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Posts Tagged ‘livro’

“Essa vida é tão importante quanto uma guerra entre dois reinos africanos do século XIV, que não alterou em nada a face do mundo, embora trezentos mil negros tenham encontrado nela a morte depois de suplícios indescritíveis.” (Pág. 09)

“Metáforas são uma coisa perigosa. Não se brinca com uma metáfora. O amor pode nascer de uma simples metáfora.” (Pág. 16)

“Não só ela se parecia fisicamente com a mãe, mas tenho às vezes a impressão de que sua vida foi um mero prolongamento da vida da mãe, do mesmo modo que a trajetória uma bola de bilhar é o prolongamento do gesto executado pelo braço do jogador.” (Pág. 45)

“Será que um acontecimento não se torna mais importante e carregado de significação se depende de um número maior de acasos? Só o acaso pode nos parecer uma mensagem.” (Pág. 51)

“Para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante, como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.” (Pág. 52)

“Vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos, aterrorizados.” (Pág. 61)

“Quem vive no exterior caminha num espaço vazio acima do solo sem a rede de proteção que o país de origem estende a todo ser humano, onde ele tem família, colegas, amigos e onde é compreendido sem dificuldade no idioma que sabe falar desde a infância.” (Pág. 75)

“Franz notou que a mãe estava com sapatos descasados. Ficou confuso e quis avisar, temendo ao mesmo tempo magoá-la. Passeou com ela duas horas pelas ruas sem poder despregar os olhos dos seus pés. Foi então que começou a compreender o que é o sofrimento.” (Pág. 90)

“Vivemos os dois em escalas diferentes. Você entrou na minha vida como Gulliver no país dos anões.” (Pág. 102)

“O objetivo que perseguimos é sempre velado. Uma jovem que quer se casar quer uma coisa que lhe é totalmente desconhecida. O jovem que corre atrás da glória não tem nenhuma ideia do que seja a glória. O que dá sentido à nossa conduta sempre é totalmente desconhecido para nós.” (Pág. 122)

“Os regimes criminosos não foram feitos por criminosos, mas por entusiastas convencidos de ter descoberto o único caminho para o paraíso. Defendiam corajosamente esse caminho, executando para isso centenas de pessoas. Mas tarde ficou claro que o paraíso não existia e que, portanto, os entusiastas eram assassinos.” (Pág. 172)

“- O que você está olhando?
– Estou olhando as estrelas, respondeu.
– Não minta, você não está olhando as estrelas, está olhando para o chão.
– É que estamos num avião, as estrelas estão embaixo de nós.” (Pág. 235)

“No começo do Gênese, está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e os animais. É claro, o Gênese foi escrito por um homem e não por um cavalo.” (Pág. 279)

“Um dia, tomamos uma decisão, sem nem mesmo saber por quê, e essa decisão tem sua própria força de inércia. A cada ano que passa, fica mais difícil mudá-la.” (Pág. 302)

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(Milan Kundera / A Insustentável Leveza do Ser)

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“O meu coração se debatia como uma ave engaiolada.” (Pág. 19)

“Um novo sonho, nova felicidade. Novo, requintado e doce veneno.” (Pág. 39)

“Por que, quando somos infelizes, ficamos mais aptos a compreender o sofrimento alheio.” (Pág. 67)

(Fiódor Dostoiévski / Noites Brancas)

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“Os canhões formavam uma harmonia como nunca existiu no inferno.” (Pág. 28)

“Será que há algo mais tolo do que querer carregar sem trégua um fardo que sempre poderíamos jogar no chão? Sentir horror pelo seu ser e estar apegada a esse mesmo ser?” (Pág. 46)

“Se nosso amigo Pangloss tivesse visto o Eldorado, teria deixado de dizer que o castelo de Thunder-ten-tronckh era o que tinha de melhor na Terra. A verdade é que é preciso viajar.” (Pág. 59)

(Voltaire / Cândido)

