Meu Oscar 2015 para fotografia e trilha sonora.
Desses filmes que fazem valer a premissa de “quem não entende um olhar não vai entender uma longa explicação”.
(Todd Haynes / Carol)
Posted in choro baldes (arte), tagged carol, filme, mariana miranda on janeiro 21, 2016| Leave a Comment »
Meu Oscar 2015 para fotografia e trilha sonora.
Desses filmes que fazem valer a premissa de “quem não entende um olhar não vai entender uma longa explicação”.
(Todd Haynes / Carol)
Posted in books on the table (literatura), tagged kafka, literatura, mariana miranda on janeiro 20, 2016| Leave a Comment »
“Não é necessário que você saia de casa. Fique em sua mesa e escute. Nem mesmo escute, apenas espere. Nem mesmo espere, fique completamente parado e solitário. O mundo irá se oferecer a você para o desmascaramento, ele não pode resistir, extasiado, ele irá contorcer-se diante de você.”
(Franz Kafka / Aforismos de Zürau)
Posted in havaiana de pau (day life), tagged mariana miranda, medicos, saúde on janeiro 15, 2016| Leave a Comment »
O médico leu os exames, balançou a cabeça e falou sobre paz. Disse que eu precisava desacelerar, que era necessário para minha saúde e, dessa vez, proibiu de dirigir, de trabalhar, de andar sozinha na rua e de arranjar problemas – deve estar descrita na minha testa a minha capacidade de arranjar problemas. Prescreveu um mês de vida monástica, restringindo o computador e as festas. Falou sobre descanso. Faltou encomendar o epitáfio.
Desde então, passo o dia olhando para o teto e planejando megalomanias.
A única vez em que vivi algo parecido foi depois de um acidente de trabalho – os meses na cadeira de rodas me deram material para projetos desbaratados, que incluíam ir embora sozinha, morar em casebres, escalar vulcões e comer gafanhotos assados no deserto. No dia em que recebi alta, fui placidamente trabalhar sem nem lembrar do assunto. Um tempo depois, por motivos que me pareciam externos e desconectados, tudo aquilo se concretizou. Até a parte do casebre. E do vulcão. E do gafanhoto assado.
Aqui, eu passo o dia inteiro olhando para o teto, completamente sozinha. Planejo todos os problemas em que vou me envolver este ano. Tem algo dentro da gente que não esquece, que guarda qualquer disparate. Eu observo a tudo bem quieta. Meu médico não sabe o que está criando.
Posted in havaiana de pau (day life), tagged arquivo, foto, mariana miranda on janeiro 12, 2016| 1 Comment »
A gente perde muita coisa nesta vida, mas têm outras que sobrevivem a catástrofes. Eu reencontrei este arquivo de fotografias, tudo separado por data e tema. Fotos mal tiradas, feitas só para registrar o que estava acontecendo, excessivamente espontâneas, uma inconveniência. No fundo, acho que sempre temi que as histórias se dissolvessem entre meus dedos feito areia e, um dia, parecesse que a coisa toda fui eu que inventei. Que nada existiu.
Está na ala dos estremecimentos internos: não saber se foi verdade.
Posted in books on the table (literatura), tagged ano novo, mariana miranda on dezembro 28, 2015| 1 Comment »
“Às vezes os deuses
nos dão algo a mais
e não percebemos
na hora.”
(Charles Bukowski)
Posted in choro baldes (arte), tagged cinema, mariana miranda, star wars on dezembro 17, 2015| Leave a Comment »
Posted in books on the table (literatura), tagged dostoiévski, mariana miranda on dezembro 14, 2015| Leave a Comment »
“- E é pior ainda, pois trata-se de uma cobiça medíocre! – como se uma cobiça medíocre e uma grande cobiça não fossem a mesma coisa.” (Pág. 20)
“O poder absoluto, seja sobre uma mosca, é também uma espécie de gozo. O homem é um déspota por natureza: gosta de causar sofrimento. É isso o que se ama acima de tudo.” (Pág. 52)
“Sim, algumas vezes o pensamento mais louco, o mais impossível na aparência, se implanta tão fortemente em seu espírito, que acreditamos que seja realizável… Mais ainda: se esta ideia está ligada a um desejo violento, apaixonado, o acolhemos como algo fatal, necessário, predestinado, como algo que não pode não ser ou não se realizar! Talvez aí exista algo mais: uma combinação de pressentimentos, um esforço extraordiário da vontade, uma auto-intoxicação pela imaginação ou ainda outra coisa… não sei, mas naquela noite (que jamais esquecerei) aconteceu-me uma aventura miraculosa. Ainda que ela possa ser perfeitamente explicável pela matemática, não se torna menos miraculosa a meus olhos. E por que, por que aquela certeza estava tão solidamente enraizada em mim, mesmo depois de tanto tempo?” (Pág. 180)
(Feódor Dostoiévski / O Jogador)
Posted in books on the table (literatura), tagged caio fernando abreu, crônica, literatura, mariana miranda on dezembro 9, 2015| Leave a Comment »
“Mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.”
(Caio Fernando Abreu / Além do Ponto)
Posted in choro baldes (arte), tagged canção, maria bethânia, mariana miranda, música on novembro 19, 2015| Leave a Comment »
“De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala, nem a falha no muro.”
(Maria Bethânia / Quem Me Leva os Meus Fantasmas)
Posted in books on the table (literatura), choro baldes (arte), tagged mariana miranda, meditação 17", por quem os sinos dobram on novembro 13, 2015| 1 Comment »
“Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma. Todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um pedaço de terra for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se tivesse perdido uma montanha ou a casa de um amigo, ou a tua própria. A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte da humanidade. Por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.”
Este parágrafo do texto Meditação 17, do religioso John Donne, séc. XVII, serviu de inspiração para o romance de Ernest Hemingway: Por Quem os Sinos Dobram, de 1940. Três anos depois, o livro virou filme e ganhou o Oscar. Depois, a obra foi traduzida para o português por Monteiro Lobato. Em 1985, a banda Metallica gravou uma música inspirada no tema e com o mesmo título: Por Quem os Sinos Dobram. No Brasil, Raul Seixas fez outra composição com este nome. O texto inspirou também a música Elegia, gravada por Caetano Veloso. Dentre outras releituras, em outros lugares, em outros idiomas.
Curioso é que tudo isso parecia estar mesmo previsto na própria obra Meditação 17, no terceiro parágrafo:
“Quando um homem morre, um capítulo não é arrancado do livro, mas traduzido para uma linguagem melhor. E assim deve ser. Deus emprega inúmeros tradutores: algumas peças são traduzidas pela idade, algumas pela doença, algumas pela guerra, algumas pela justiça, mas a mão de Deus está em cada tradução e Sua mão reunirá outra vez todas as nossas folhas espalhadas formando a biblioteca onde cada livro deverá permanecer aberto aos outros. Da mesma maneira que, quando o sino toca chamando para o sermão, não convida apenas o pregador, mas também toda a comunidade. Nos chama a todos, e ainda mais a mim.”
A influência do autor já virou a esquina do novo século e tudo conspira para perpetuar esta ideia de que as pessoas não morrem, de que cada um continua através dos que ficam. Como o próprio John Donne, que morreu sem ter publicado um único poema. Mas por quem, até hoje, os sinos continuam dobrando.
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