantástico. E você dança o quê?
– Lambada.
– Que legal.
#41
Posted in choro baldes (arte), tagged los hermanos, mariana miranda on julho 25, 2013| Leave a Comment »
Marlon Brando
Posted in choro baldes (arte), tagged mariana miranda, valter hugo on julho 23, 2013| Leave a Comment »
“Brincávamos a cair nos braços um do outro, como faziam as atrizes nos filmes com o Marlon Brando, e depois suspirávamos e ríamos sem saber que habituávamos o coração à dor. (…) Eu ainda te disse que me doíam os braços e que, mesmo sendo o rapaz, o cansaço chegava e instalava-se no meu poço de medo. Tu rias e caías uma e outra vez à espera de acreditares apenas no que fosse mais imediato, quando os filmes acabavam, quando percebíamos que o mundo era feito de distância e tanto tempo vazio, tu ficavas muito feminina e abandonada e eu sofria mais ainda com isso. Estavas tão diferente de mim como se já tivesses partido e eu fosse apenas um local esquecido sem significado maior no teu caminho. (…) Caía eu nos teus braços, fazias um bigode no teu rosto como se fosses uma “Marlon Brando”. Eu, que te descobria como se descobrem fantasias no inferno, não queria ser beijado pelo Marlon Brando e entrava numa combustão modesta que, às batidas do meu coração, iluminava o meu rosto como lâmpada falhando.
A minha mãe dizia-me: Valter, tem cuidado, não brinques assim, vais partir uma perna, vais partir a cabeça, vais partir o coração.
E estava certa, foi tudo verdade.”
(Valter Hugo / Brincávamos a cair nos braços um do outro)
#40
Posted in choro baldes (arte), tagged mariana miranda, snoopy on julho 21, 2013| Leave a Comment »