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“Era estranho estar voltando novamente à Espanha. Jamais esperava retornar ao país que amara mais do que a qualquer outro além do meu.” (Pág. 47)

“No entanto, a maior parte deste tempo, foi como se estivesse na cadeia, só que preso do lado de fora, não de dentro.” (Pág. 50)

“Pamplona não é um lugar que se leve a esposa. Você até pode trazê-la. Mas correrá o risco de a perder para um homem melhor do que você.” (Pág. 145)

(Ernest Hemingway / O Verão Perigoso)

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“Se olhares muito tempo para o espelho, acabas por ver um macaco.” (pág. 25)

“Atravessei os mares, deixei cidades ficar para trás e subi os rios ou penetrei pelas florestas e buscava sempre outras cidades. Possuí mulheres e joguei à pancada com os homens. E nunca podia volta atrás, como um disco não pode girar ao contrário. E tudo isso me leva aonde? A este minuto, a este acento, a esta bolha de claridade sussurrante de música: and when you leave me.” (pág. 32)

“Deve ser uma transformação tão grande. Se, um dia, eu fosse fazer uma viagem, acho que tentaria, antes de partir, notar por escrito os menores traços do meu caráter… e, à volta, compararia o que era antes com o que fosse depois. Li que há viajantes que mudam tanto que, ao regressarem, os seus parentes mais próximos não os reconhecem.” (pág. 43)

“Quando se vive, não sucede nada. Os cenários mudam, as pessoas entram e saem. Nunca há princípios. Os dias sucedem aos dias, sem tom nem som, é um alinhamento interminável e monótono. De vez em quando tira-se uma nota parcial, diz-se: há três anos que ando a viajar, há três anos que estou em Bouville. E fins também não há: nunca se deixa uma mulher de uma só vez, nem um amigo, nem uma cidade. E, depois, tudo se parece: Xangai, Moscou, Argel, ao fim de quinze dias, é tudo o mesmo. Em certos momentos – raras vezes – deitam-se contas à vida, percebe-se que estamos ligados a uma mulher, que nos metemos uma boa confusão. Como um clarão, o momento passa. Então o desfile recomeça, voltamos a alinhar as horas e os dias. Segunda, terça, quarta. Abril, maio, junho. 1924, 1925, 1926. Viver é isto.” (pág. 49)

“Dentro de quatro dias voltarei a ver Anny: esta é, por agora, a minha única razão para viver. E depois? Quando Anny me tiver deixado? Vejo bem que, pela calada, vou esperando: vou esperando que ela nunca mais me deixe. Devia saber muito bem, entretanto, que Anny nunca se sujeitará a envelhecer diante de mim. Sou fraco, tenho precisão dela. Gostaria de estar em forma quando a vir: Anny não tem piedade dos destroços.” (pág. 118)

“Tudo o que existe nasce sem razão, prolonga-se por fraqueza e morre por encontro imprevisto.” (pág. 151)

“Tu és um marco – diz ela – um marco à beira duma estrada. Explicas impertubavelmente e explicarás toda a vida que Melun fica a vinte e sete quilômetros e, Montargis, a quarenta e dois. É por isso que preciso de ti. (…) Preciso que existas e que não mudes.” (pág. 155)

(Jean-Paul Sartre / A Náusea)

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“Impossível ordenar o mundo dos valores. Ninguém coloca ordem na casa do capeta.” (Pág. 55)

“O povo é só e será sempre, a massa dos governados; diz inclusive tolices, que você enaltece, sem se dar conta de que o povo fala e pensa, em geral, segundo a anuência de quem o domina.” (Pág. 60)

“Te digo somente que ninguém dirige aquele que Deus extravia!” (Pág. 61)

“A desordem também privilegia, a começar pela força bruta.” (Pág. 62)

“Se não posso ser amado, me contento fartamente em ser odiado.” (Pág. 63)

“Fácil concluir que dois e dois são quatro à sombra de uma figueira, queria ver alguém puxar linhas e outros segmentos, fechar rigorosamente um círculo, demonstrar enfim um teorema em plena fogueira do inferno.” (Pág. 68)

“Eu fiz de conta que esqueci de tudo e que o mundo agora só tinha aquele apertado metro de diâmetro.” (Pág. 71)

“A culpa melhora o homem. A culpa é um dos motores do mundo!” (Pág. 80)

“As palavras – impregnadas de valores – cada uma trazia, sim, no seu bojo, um pecado original, assim como atrás de cada gesto sempre se escondia uma paixão, me ocorrendo que nem a banheira do Pacífico teria água bastante para lavar e serenar o vocabulário.” (Pág. 80)

(Raduan Nassar / Um Copo de Cólera)

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Ex-freira inglesa, uma das maiores historiadoras do nosso tempo, estuda a raiz dos conflitos religiosos entre os povos do mundo inteiro. Minha aposta para o Nobel da Paz de 2016.

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“Deus, Brahma, Nirvana. Não importa quais sejam as nossas opiniões teológicas, todos experimentamos algo semelhante quando ouvimos uma grande peça musical ou lemos um belo poema, e nos sentimos tocados por dentro, guindados para cima de nós mesmos. Tendemos a procurar esta experiência e, se não a encontramos em um local – numa igreja, por exemplo, ou numa sinagoga – buscamos em outro.”
Pág. 14

“Isso se deve, em parte, a nossa visão do mundo como um vale de lágrimas. Somos vítimas de desastres naturais, mortalidade, extinção, injustiça, crueldade. A busca religiosa geralmente começa com a constatação de que, como disse Buda, ‘a existência é errônea’. (…) Esta sensação de perda já foi expressa de muitas maneiras, evidencia-se na imagem platônica da alma gêmea da qual fomos separados ao nascer e no mito universal do paraíso perdido.”
Pág. 15

“Essa busca pelo sagrado e o culto a um local santo se relacionava com a nostalgia do paraíso. Quase todas as culturas possuem o mito da Idade de Ouro no começo dos tempos, quando a comunicação com os deuses era fácil e íntima.”
Pág. 32

“A história das religiões mostra que, em épocas de crise ou se convulsão social, as pessoas se voltam mais prontamente para o mito do que para as formas mais racionais de fé. Como uma espécie de psicologia, o mito consegue penetrar mais fundo que o discurso cerebral e tocar a causa obscura do sofrimento nas esferas íntimas do nosso ser. Mesmo hoje, vemos que o exílio vai além da simples mudança de endereço. É também um deslocamento espiritual. Tendo perdido seu lugar no mundo, os exilados podem sentir-se à deriva num mundo que, de repente, se tornou estranho. Sem o ponto fixo da ‘pátria’, uma desorientação fundamental faz tudo parecer relativo e sem sentido.”
Pág. 114

“Quando vemos um lugar onde ocorreu alguma coisa importante para nós, desaparece a lacuna entre o passado e o presente, que as simples informações verbais não conseguem eliminar.”
Pág. 232

“O processo de cavar o solo e chegar a uma santidade enterrada, então inacessível, constituía em si mesmo um importante símbolo de busca de cura psíquica. (…) Freud logo percebeu a relação entre a Arqueologia e a Psicanálise.”
Pág. 490

“Todavia, como demonstra a longa e trágica história de Jerusalém, nada é permanente ou garantido. As sociedades que sobreviveram por mais tempo foram as que se dispuseram a algum tipo de tolerância.”
Pág. 514

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(Karen Armstrong / Uma Cidade, Três Religiões)

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Na introdução de O Jogo da Amarelinha, Cortázar oferece um roteiro de leitura informando os capítulos que devem ser saltados para, depois, serem lidos em retrospectiva. Uma dinâmica de digressões que lembra mesmo um jogo de amarelinha. Aqui, alguns trechos do livro:

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“E repare que acabávamos de travar conhecimento e a vida já tramava o necessário para que nos desencontrássemos minuciosamente.”
Pág. 14

“Assim, tinham começado a andar por uma Paris fabulosa, deixando-se levar pelos signos da noite, adotando itinerários sugeridos por uma frase de chockard, por uma água furtada iluminada numa rua escura, detendo-se nas pracinhas muito íntimas para beijarem-se nos bancos, ou para olharem o jogo da amarelinha, os rituais infantis da pedrinha e o salto sobre um pé para entrar no céu.”
Pág. 33

“Em Milão, em Buenos Aires, em Genebra, no mundo inteiro, é inevitável, é a chuva e o pão e o sal, algo absolutamente indiferente aos ritos nacionais, às tradições invioláveis, ao idioma e ao folclore: uma nuvem sem fronteiras, um espião do ar e da água, uma forma arquetípica, algo de antigamente, de baixo, que reconcilia mexicanos e noruegueses e russos e espanhóis, que nos reincorpora ao obscuro fogo central já esquecido, que os devolve mal e precariamente a uma origem atraiçoada, indicando-lhe que talvez houvesse outros caminhos e que aquele que escolheram não era o único.”
Pág. 87

“Depois dos quarenta anos nós temos o verdadeiro rosto na nunca, olhando desesperadamente para trás.”
Pág. 112

“Eram contatos de galhos e folhas que se cruzam e acariciam de árvore para árvore, enquanto os troncos erguem desdenhosos as suas paralelas inconciliáveis.”
Pág. 121

“Em Paris, qualquer menção a alguma coisa que esteja além de Viena soa a literatura.”
Pág. 176

“Eu não me dei conta, fiquei para trás como os velhos que ouvem falar de cibernética e sacodem devagarzinho a cabeça, pensando que já está na hora da sopa de massinha.”
Pág. 324

“Tudo o que se escreve atualmente, e que vale a pena ler, está voltado para a nostalgia. Complexo de Arcádia, regresso ao grande útero, volta a Adão, o bom selvagem.”
Pág. 429

“Sinto, no máximo, a melancolia de uma vida demasiado curta para tantas bibliotecas. A falta de experiência é inevitável, quando estou lendo Joyce, estou sacrificando automaticamente outro livro e vice-versa.”
Pág. 459

“Aquilo a que muita gente chama amar consiste em escolher uma mulher e casar com ela. Como se pudesse escolher no amor, como se o amor não fosse um raio que quebra os ossos e nos deixa paralisados no meio do pátio.”
Pág. 483

“Quando nos despedimos, éramos como duas crianças que tinham se tornado estrepitosamente amigas numa festa de aniversário e que continuavam olhando uma para a outra enquanto os pais as puxavam pela mão, arrastando-as para a rua.”
Pág. 485

(Julio Cortázar / O Jogo da Amarelinha)

Por fim, uma canção da banda Gotan Project lançada em homenagem ao romance. Letra da música feita com trechos do livro + tango eletrônico com coral de crianças = o melhor dos dois mundos.

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Portrai

“Quando você chegar em um lugar apertado e tudo for contra você, mesmo quando parecer que não pode aguentar nem mais um minuto, não desista. Então, essa será a hora e o lugar em que a maré vai virar.”

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(Harriet Beecher Stowe, abolicionista americana no livro Life Hack, 1851)

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Trechos da obra O Spleen de Paris:

“Já viu alguma vez essas viúvas nesses bancos solitários, essas viúvas pobres? De luto ou não, é fácil reconhecê-las. Aliás, há sempre no luto do pobre algo que falta, uma ausência de harmonia que o torna mais pungente. É obrigado a economizar na dor. O rico ostenta a sua em grande estilo.” (pág. 44)

“Diga-me, minha alma, pobre alma arrefecida, que acharia de morar em Lisboa?” (pág. 48)

“Aquele que olha de fora através de uma janela aberta não vê nunca tantas coisas quanto aquele que olha uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais radiante do que uma janela iluminada por uma vela. O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante do que o que se passa por detrás de uma vidraça. Neste buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida.” (pág. 115)

(Charles Baudelaire / O Spleen de Paris)

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