Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘mariana miranda’

Viu? A gente virou até meme, rs.

mariana miranda cartaz feliciano cura eu

(Salvador, 20 de junho de 2013)

Read Full Post »

Numa beira de estrada, debaixo de uma árvore, dois homens estão esperando por Godot. Parados por dias, meio perdidos, sem nem saber exatamente quem é Godot ou o que ele fará, eles discutem, brigam, ficam exaustos e esperam. Esperam, esperam, esperam. E Godot não chega nunca. E a história acaba.

Esse é o roteiro resumido de uma peça famosa de Samuel Beckett: Esperando Godot, de 1952. Não é um roteiro fácil. Quando ele começou a ser encenado, era normal ver as plateias revoltadas: achavam o texto cansativo, sem sentido, alguns saiam do meio da apresentação, outros queriam o ingresso de volta. A maioria não entendia nada.

Aí um grupo de atores resolveu encenar a mesma peça num presídio. E foi aclamado. Durante os aplausos, perguntaram aos detentos se eles haviam mesmo compreendido aquela história tão difícil. E eles disseram: “É claro que a gente entendeu. A gente está o tempo inteiro esperando Godot”.

É isso. Suponho que não haja nada mais frustrante neste mundo do que apresentar uma obra prima para a plateia errada.

Se você tem tv em casa, caro leitor, você viu a confusão. Cada manifestante com um cartaz pedindo uma coisa diferente. A multidão do Rio se desencontrando em direções opostas, o pessoal de Brasília subindo no Planalto e, depois de chegar lá em cima, acenando sem saber o que fazer. Uma desorganização que só deixa claro que, de fato, não existe um mandante ou uma agenda pré-definida para este movimento. Que a coisa toda é espontânea. E desorganizada, graças a Deus.

Outra hipótese para esta falta de unidade pode ser o excesso de opções. Tente decidir entre protestar contra os gastos com a Copa ou o caos nos transportes ou a PEC 37. O preconceito, a pobreza ou a violência policial? Sarney, Lula ou Feliciano? Fica difícil. E ainda mais difícil ouvir Jabor mudando de ideia, pedindo desculpas por criticar os “revoltosos que não valem nem 20 centavos”. Ele costuma mudar de ideia, né? Deve ser duro ser de direita e reacionário num país onde existe memória – ao menos, eletrônica. Nossos jornais já não vão mais enrolar peixe na feira no dia seguinte. Depois de 30 anos chamando manifestante de baderneiro? Democrata de criminoso? E agora?

Em sua coluna na Rede Globo, nós somos os “revolucionários sem causa relevante”. Iguais àqueles da Revolução Francesa, que começaram aquela algazarra toda por causa do preço do pão. Ou da Revolução Russa, que apedrejaram as janelas de uma fábrica por nada. Vândalos. Na Primavera Árabe, tanto barulho por causa de um imposto sobre a venda de frutas na feira, ah, só causas irrelevantes. Numa reportagem da Folha, perguntaram a uma manifestante por que ela fazia parte do protesto. E ela respondeu: “Olha, eu não consigo imaginar uma razão para não estar aqui, na verdade”.

Mas você demorou de compreender o nosso movimento. É que ele era meio desorganizado, sem manipulação – depois de duas décadas dentro dos escritórios da Globo, deve ser mesmo difícil entender algo assim. Milagrosamente, ele fez sentido para uns cem mil “desocupados”, “rancorosos”, “caricaturas da caricatura”, “revoltosos que não valem nem 20 centavos”. Gente que trabalha, que é honesta, gente que já passou mais de 500 anos do outro lado do muro, esperando por um Godot que não chega nunca. Gente que não aguenta mais esta elite corrompida nos vendendo mentiras no horário nobre. Gente digna, sabe?

Não, você não sabe. Você não tinha mesmo como entender nada disso. Você era só a plateia errada, Jabor.

