“Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.”
(Johann von Goethe)

(Cidade de Serrinha, Bahia, 29 graus, sem filtro)
Posted in books on the table (literatura), tagged Goethe, mariana miranda, rosas on março 23, 2016| Leave a Comment »
“Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.”
(Johann von Goethe)

(Cidade de Serrinha, Bahia, 29 graus, sem filtro)
Posted in books on the table (literatura), tagged alejandro zambra, chile, literarura, livro, mariana miranda on março 1, 2016| Leave a Comment »
“Às vezes, Fernando é uma mancha na vida de Daniela; mas quem não é, de vez em quando, uma mancha na vida de alguém?” (Pág. 12)
“Como representar o que acontece enquanto conversam? O que deixam de dizer um para o outro, aquele fundo de censuras tímidas, de minúcias, que se agita enquanto falam? Como iluminar as áreas que ambos decidiram deixar às escuras? Depois de uma época difícil, decidiram retornar ao pacto de não agressão, à indireta cumplicidade dos que estão conscientes de partilhar apenas um fio de vida.” (Pág. 76)
“- Você já quis ser professor de educação física?
– Não.
– Já quis fazer parte do Greenpeace?
– Não.
– Já quis ser outra coisa?
– É, a gente sempre quer ser outra coisa, Daniela. A gente nunca está contente com o que é. Seria estranho estar completamente contente.” (Pág. 90)
(Alejandro Zambra / A Vida Privada das Árvores)
Posted in books on the table (literatura), raspas e restos (crônicas), tagged chopin, leonid afremov, literatura, mariana miranda on fevereiro 23, 2016| 4 Comments »

Faz um tempo que eu acompanho o trabalho de Leonid Afremov. É aquele pintor de origem bielorrussa que usa cores berrantes para retratar paisagens de inverno. Gosto dos quadros dele, mas, principalmente, gosto dos nomes que ele escolhe para os quadros dele. Queda de Ouro, O Fim da Paciência, Juntos na Tempestade, Antecipação, Jogos Perigosos, Mágica Antiga etc. Uma tela, quando ganha um título assim, faz a gente imaginar histórias por trás da cena.
Na música, acho que o campeão em títulos poéticos é o Chopin: Noturno, Tristesse, Valsa Minuto, Fantasia de Improviso. Acho que Grande Valsa Brilhante faz pensar num romance vitoriano.
Imagino cenários e enredos também no supermercado, na lanchonete, já reparou em como batizam as tortas de doceria? Pecado de Damasco, Merengue à Moda Antiga, Cabelo de Anjo Dourado sob Pêssegos da Macedônia. Acho lindo. E os rótulos de vinho? Tributo Vintage Reserva, Um Sonho Espanhol, Lágrima Cristã dos Feudos Rosados de São Gregório. Há nomes de condomínios residenciais, de pacotes de viagem, slogans de iogurte importado – tantos títulos interessantes esperando por uma história.
É um mundo de hipóteses discretas. Eu vejo literatura em todas as coisas.
Posted in books on the table (literatura), tagged drummond, mariana miranda on fevereiro 5, 2016| Leave a Comment »

