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Salas do inferno

Strange Things

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“As crianças cresciam
admiravelmente em torno deles.
E, como a uma borboleta,
Ana prendeu o instante entre os dedos
antes que ele nunca mais fosse seu.”

(Lispector / Amor, Laços de Família, 1960)

 

 

Em dois anos, eu fui mãe duas vezes. E acho que a principal diferença entre as duas experiências – o que talvez valha para todas as experiências que se sucedem na vida da gente – é que, na segunda vez, eu já sabia que ia passar.

O medo ia passar. A euforia ia passar. Saber que tudo vai passar faz você se sentir mais seguro e pessoas seguras não ficam o tempo todo tentando ser perfeitas.

Dar um banho na minha primeira bebê significava comprar seis garrafas de água mineral, ferver tudo numa panela nova, despejar numa banheira esterilizada e ficar medindo a temperatura até ela chegar a 37 graus. Minha segunda bebê toma banho até na pia de lavar roupa. Minha primeira bebê nasceu num berço que incluía baú, cama extra, cortinado, quatro posições e sete almofadas. Minha segunda bebê dorme num cercado no meio da sala. Os amigos brincam que, se eu tivesse uma terceira bebê, ela ia dormir na casa do cachorro, mas isso não é verdade. Eu nem tenho um cachorro. Saber que nada vai durar muito tempo faz a gente focar no que realmente interessa.

Às vezes, eu me pego pensando em como seria se a gente pudesse viver cada fase da vida duas vezes. Viver a adolescência de novo, o início de carreira de novo, aquela viagem de novo. Viver de novo cada momento decisivo só que, dessa vez, sabendo que vão passar. Na pressa de aproveitar cada minuto, quem iria cumprir todas as regras? Quem iria perder tempo tentando ser tudo que os outros esperam?

Minhas meninas brincam alheias a todas as diferenças entre elas. Uma no berço caro, outra no cercado, tão unidas e completamente felizes. Eu fico olhando de longe e reparo em como tudo em volta está uma desordem. A casa, a vida, tudo desalinhado. Mas, se eu fechar o foco, vou ver apenas uma criança dormindo no colo da outra. Um desenho na sola do sapato, um dinossauro na geladeira. De perto, os dias são bonitos. Mesmo nesta fase de desajuste, eu não gostaria de estar em outro lugar.

Eu realmente não sei por qual período da vida você está passando, mas talvez também não esteja sendo fácil. Não importa, apenas feche o foco. Traga o seu momento pra mais perto. Como a uma borboleta, segure o instante entre os dedos. Felizmente ou infelizmente, isso também vai passar.

Se importar

“Por que se importar é
da minha natureza.
Nunca deixei de me importar,
mesmo quando até parecia que não.
E me importarei sempre,
até o fim da vida
(e mesmo depois, se houver mesmo
esse adicional que tantos reivindicam).”

(Ruy Espinheira Filho / Babilônia e Outros Poemas)

Sabe, sim

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(11 de março de 2018, 35 graus)

Procura da Poesia

“Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?”

(Carlos Drummond de Andrade / Procura da Poesia)

Perfect, Ed Sheeran

Não sou dada a fofurices em geral. Mas fui pega desprevenida por essa mistura de cabana na floresta + fotografia no bolso da camisa + recado escrito na embalagem de pizza + filhotinho vira-lata perdido e assustado sendo resgatado no meio da tempestade de neve. Receita completamente esmagadora. Arrebatou (até) o meu (improvável) coraçãozinho.

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Opostos

“O oposto do amor não é nenhum ódio, é a indiferença. O oposto de arte não é a feiura, é a indiferença. O oposto de fé não é nenhuma heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença.”

(Elie Wiesel, US News & World Report, 27 de outubro de 1986)