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Posts Tagged ‘mariana miranda’

Mas tem que meditar. Por que a ciência recomenda, por que é o que todos dizem, basta melhorar a postura, fechar os olhos: vegetal, vegetal. Você pode começar imaginando um lugar bonito. Imaginou? Mas não um lugar que você já conhece, nem que quer conhecer, um lugar abstrato e bonito. Pode pensar também nas pessoas. Ninguém específico, pessoas do ponto de vista coletivo, na humanidade, um planeta repleto de pessoas girando sozinho no escuro do universo. Sinta o tempo passando por elas. Nem o seu passado, nem o seu futuro, apenas o tempo deslizando de leve – um momento presente metafísico, ponteiro de relógio marcando agora, agora, agora. Medite de verdade centrando-se na sua própria essência. Para além dos rótulos, dos papéis sociais, família, religião, carreira, personalidade – o que sobra, meu Deus? – pense nesse fantasminha translúcido chamado ‘essência de você mesmo’, seja lá o que signifique isso. Respire: vegetal, vegetal. Não abra os olhos. Não peça ajuda ao mundo. Não se agarre desesperadamente aos lugares habituais, às pessoas conhecidas, a um passado seguro. Encontre a paz dentro deste você desfragmentado e vazio, garimpe a razão da sua existência no vácuo. Você, o seu próprio Buda. Você, o seu melhor amigo. Fantasminha translúcido e autossuficiente. Não peça ajuda a ninguém. Confie no seu próprio umbigo.

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Se, um dia, alguém tiver êxito, explique-me como.

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Meu Oscar 2015 para fotografia e trilha sonora.

Desses filmes que fazem valer a premissa de “quem não entende um olhar não vai entender uma longa explicação”.

(Todd Haynes / Carol)

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“Não é necessário que você saia de casa. Fique em sua mesa e escute. Nem mesmo escute, apenas espere. Nem mesmo espere, fique completamente parado e solitário. O mundo irá se oferecer a você para o desmascaramento, ele não pode resistir, extasiado, ele irá contorcer-se diante de você.”

(Franz Kafka / Aforismos de Zürau)

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O médico leu os exames, balançou a cabeça e falou sobre paz. Disse que eu precisava desacelerar, que era necessário para minha saúde e, dessa vez, proibiu de dirigir, de trabalhar, de andar sozinha na rua e de arranjar problemas – deve estar descrita na minha testa a minha capacidade de arranjar problemas. Prescreveu um mês de vida monástica, restringindo o computador e as festas. Falou sobre descanso. Faltou encomendar o epitáfio.

Desde então, passo o dia olhando para o teto e planejando megalomanias.

A única vez em que vivi algo parecido foi depois de um acidente de trabalho – os meses na cadeira de rodas me deram material para projetos desbaratados, que incluíam ir embora sozinha, morar em casebres, escalar vulcões e comer gafanhotos assados no deserto. No dia em que recebi alta, fui placidamente trabalhar sem nem lembrar do assunto. Um tempo depois, por motivos que me pareciam externos e desconectados, tudo aquilo se concretizou. Até a parte do casebre. E do vulcão. E do gafanhoto assado.

Aqui, eu passo o dia inteiro olhando para o teto, completamente sozinha. Planejo todos os problemas em que vou me envolver este ano. Tem algo dentro da gente que não esquece, que guarda qualquer disparate. Eu observo a tudo bem quieta. Meu médico não sabe o que está criando.

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A gente perde muita coisa nesta vida, mas têm outras que sobrevivem a catástrofes. Eu reencontrei este arquivo de fotografias, tudo separado por data e tema. Fotos mal tiradas, feitas só para registrar o que estava acontecendo, excessivamente espontâneas, uma inconveniência. No fundo, acho que sempre temi que as histórias se dissolvessem entre meus dedos feito areia e, um dia, parecesse que a coisa toda fui eu que inventei. Que nada existiu.
Está na ala dos estremecimentos internos: não saber se foi verdade.

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2015

“Às vezes os deuses
nos dão algo a mais
e não percebemos
na hora.”

(Charles Bukowski)

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star wars

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“- E é pior ainda, pois trata-se de uma cobiça medíocre! – como se uma cobiça medíocre e uma grande cobiça não fossem a mesma coisa.” (Pág. 20)

“O poder absoluto, seja sobre uma mosca, é também uma espécie de gozo. O homem é um déspota por natureza: gosta de causar sofrimento. É isso o que se ama acima de tudo.” (Pág. 52)

“Sim, algumas vezes o pensamento mais louco, o mais impossível na aparência, se implanta tão fortemente em seu espírito, que acreditamos que seja realizável… Mais ainda: se esta ideia está ligada a um desejo violento, apaixonado, o acolhemos como algo fatal, necessário, predestinado, como algo que não pode não ser ou não se realizar! Talvez aí exista algo mais: uma combinação de pressentimentos, um esforço extraordiário da vontade, uma auto-intoxicação pela imaginação ou ainda outra coisa… não sei, mas naquela noite (que jamais esquecerei) aconteceu-me uma aventura miraculosa. Ainda que ela possa ser perfeitamente explicável pela matemática, não se torna menos miraculosa a meus olhos. E por que, por que aquela certeza estava tão solidamente enraizada em mim, mesmo depois de tanto tempo?” (Pág. 180)

(Feódor Dostoiévski / O Jogador)

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“Mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.”

(Caio Fernando Abreu / Além do Ponto)

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“De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala, nem a falha no muro.”

(Maria Bethânia / Quem Me Leva os Meus Fantasmas)

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