.
.
Arnaldo-Jabor

Read Full Post »

#45

download (2)

Read Full Post »

Todo esse clima de resistência repentino – que andava meio fora de moda aqui no Brasil – voltando às ruas agora, no meio do expediente, me parece a reprise de um filme bonito que a gente não lembra muito bem como termina.

Chamo de clima “repentino” por que toda gota d’água é meio inesperada mesmo. Mês passado eu escrevia um artigo sobre o uso de mídias sociais na revolução política do Egito e tudo me parecia absolutamente distante. Talvez ainda seja. Agora estou em Salvador, a metros de uma praça lotada, faltam 20 minutos para a manifestação, um barulho ensurdecedor.

Vou deixar vocês com a reprise de um filme sobre isso: resistência e beleza. Uma história sobre outra luta de classes que, até hoje, a gente também não sabe muito bem como termina.

(A Cor Púrpura, 1985, Steven Spielberg)

Read Full Post »

“Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo (…) e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.”

(Rubens Braga / O Desaparecido)

Read Full Post »

Vou dedicar o post de hoje aos excluídos. Vem cá, a tia Mari te entende, senta aqui no banquinho, dá a mão.

Opção 01
chiquinha solteira

Opção 02
tirinha solteiro

Opção 03
festa solteiros

Opção 04
madona solteira

Opção 05
namorados solteiros

Opção 06
solteiros 2

Opção 07
cupido burro

Opção 08
1017335_591311320901676_920172913_n

Opção 09
crianca solteira

Opção 10
estado_civil

Pode copiar e colocar no Facebook. Brinde da tia. Um beijo.

Read Full Post »

Gregory Colbert é um canadense que iniciou a carreira em Paris e hoje é dono da exposição fotográfica mais visitada do mundo. Ele foi à África e à Ásia registrar crianças e animais em silêncio. Para ele, “é impossível traçar o rumo de uma baleia, dirigir os gestos de uma águia, ensinar expressões a um bebê. Você não pensa como um elefante. É outra relação. Ou sente ou não sente”.

Acho que deu tão certo.

1

9

13

17

19

28

37

4

38

42

45

(Gregory Colbert / Ashes and Snow)

Read Full Post »

A preocupação relevante do dia é com o microondas que, depois de um mês de trabalho duro e honesto, apitou, apitou, explodiu e cuspiu tudo fora. Depois voltou ao normal com o semblante mais plácido e garboso. Quem nunca, não é mesmo? Mas o miserável manchou o fogão. Já comentei que o meu fogão é bonito e cheio de botões? Continua com as instruções no forno e certamente acredita que os humanos se alimentam de papel, mas quem dirá que não é belo e digno? Combina com a geladeira. A geladeira sobreviveu. Toda vez que abro a geladeira eu lembro que preciso comprar água. Faz umas duas semanas que eu preciso comprar água. Ou um filtro. Por hora, fico com a opção mais simples, comprar garrafas d’água no mercado, dezenas de garrafas, ainda que a atividade quase nunca me apeteça. Essa semana a água acabou. Comecei a tomar suco. E o suco acabou. Leite de caixa. Acabou. Iogurte. Espumante. Neste momento, posso dizer sem o privilégio da metáfora que só me restam os vidros de perfume.

Preocupadíssima, apenas.

Read Full Post »

#44

boneco havaiano

Read Full Post »

– Em 2009, li sobre um artista plástico do Recife que montou uma exposição inspirada num diário que ele encontrou no lixo. O dono do diário nunca foi encontrado.
– Como era?
– Ah, eram as desventuras do cidadão. Dava pra ler o diário todo, até hoje está na internet.
– Meu Deus, coitado!
– Como assim?
– Nunca mais jogo nada no lixo. NUNCA. MAIS.
– Por quê?
– Imagina ter o seu próprio diário publicado na rede mundial de computadores?
– Mariana, você TEM um diário publicado na rede mundial de computadores.
– Eu?? Ah, é.

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »