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Posts Tagged ‘mariana miranda’

“Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).”

(Fernando Pessoa / Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio)

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(Hércules / Disney)

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Minha mãe me apresentou uma música chamada Perto do Coração, de Nelson Ayres. Li que a canção seria inspirada no livro de Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem. Por sua vez, sei que o título Perto do Coração Selvagem foi inspirado por um trecho de um romance de James Joyce, que até virou epígrafe da obra: “Ele estava só. Estava abandonado, feliz, perto do coração selvagem da vida”. Foi Joyce quem escreveu Ulisses, uma adaptação do poema Odisseia, composta por Homero. E a Odisseia é uma releitura de lendas primitivas relativas à Ítaca, ilha do Mar Jônico. Elas originaram-se da união dos mitos dóricos e micênicos, repletos de criaturas fantásticas.

O que existe em comum entre todas essas obras? Uma certa fusão do humano com o animal. Nesta mitologia ancestral havia uma criatura que era metade humano e metade cavalo: o centauro. Em Homero, o centauro Quiron é sinônimo de força e coragem. O herói Heitor, mesmo não sendo visto com equino nenhum, é chamado “domador de cavalos” e um importante episódio histórico é a Guerra de Troia, onde uma enorme escultura animal surpreende por estar repleta de homens por dentro. Em Joyce, o cavalo é referenciado no azarão que, mesmo fraturado, vence a competição: “As únicas pessoas descentes que vi em locais de corrida eram cavalos”. Em Lispector: “Sentia o cavalo perto de mim, como uma continuação do meu corpo. Ambos respirávamos palpitantes e novos.” (1986, p. 75) Em outra obra da autora – onde o personagem, não por acaso, se chama Ulisses: “Existe um ser que mora dentro de mim, um cavalo preto e lustroso… inteiramente selvagem.” (1988, p.28)

Na História e na Literatura, o centauro representa o religamento do humano com o seu instinto, um retorno ao impulso, à essência, à verdade. É o regresso à Arcádia. Ouço Perto do Coração pensando neste monstro antigo. E lamentando, às vezes, a falta da outra metade.

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“Mas, quando nada subsiste de um passado antigo, após a morte dos seres, após a destruição das coisas, apenas o cheiro e o sabor, mais frágeis mas vivazes, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, permanecem ainda por muito tempo, como almas a fazer-se lembradas, à espera sobre a ruína de todo o resto, a carregar sem vacilações sobre a sua gota quase impalpável o edifício imenso da memória.”

(Marcel Proust / Em Busca do Tempo Perdido I – O Caminho de Swann, p.57)

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“Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio

E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há um tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.”

.

(Hilda Hilst / Dez Chamamentos ao Amigo, uma série de poemas do livro “Júbilo, memória, noviciado da paixão”, de 1974)

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“Entre os milhares conhecidos

Ou que querem ser conhecidos

Como poetas

Talvez um ou dois

Sejam genuínos

E os outros são falsos

Percorrendo os sagrados recintos

Tentando parecer verdadeiros.

Nem preciso dizer

Que eu sou um dos falsos

E que essa é a minha história.”

 

(Leonardo Cohen / Milhares)

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“Eles acharam que eu tinha peito

Que não conhecia medo algum

Mas entenderam tudo errado.

Apenas é que eu estava com medo

de coisas muito mais importantes.”

 

(Charles Bukowski / Relógio na Parede, no poema Hino da Tormenta)

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clarie house of cards

(House of Cards / Beau Willimon)

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Uma vida resumida em:

– Vou renovar, abrir espaço na casa, as estantes estão pesadas. Já separei até uns livros para doar.

– Separou quantos?

– Dois.

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(Azul é a Cor mais Quente, 2013 / O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, 2004 / Scott Pilgrim contra o Mundo, 2010)

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