“Discretos, silenciosos,
chegaram os dias lindos.”
(Carlos Drummond de Andrade / Os Dias Lindos)
Posted in books on the table (literatura), tagged a insustentável leveza do ser, literatura, livro, mariana miranda, milan kundera on fevereiro 3, 2016| 1 Comment »
“Essa vida é tão importante quanto uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte depois de suplícios indescritíveis.” (Pág. 09)
“Metáforas são uma coisa perigosa. Não se brinca com uma metáfora. O amor pode nascer de uma simples metáfora.” (Pág. 16)
“Não só ela se parecia fisicamente com a mãe, mas tenho às vezes a impressão de que sua vida foi um mero prolongamento da vida da mãe, do mesmo modo que a trajetória uma bola de bilhar é o prolongamento do gesto executado pelo braço do jogador.” (Pág. 45)
“Será que um acontecimento não se torna mais importante e carregado de significação se depende de um número maior de acasos? Só o acaso pode nos parecer uma mensagem.” (Pág. 51)
“Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante, como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.” (Pág. 52)
“Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos, aterrorizados.” (Pág. 61)
“Quem vive no exterior caminha num espaço vazio acima do solo sem a rede de proteção que o país de origem estende a todo ser humano, onde ele tem família, colegas, amigos e onde é compreendido sem dificuldade no idioma que sabe falar desde a infância.” (Pág. 75)
“Franz notou que a mãe estava com sapatos descasados. Ficou confuso e quis avisar, temendo ao mesmo tempo magoá-la. Passeou com ela duas horas pelas ruas sem poder despregar os olhos dos seus pés. Foi então que começou a compreender o que é o sofrimento.” (Pág. 90)
“Vivemos os dois em escalas diferentes. Você entrou na minha vida como Gulliver no país dos anões.” (Pág. 102)
“O objetivo que perseguimos é sempre velado. Uma jovem que quer se casar quer uma coisa que lhe é totalmente desconhecida. O jovem que corre atrás da glória não tem nenhuma ideia do que seja a glória. O que dá sentido à nossa conduta sempre é totalmente desconhecido para nós.” (Pág. 122)
“Os regimes criminosos não foram feitos por criminosos, mas por entusiastas convencidos de ter descoberto o único caminho para o paraíso. Defendiam corajosamente esse caminho, executando para isso centenas de pessoas. Mas tarde ficou claro que o paraíso não existia e que, portanto, os entusiastas eram assassinos.” (Pág. 172)
“- O que você está olhando?
– Estou olhando as estrelas, respondeu.
– Não minta, você não está olhando as estrelas, está olhando para o chão.
– É que estamos num avião, as estrelas estão embaixo de nós.” (Pág. 235)
“No começo do Gênese, está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo.” (Pág. 279)
“Um dia, tomamos uma decisão, sem nem mesmo saber por quê, e essa decisão tem sua própria força de inércia. A cada ano que passa, fica mais difícil mudá-la.” (Pág. 302)
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(Milan Kundera / A Insustentável Leveza do Ser)
Posted in books on the table (literatura), tagged fiódor dostoiévski, livro, mariana miranda on janeiro 29, 2016| Leave a Comment »
“O meu coração se debatia como uma ave engaiolada.” (Pág. 19)
“Um novo sonho, nova felicidade. Novo, requintado e doce veneno.” (Pág. 39)
“Por que, quando somos infelizes, ficamos mais aptos a compreender o sofrimento alheio.” (Pág. 67)
(Fiódor Dostoiévski / Noites Brancas)
Posted in books on the table (literatura), tagged kafka, literatura, mariana miranda on janeiro 20, 2016| Leave a Comment »
“Não é necessário que você saia de casa. Fique em sua mesa e escute. Nem mesmo escute, apenas espere. Nem mesmo espere, fique completamente parado e solitário. O mundo irá se oferecer a você para o desmascaramento, ele não pode resistir, extasiado, ele irá contorcer-se diante de você.”
(Franz Kafka / Aforismos de Zürau)
Posted in books on the table (literatura), tagged ano novo, mariana miranda on dezembro 28, 2015| 1 Comment »
“Às vezes os deuses
nos dão algo a mais
e não percebemos
na hora.”
(Charles Bukowski)
Posted in books on the table (literatura), tagged dostoiévski, mariana miranda on dezembro 14, 2015| Leave a Comment »
“- E é pior ainda, pois trata-se de uma cobiça medíocre! – como se uma cobiça medíocre e uma grande cobiça não fossem a mesma coisa.” (Pág. 20)
“O poder absoluto, seja sobre uma mosca, é também uma espécie de gozo. O homem é um déspota por natureza: gosta de causar sofrimento. É isso o que se ama acima de tudo.” (Pág. 52)
“Sim, algumas vezes o pensamento mais louco, o mais impossível na aparência, se implanta tão fortemente em seu espírito, que acreditamos que seja realizável… Mais ainda: se esta ideia está ligada a um desejo violento, apaixonado, o acolhemos como algo fatal, necessário, predestinado, como algo que não pode não ser ou não se realizar! Talvez aí exista algo mais: uma combinação de pressentimentos, um esforço extraordiário da vontade, uma auto-intoxicação pela imaginação ou ainda outra coisa… não sei, mas naquela noite (que jamais esquecerei) aconteceu-me uma aventura miraculosa. Ainda que ela possa ser perfeitamente explicável pela matemática, não se torna menos miraculosa a meus olhos. E por que, por que aquela certeza estava tão solidamente enraizada em mim, mesmo depois de tanto tempo?” (Pág. 180)
(Feódor Dostoiévski / O Jogador)
Posted in books on the table (literatura), tagged caio fernando abreu, crônica, literatura, mariana miranda on dezembro 9, 2015| Leave a Comment »
“Mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era.”
(Caio Fernando Abreu / Além do Ponto)